Sexo depois dos 50 anos: problemas que eles e elas enfrentam

Depois dos 50, o maior problema para ela é a perda da libido; para ele, falhas na ereção

Depois dos 50, o maior problema para ela é a perda da libido; para ele, falhas na ereção

Maya Santana, 50emais

Sexo depois dos 50 anos é um assunto cada dia mais atual, já que a população está envelhecendo rapidamente. E, a partir dessa idade, é natural que comecem aparecer os problemas: para as mulheres, um dos principais é a perda da libido e o consequente desinteresse por sexo; para eles, a questão mais aguda é a qualidade da ereção, que começa a declinar a partir dos 45 anos. O 50emais acaba de receber uma mensagem que me impressionou pelo tom triste do homem que a escreveu. Ele reclama de que a mulher, chegando aos 60 anos, há muito não se interessa por sexo. E ele sente muita falta de um relacionamento mais íntimo com ela. Tendo em vista a importância do assunto, resolvi postar aqui trechos da entrevista de Mariza Tavares, de O Globo, com Carmita Abdo, uma das maiores autoridades do Brasil em questões sexuais, autora de oito livros, Doutora e livre-docente pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, fundou e coordena o Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP.

Leia o que Dra. Carmita diz:

PERDA DA LIBIDO:
“A menopausa exerce um impacto muito grande sobre a mulher. Não fomos feitas para viver sem hormônios. Na ausência do estrógeno, a lubrificação da vagina fica prejudicada e a mulher pode, consequentemente, sentir dor na relação sexual. Há outros prejuízos: para os ossos, os músculos, a cognição. A reposição hormonal é medida de saúde precedida de orientação médica, mas não pode ser descartada. Também é preciso estar atenta à depressão, que aumenta sua incidência depois da menopausa. Neste caso, a mulher não se interessa por sexo, como também não quer se cuidar e se isola. Na verdade, é uma falta de interesse geral pela vida! No consultório, é frequente atender pacientes que não querem tomar antidepressivos, alegando que o remédio vai interferir negativamente na libido. Isso realmente pode acontecer, mas apenas durante o tratamento, enquanto que, se a depressão não for tratada, a falta de desejo sexual será mantida como consequência da depressão.”

POR QUE A MULHER PARECE SE INTERESSAR MENOS POR SEXO:
“A maioria das mulheres se empenha mais durante a sedução, no desafio da conquista. Algumas ficam, então, satisfeitas e abrem mão do prazer do ato sexual. Talvez por dificuldades pessoais, talvez devido a parceiros apressados ou inábeis. Ou até por desconhecimento delas, ou seja, porque não sabem como fazer o próprio corpo reagir ou não conseguem relaxar. Na atualidade, vivemos relações-relâmpago, com ainda menos chance de a mulher ter seu corpo pronto para a penetração, pois as preliminares nem sempre são suficientes ou satisfatórias. O sexo contextualiza a sociedade contemporânea, onde tudo acontece de forma rápida e descompromissada. Por outro lado, os homens adorariam ser informados sobre o que agrada às mulheres na cama. É o que ouço deles o tempo todo. No entanto, ainda parece estranho ou desconfortável para as mulheres falarem sobre o seu prazer sexual ou guiarem seus parceiros para o que dá prazer a elas. Algumas se referem a ser constrangedor falar, porque pode parecer que o parceiro não é eficiente e não ‘se garante’, a menos que seja conduzido. Puro machismo feminino. Ela prefere realizar um ato sem qualquer ganho pessoal, a correr o risco de ele se sentir pouco habilidoso. Vale a pena falar e dar a ele a oportunidade de fazer melhor.”

NOS HOMENS, PROBLEMAS DE EREÇÃO:
“Apesar do tamanho do pênis ser um grande fantasma na vida sexual dos homens, a qualidade da ereção (a qual começa a entrar em declínio a partir dos 45 anos) é ainda maior. Os medicamentos que promovem a ereção são eficazes, mas se o homem viveu boa parte de sua vida com o problema, certamente complicou o quadro com o prejuízo de sua autoestima. Nesse caso, a eficácia da medicação poderá estar comprometida e ele necessitará também de uma terapia sexual. O medicamento age na fase de excitação, o que significa que o desejo deve estar preservado para o efeito ocorrer. De modo geral, os homens não fazem prevenção e encaram o agendamento de uma consulta médica como sinal de fragilidade. No entanto, as doenças, quando prevenidas, ajudam a preservar a ereção na idade avançada. Se, por exemplo, todos os homens fizessem exame da próstata a partir dos 40 anos, teríamos uma diminuição drástica dos índices de câncer avançado e de cirurgias radicais, uma das causas de perda da ereção.”

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2 comentários

  1. Cada um faz sexo de seu jeito. Sempre preferi o sexo animal. Sexo morno, não tem a menor graça. E na velhice, tudo é de morno a frio.

  2. Rogério de Oliveira

    O sexo não pode ser colocado como uma prioridade dramática da existência . O que diriam os padres , monges , freiras e outros que adotam espontaneamente a castidade e utilizam essa poderosa energia para a consecução de fins importantes. A beleza nem sempre está presente num ato sexual bem sucedido . O amor não é alcançado pelas vias sexuais. O prazer sexual é uma recompensa física ofertada pela natureza e está sujeito a modificações decorrentes do tempo que a tudo transforma. O ser humano , infelizmente , em sua maioria , não recebe o fim de sua capacidade atlética indispensável ao ato sexual. como o faz em relação ao futebol , halterofilismo e outros. O fim do sexo ao envelhecermos , é lento e gradual tal como a queda da visão , do olfato , da audição . É o ocaso da vitalidade física e não do emocional. A decrepitude emocional por causa do fim do sexo é romantismo meramente pessoal e não encontra eco na natureza.

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