04 de fevereiro de 2011

Os árabes e o fim da vitimização


Guerra civil no Egito derrubará o presidente do país


Roger Cohen, The New York Times – O Estado de S.Paulo

Uma boa maneira de medir a imensa distância percorrida pelo mundo árabe desde o mês passado é avaliar a principal questão que ficou de fora do debate: Israel. Durante muito tempo, o conflito israelense-palestino constituiu o grande diversionismo, explorado por autocratas árabes ineptos para distrair a atenção de populações empobrecidas. Nenhum desses líderes jamais se preocupou em visitar a Cisjordânia, mas isto não os impediu de defender a causa palestina, até mesmo quando a Justiça era pisoteada em seus próprios países.

Agora, os árabes estão refletindo sobre as próprias injustiças. Com enorme coragem declararam: “Basta!” A grande guinada está ocorrendo na mentalidade passiva do mundo árabe. Trata-se de uma imensa passagem de uma cultura de vitimização para outra de autodeterminação, de uma cultura da conspiração para outra de construção. É um longo caminho da ira à responsabilidade, da humilhação à ação.

O terrorista suicida muçulmano dirige a sua fúria para o que percebe como um inimigo externo. A autoimolação, a fagulha desse amplo levante pan-árabe, revela o mesmo desespero, mas dirigido para dentro. O bode expiatório externo é substituído pelo culpado árabe interno.

A mudança não se dará da noite para o dia. E não se dará sem sofrimento. Os árabes, porém, já decidiram – e os EUA deverão apoiá-los inequivocamente. O presidente egípcio, Hosni Mubarak, está acabado. É apenas uma questão de tempo. Não surpreende que o governo do presidente Barack Obama esteja sugerindo uma “transição ordenada”.

Evidentemente, há riscos. Sempre há riscos na mudança. Mas nada no genoma árabe diz que a democracia, a liberdade e a mera decência são inatingíveis.

Leia a íntegra do artigo no www.estadao.com.br

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2 comentários


  1. Ana Maria Cavalcanti

    ÓTIMO ARTIGO PRA GENTE ENTENDER + O Q ESTÁ ACONTECENDO NO EGITO.



  2. Vou vivendo… » Empreendedorismo … capital intelectual… Oriente Médio – 2

    [...] Detalhe significativo da crise do Egito atual: não se falou mais em Israel.  Não há mais a culpa do outro, aquele que deve ser eliminado. Um salto para a maturidade de um povo que deixa de precisar de um Pai Protetor. Agora é a busca de transformações internas (Roger Cohen, “Os árabes e o fim da vitimização”, 4/2/11). [...]



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