Mirian Goldemberg volta a falar de envelhecimento em livro

O que mais escuto de mulheres de mais de 60 anos é que esse é o momento em que se sentem livres, que podem fazer o que quiser e que é o melhor momento da vida

O que mais escuto de mulheres de mais de 60 anos é que esse é o momento em que se sentem livres, que podem fazer o que quiser e que é o melhor momento da vida

Velho é lindo!”. Esqueça as rugas, os cabelos brancos e a pele flácida para enxergar a beleza do caráter. Esse sonho originou a quarta obra da antropóloga Mirian Goldenberg dedicada ao estudo do envelhecimento — como é visto e vivido — numa coletânea de artigos acerca do tema.

Os nove textos são de orientandos de mestrado e doutorado de Mirian na UFRJ, onde é professora titular, para tentar compreender o corpo jovem tido como capital e como enxergar alternativas para a bela velhice. O assunto é investigado pela antropóloga desde 2000, em que compara a relação com o processo de envelhecimento na Alemanha e no Brasil.

— As brasileiras têm pânico de envelhecer. O que mais escuto de mulheres de mais de 60 anos é que esse é o momento em que se sentem livres, que podem fazer o que quiser e que é o melhor momento da vida. Então, por que têm tanto medo de envelhecer? Aqui, aos 30, a mulher está velha. As alemães não investem como as brasileiras para retardar o envelhecimento. No Brasil, aparentar ser mais jovem é um valor — conta.

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Ao longo de 15 anos, a antropóloga realizou mais de cinco mil entrevistas para a pesquisa no individual e no social da construção de uma velhice mais plena. Em meio a uma população que tende a viver cada vez mais, Mirian percebeu que o período é tido como um momento de libertação de demandas sociais e de realizações.

O conceito de corpo como capital inclui — na cultura brasileira, e, principalmente, na carioca —, para a mulher, um corpo jovem e em forma. Ao colocar em foco a aparência, a saúde pode sofrer danos à medida que procedimentos estéticos e até distúrbios são aceitos em troca do alcance do modelo idealizado.

— O que pesquiso tem um impacto maior na vida das mulheres mais novas do que na das mais velhas, que vivem isso que escrevo. Falar sobre isso muda muito a cabeça das pessoas. Vejo em homens e mulheres que leem “A bela velhice” — diz, sobre o livro que também aborda o assunto, assim como “Coroas” e “Corpo, envelhecimento e felicidade”. — Todo mundo é velho hoje ou amanhã.

Um comentário

  1. Tenho 82 e meio.Respondo pra estas pessoas jovens : Rezem bastante e peçam. a Deus para morrerem bem cedo afim de não chegarem até esta idade que vcs consideram tão avançada e problemática. Quem sabe hoje ou amanhã vcs são assaltadas , atropeladas ou ficam mto doentes? Eu Ainda não cheguei mas conheço mto bem essas frases tão Delicadas da gente ouvir..

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