Para brasileira na OMS, o desafio é atuar em situação de crise

A jornalista Márcia Poole numa conferência da OIT. Ela acaba de assumir a Diretoria de Comunicação da WHE

A jornalista Márcia Poole, 57, numa conferência da OIT. Ela acaba de assumir a diretoria de Relações Externas do Programa de Emergências da OMS

Maya Santana, 50emais

É sempre com enorme prazer que registro aqui no 50emais cada novo e importante passo que a brasileira Márcia Poole dá na carreira, desenvolvida ao longo dos mais de 30 anos em que ela vive fora do Brasil. Nascida no Rio de Janeiro há 57 anos, Márcia acaba de assumir o cargo de Diretora de Relações Externas do Programa de Emergências da Organização Mundial de Saúde (WHE), com sede em Genebra, na Suíça. Ela já ocupou outras funções de destaque na ONU.

Márcia formou-se em jornalismo no Rio de Janeiro, na década de 70, antes de partir para Londres, onde foi contratada como produtora pela BBC Brasil, no setor de rádio. Durante muitos anos, trabalhou na redação mantida pela emissora britânica, responsável por produzir programas em português, transmitidos para o Brasil. Quando foi deslocada para dirigir outra área da emissora, ocupava o cargo de Diretora da BBC Brasil.

Nós nos conhecemos na BBC, no final da década de 90. Chamava a minha atenção a sua imensa capacidade de trabalho. Márcia é uma destas brasileiras que se destacam, brilham em qualquer lugar: inteligente, culta, poliglota, profissional de primeira linha, com sólida experiência em órgãos internacionais.

Casada com o jornalista Alistair Burnett, dois filhos, ela foi porta-voz da Missão de Paz da ONU no Timor Leste, dirigiu o departamento de comunicação da Anistia Internacional, a organização de direitos humanos com sede em Londres, e também ocupou o cargo de Diretora de Comunicação e Informação Pública da Organização Internacional do Traballho (OIT), em Genebra, na Suíça.

“É um enorme desafio. Mas estou muito animada”, me disse ela, ao falar de sua nova função como Diretora de Relações Externas do Programa de Emergências da OMS, responsável por lidar com crises de saúde pública, em razão de epidemias – como zika, dengue – e em áreas de conflito. Márcia cita especificamente como preocupante a situação dos voluntários “que arriscam suas vidas todos os dias em lugares como a cidade de Mosul, no Iraque, ou na Siria, no Iemen e outras áreas, para salvar vidas, vacinar pessoas – sobretudo crianças e mulheres nos locais mais remotos, debaixo de fogo, correndo risco de serem capturados.”

O WHE foi criado no ano passado, no rastro da crise do ebola, em países do oeste da África. A OMS foi muito criticada por seu papel na crise. Os estados-membros,então, decidiram criar esta nova divisão – que atua como uma espécie de braço humanitário da OMS, explica Márcia, lembrando que o WHE trabalhou no Brasil em parceria com o Ministério da Saúde, nos casos da dengue e do vírus da zika.

Todas as manhãs, Márcia, que mora no norte da França, cruza a fronteira com a Suíça e vai trabalhar na sede da ONU, em Genebra. Ela percorre 50 km. Desde o início de junho, quando assumiu o cargo, a profissional sempre bem disposta já está mergulhada em seus novos afazeres.

Compartilhe este postShare on FacebookShare on Google+Share on LinkedInTweet about this on TwitterEmail this to someone

2 comentários

  1. \Marcia é um exemplo de determinação e competência para todas nós, mulheres. Parabéns pelo novo cargo, querida Márcia. Vc é uma pessoa inspiradora.

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos marcados com asterisco são obrigatórios. *

*