Aposentadoria: viver mais é muito bom, mas custa muito mais

Quanto mais você viver mais você tem que se preparar

A reforma da previdência social é dolorosa e tem forte impacto sobre a expectativa de quando se aposentar e do quanto vai se receber como aposentado

Vânia Cristino, 50emais

Agora que o assunto reforma da previdência está na pauta do dia, você não imagina o quanto tenho sido questionada sobre o assunto. Amigos dos mais variados segmentos vivem me mandando textos falando da arbitrariedade do governo, da inconstitucionalidade da proposta, apresentando dados que, segundo eles, comprovam que a seguridade social é superavitária ou comparando a situação atual com a do passado recente, quando muitas pessoas conseguiram se aposentar cedo e bem.

Tenho um esclarecimento a fazer a você leitor do 50emais : Quando falo que a reforma é necessária não estou defendendo aqui nenhuma ideologia. Estou convencida de que, se nada for feito, até mesmo as aposentadorias já concedidas correm o risco de não serem pagas. O estado brasileiro está falido. É só olhar para o Rio de Janeiro, que não está tendo nem como honrar salários de servidores ativos e inativos. O dinheiro do almoço acabou. E a União não escapará, se não conseguir adequar os gastos ao tamanho da receita.

Vânia Cristino é jornalista especialidade

Repórter de economia deste 1979, vencedora do prêmio Esso de jornalismo em 2009, Vânia Cristino é especialista na área de previdência e trabalho

Admito que a reforma é dolorosa e que tem forte impacto sobre a expectativa de quando se aposentar e do quanto levar em recursos para casa. Mas, se nada for feito, o futuro será ainda mais incerto. É porque fomos excessivamente generosos no passado que estamos nessa situação. Quem não conhece alguém que nunca trabalhou, mas que é filha de militar e, por isso, tem direito à pensão do pai? E a viúva que acumula a própria aposentadoria com a pensão do falecido? Quem não tem na família uma professora que se aposentou nova, com apenas 25 anos de trabalho?

Pois é, você vai dizer, não é o meu caso. Pode ser. Vai também argumentar que a situação chegou a esse extremo porque o governo é perdulário, corrupto, gasta mal o que arrecada e por aí vai. Também concordo, mas esse não é o ponto. O ponto central da questão previdenciária é que as regras atuais são frouxas o bastante para permitirem brechas que levam ao abuso e que estamos vivendo mais, muito mais do que nossos avós, por exemplo.

Viver mais é bom, mas custa. Proponho que façamos uma simples conta. Vamos supor que você é uma mulher hoje com 55 anos, começou a trabalhar com 20 e, portanto, já possui 35 anos de contribuição. Nessa situação, inclusive, você não será pega pela reforma. Mas vai viver pelo menos outros 30 anos recebendo o benefício cheio, praticamente o mesmo tempo que passou contribuindo com 11% sobre o seu salário, até o teto do INSS. A equação não fecha.

Vamos deixar o passado para trás e viver o presente. O futuro está chegando e ele é para nossos filhos e netos. Como já disse, previdência é um pacto entre gerações. Não podemos pesar demais sobre os ombros dos nossos descendentes. Eles podem não dar conta de pagar e terão, por sua vez, regras ainda mais duras de acesso ao mercado de trabalho e previdência social.

Ah, e antes que eu me esqueça, a proposta que o governo fez é de mudança das regras hoje previstas na Constituição Federal. Por isso, não é inconstitucional.

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Se você tem alguma dúvida com relação à Previdência Social, escreva para Vania Cristino: vania.cristino1@gmail.com

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