A grande chance de iniciar uma vida nova, mais econômica e feliz

Maria Cristina,74, deixou SP e vive cercada de verde em Tiradentes,MG

Maya Santana, 50emais

Duas histórias inspiradoras de mulheres que decidiram deixar a cidade grande em busca de um envelhecimento mais tranquilo, menos atribulado, em localidades menores, que oferecem melhor qualidade de vida. Uma largou São Paulo para trás; a outra, deu adeus ao Rio de Janeiro. Duas cidades onde morar tornou-se um desafio, sobretudo por causa da violência. Ambas, Rita Luz, 67, e Maria Cristina, 74, encontraram o lugar que procuravam em Minas Gerais. E vivem muito bem, muito mais satisfeitas do que antes, como conta este artigo de Maria da Luz Miranda, de O Globo, no blog Depois dos 50, cujo título original é “Duas mulheres, duas histórias, dois bons lugares para envelhecer.”

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A jornalista Rita Luz trocou a cidade do Rio de Janeiro pela região de Visconde de Mauá. A tradutora Maria Cristina Guimarães Cupertino, 74, deixou São Paulo para fixar residência em Tiradentes. Além do estado de Minas Gerais, onde ficam os endereços oficiais, elas têm em comum a opção por envelhecer em lugares menos populosos e aparentemente mais tranquilos. Deixar as metrópoles, ambas pontuam, não é decisão fácil. Mas, vencidas as amarras, é grande a chance de uma vida nova, mais econômica e feliz. A aposentadoria, para ambas, foi só o estopim.

Rita Luz tem 67 anos e, há 16, decidiu deixar a rotina puxada de assessora de imprensa no Rio para viver na tranquila Maringá de Minas. Uma escolha quase natural para quem já namorava a região há tempos. Mãe de um casal já adulto, apesar de agitada, ela soube aquietar a ansiedade.

A jornalista Rita Luz, 67, vive em Maringá de Minas: verde por todos os lados

“Quando eu vinha para Visconde de Mauá, sempre pensava sobre o quanto eu gostaria de envelhecer no meio do mato. E sofria a cada volta para a cidade. Mas os meus amigos juravam que eu não me adaptaria”, ela conta. Ao lado do marido, decidiu experimentar. Juntos, compraram a casa, plantaram uma horta, fizeram um jardim, encheram prateleiras de livros para não dar lugar ao tédio. Cuidaram um do outro até a morte dele, em 2008. Sozinha, o propósito seguiu firme.

Quem acha o seu lugar, que o aproveite, Rita segue a máxima que criou para si própria. “Nunca entendi o porquê de as pessoas viverem em apartamentos, sem sol, sem espaço, sem jardim, sem quintal. Aqui, estou cercada de amigos, gente que veio abrir pousada, restaurante, o seu negócio mas, fundamentalmente, veio atrás de um outro modo de viver. Isso nos aproxima. E temos a vantagem também de gastar muito menos do que em grandes centros. Não tem banco, não tem filas, não tem engarrafamentos, não tem violência, tem muita água e as pessoas são mais disponíveis para você”, ela enumera.

Solicitude e solidariedade também pesaram na escolha de Maria Cristina, que viveu a infância em cidade pequena e quase toda a vida adulta em São Paulo. Hoje com 74 anos, ela vive numa casa confortável onde trabalha e também planta de flores a manjericão. A opção pela mudança de ares e estilo de vida foi tomada aos 59. Divorciada e com duas filhas já crescidas, foi mais fácil.

“Aproveitei bastante o que um grande centro tem a oferecer. De repente, começou a parecer que os atrativos culturais não compensavam o sacrifício exigido para desfrutá-los, que todas as atividades implicavam um dispêndio excessivo de energia, que os amigos moravam longe demais. Uma das principais vantagens de envelhecer aqui é exatamente a convivência mais próxima e mais estreita e menos elitizada que se tem: as várias classes estão em maior contato do que numa cidade grande. Outra é dispor de um espaço maior, com entorno mais tranquilo e mais perto da natureza”, justifica ela. Clique aqui para ler mais.

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