Engenheiro enfrenta crise trabalhando como “neto de aluguel”

Aloisio trabalhou 12 anos em empresa do setor de engenharia civil, mas mudou radicalmente de função ao ficar desempregado

Aloisio trabalhou 12 anos em empresa do setor de engenharia civil, mas mudou radicalmente de função ao ficar desempregado

Maya Santana, 50emais

Numa época de crise econômica profunda como a que estamos vivendo, é preciso usar toda a criatividade e senso de oportunismo para encontrar trabalho. Principalmente, quando se tem um governo que gasta cada vez mais e só sabe aumentar impostos para cobrir seus rombos. Demitido de uma empresa onde era funcionário há mais de 10 anos, o engenheiro civil Aloisio Melo viu oportunidade de trabalho junto à população mais velha da região metropolitana de Vitória, no Espírito Santo. Hoje, ganha a vida ensinando informática e trabalhando como motorista para idosos. Virou o neto que muitos deles não têm.

Leia os detalhes neste artigo publicado pelo Estadão:

O desemprego crescente no Brasil é um problema que afeta milhões de pessoas. Mas algumas delas fazem da situação de crise um momento para experimentar novos formas de trabalho. Foi o caso do engenheiro civil Aloisio Melo, de 46 anos, que perdeu o emprego em maio deste ano e, três meses depois, se descobriu na função de ‘neto de aluguel’.

Não, Melo não cobra para passar tempo com avós. A expressão curiosa é apenas o nome do projeto lançado pelo morador de Vitória-ES, em que ele ajuda idosos com serviços como deslocamentos e aulas de informática.

Natural do Paraná, o engenheiro se mudou para a capital capixaba há dois anos e meio, após uma transferência da empresa. Mesmo depois de demitido, resolveu permanecer na cidade e fazer serviços como motorista na região, por meio de um aplicativo.

“Em uma das viagens, deixei uma mulher em casa e uma outra senhora pediu ajuda para baixar o aplicativo: ‘Vem aqui me ensinar, porque os meus filhos não me ensinam’. Aí eu mostrei no celular dela como fazer. Depois da minha explicação, ela ficou encantada com o meu jeito e a paciência para orientá-la”, ele detalha.

Melo se deu conta de que o auxílio aos idosos da região poderia se tornar uma fonte de renda. “Eu pesquisei outras páginas na internet e não achei nada parecido em Vitória. E são mais de 190 mil idosos só na região metropolitana, então é um mercado muito grande”, afirma.

O engenheiro passou a divulgar seus serviços pelo Facebook e em grupos de WhatsApp, “sem grandes pretensões”, segundo ele mesmo.

Por trabalhar como voluntário em asilos locais, ele conseguiu uma boa base de contatos e hoje dá aulas de noções básicas de informática na casa dos próprios clientes. Além disso, o ‘neto de aluguel’ também ajuda no deslocamento e assistência de idosos. “Levo no mercado, em consultas médicas, passeios. E também acompanho a pessoa no que ela for fazer”, diz.

A possibilidade de voltar ao mercado como engenheiro está em aberto, mas ele pretende continuar com o projeto, mesmo que seja nas horas vagas. “Muitos deles [clientes] criaram um laço afetivo. Me chamam de ‘netinho’ e tudo mais”, brinca.

Ao todo, o ‘neto de aluguel’ afirma que são sete clientes fixos – três nas aulas de informática e quatro no serviço de motorista particular -, além de outros trabalhos extras.

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3 comentários

  1. Maravilhoso
    moro em São Paulo adoraria fazer o mesmo aqui.

  2. GOSTEI DE SUA ATITUDE COMO PESSOA,SEM ORGULHO, MARAVILHA!!!Nair

  3. Muito bem Aloisio……parabéns….

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