Romero Britto: o famoso artista brasileiro que o Brasil renega

"Enquanto as pessoas me criticam, estou criando minha arte"

Aos 53 anos: “Enquanto as pessoas me criticam, estou criando minha arte”

Maya Santana, 50emais

Romero Britto é um pernambucano de origem humilde que tornou-se celebridade internacional das artes plásticas, conhecido e respeitado no mundo inteiro, menos no Brasil. Aos 53 anos, milionário, ele vive em Miami há três décadas e transformou-se numa espécie de símbolo da cidade americana. Sua arte, facilmente identificada pelos traços e cores fortes, está espalhada por toda Miami. Seus quadros adornam paredes de museus e galerias importantes e fazem parte da coleção de estrelas como Michael Jackson, Barak Obama, príncipe William e Kate Middleton, Dalai Lama, princesa Diana e tanta gente mais. Por que seu trabalho não é apreciado no Brasil? Ninguém sabe explicar direito. Críticos dizem que o que ele faz não é arte. Mas há quem sustente que toda esta animosidade passa pela inveja, já que nenhum outro nome das artes plásticas brasileiras chega nem perto do que Romero Britto conseguiu lá fora, em termos de popularidade e de conta bancária.

Leia o artigo publicado pelo jornal Zero Hora:

Aqueles que o criticam o batizaram de “Paulo Coelho das artes visuais”, mas para o pintor, escultor e criador Romero Britto o apelido é um elogio. Depois de tudo, Britto e o escritor de auto-ajuda não apenas são amigos como reconhecidos expoentes de um Brasil que os renega.

Príncipe William e Kate Middleton nos traços e cores de Romero Britto

Príncipe William e Kate Middleton nos traços e cores de Romero Britto

Britto é facilmente reconhecido por seus blocos coloridos e planos entre bordas pretas e a ausência de comentário social. Sua chamada “arte da alegria” é o símbolo de Miami, onde o pernambucano vive há 30 anos.

Sua marca, entre o souvenir e a arte neo-pop, é visível e ineludível em parques e praças da cidade; e seus símbolos coloridos proliferam nos comércios graças a acordos com grandes empresas como Disney, Coca-Cola e Mattel.

– Miami é uma cidade onde as pessoas vêm com muitos sonhos e esperanças –, conta à AFP o artista de 53 anos em seu estúdio próximo a Wynwood. – As pessoas vêm de férias com a família, passam um tempo legal e têm boas recordações. O espírito dessa cidade é a diversão – explica.

E, segundo ele, esse mesmo espírito é o que define a sua obra.

O artista brasileiro com Michael Jackson

O artista brasileiro com Michael Jackson

Em sua loja em Miami Beach pode-se comprar desde uma chaleira a US$ 75 até quadros por vários milhares. Enquanto isso, na casa de leilões Sotheby’s, um retrato de John e Jacqueline Kennedy com corações nas bochechas foi vendido em 2015 por US$ 250 mil.

– Através da minha arte quero comunicar alegria, uma mensagem positiva e as coisas boas da vida, porque o meu trabalho, à medida que estou criando, também me devolve isso. Quando vejo minha arte, quando está finalizada, me sinto feliz – afirma.

Entretanto, não é somente alegria o que Britto recebe de volta. Ao procurar o seu nome na imprensa brasileira, inúmeras reportagens tentam explicar a antipatia provocada por suas cores.

Outra celebridade retratada pelo pintor: Madonna

Outra celebridade retratada pelo pintor: Madonna

–Enquanto as pessoas me criticam, estou criando minha arte”, responde Britto, acostumado a lidar com os seus críticos.

“Não estamos familiarizados”
O Brasil não lhe dá o amor que recebe em Miami. Em um grupo do Facebook, mais de duas mil pessoas comentam as obras do “mestre Britto”. Carteiras, xícaras, vestidos e guarda-chuvas com os desenhos do artista são motivo de piada entre os membros do espaço “Brittolândia”.

“Amigo secreto é sempre muito injusto, você dá um Van Gogh e ganha um Romero Britto”; “Já pensaram se o Trump resolver deportar Romero Britto?”, são alguns dos posts mais comentados pelos usuários que selam cada ironia com o duplo “T” de Britto.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, em 2015, o representante do espaço brasileiro Bolsa de Arte, Jones Bergamin, declarou que o artista “conquistou 100% da rejeição do nosso mercado”.

Britto se defende comparando o seu caso com o do espanhol Pablo Picasso: “não sou o único artista que as pessoas criticam por ser bem-sucedido”.

Nos tempos atuais, os representantes do setor no Brasil não estão muito dispostos a falar sobre ele. Apenas a menção de seu nome desata respostas como “não trabalhamos com suas obras” ou “não estamos familiarizados com a sua trajetória”.

Brendan Britto, filho de Romero, com o ex-presidente Barak Obama

Ao lado do quadro, Brendan Britto, filho de Romero, com o ex-presidente Barak Obama

Maria Amélia Bulhões, presidente da Associação Brasileira de Críticos de Arte, explicou à AFP em São Paulo que Britto tem seu mérito enquanto ao gráfico:

– Mas na realidade ele não tem se consolidado na cena artística brasileira.

Acrescentou que para se consolidar na cena artística tradicional é necessário o apoio das instituições. Mas, na direção contrária, Britto se move em uma esfera comercial. Clique aqui para ler mais.

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2 comentários

  1. Romero Brito pode até não viver na mídia, mas sua obra é valorizada por quem aprecia arte de qualidade. Em 2014, na escola que trabalho como professora, fizemos o Projeto Alegria na Arte, no qual os alunos reproduziram nos muros da escola quadros de Romero Brito. As reproduções ficaram lindas, e o projeto foi publicado no site da Secretaria de Educação.

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