Impasse na reforma da Previdência: Não comemore antes da hora

 se deixarmos a reforma da previdência para depois, as regras serão bem mais duras do que as atualmente propostas.

Se deixarmos a reforma da Previdência para depois, as regras serão bem mais duras do que as atualmente propostas

Vânia Cristino, 50emais

Foi só o governo se achar metido num imbróglio sem tamanho que muitos já comemoram a possibilidade, concreta, de não aprovação da reforma da previdência social. Questiono se, realmente, é essa a melhor opção no momento e se, no futuro, teremos mais condições de avançar nesse debate.

Infelizmente me parece que a resposta é não para ambas as perguntas. Estou convencida de que a reforma da previdência é uma questão de Estado, como bem diz o secretário Marcelo Caetano. E que, se deixarmos para depois, as regras serão bem mais duras do que as atualmente propostas.

Nessa questão, assim como em muitas outras, estamos pagando para ver. E vamos pagar cada vez mais caro. Não existe hipótese de uma reforma vir para abrandar ainda mais as regras existentes, ou seja, se passar a exigir menos idade e menos tempo de contribuição. Com as pessoas vivendo cada vez mais e o Estado sendo demandado para todo tipo de pagamento e serviço ao cidadão, mesmo em situação de equilíbrio, não há dinheiro para tudo.

Vânia Cristino é jornalista especialidade

Repórter de economia deste 1979, vencedora do prêmio Esso de jornalismo em 2009, Vânia Cristino é especialista na área de previdência e trabalho

É uma ilusão achar que a previdência, um dia, será “um salário “suficiente para dela se viver com conforto e dignidade. Mesmo nos chamados países do bem estar social a previdência oficial supre somente parte da renda na velhice. Aliás, ela existe exatamente para isso: para prover renda em situações de perda da capacidade laboral, seja por idade avançada ou saúde debilitada.

O grau de reposição de renda da previdência oficial brasileira é, inclusive, elevado, tendo em vista que somos um país de baixa renda. Estou fortemente convencida de que, num futuro não muito longínquo, a previdência brasileira caminhará para um pagamento de subsistência, equivalente ao salário mínimo. Quem quiser e puder contar com uma renda acima desse patamar na velhice terá que poupar para uma previdência complementar.

Chamo a atenção dos queridos leitores para a situação de penúria do Estado brasileiro. Se não agirmos o país como um todo se verá na situação do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, hoje sem dinheiro para honrar pagamentos em dia de servidores ativos e inativos. Meu coração aperta quando vejo imagens de idosos, já aposentados, sem dinheiro para a sobrevivência.

E não adianta a Justiça mandar pagar. Com que dinheiro? Em situação de normalidade isso não aconteceria. Os salários são irredutíveis, as aposentadorias são sagradas, etc , etc. Mas, repito, a situação não é de normalidade fiscal. Por isso não adianta estar previsto em lei e nem na Constituição. O que, de fato, garante o dinheiro no bolso dos trabalhadores é o Estado ter condições financeiras de cumprir seus compromissos.

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Se você tem alguma dúvida com relação à Previdência Social, escreva para Vania Cristino: vania.cristino1@gmail.com

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3 comentários

  1. Não é questionar, qual o certo sobre a reforma da Previdência. Eu só sei este monte de deputados e senadores só atrapalha. E tem que prevalecer uma lei pra para rico ser punido igual um ladrão de um litro de leite é punido. Eles roubam, roubam, ainda tem um presidente que vai de frente as câmaras dizer que não fez nada. O mundo estar vendo esta vergonha?

  2. A reforma deveria começar pelo valor de aposentadoria do senadores e deputados, governadores, presidentes, ministros, funcionários públicos e outras categorias que ganham absurdos em detrimento dos trabalhadores de empresas privadas e autônomos.

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