A mulher que mudou os abatedouros do mundo


Dra. Temple Grandin, 65 anos, superou o autismo e lidera movimento por abate humanitário

Tinda Costa

Dia desses, na hora do almoço, uma colega de trabalho riu quando fiz uma prece para o espírito do boi cuja carne iria me alimentar. Maluquice ou não, acho que devemos agradecer aos animais que dão a vida para que possamos continuar a viver a nossa, bem alimentados.

Essa semana, soube que a WSPA, Sociedade Mundial Protetora dos Animais, ofereceu cursos e treinamento em frigoríficos de vários estados brasileiros e ajudou a implantar o Steps – Programa Nacional de Abate Humanitário – que visa à capacitação e o treinamento de pessoas envolvidas no abate desses animais no Brasil.

A tecnologia do abate de animais destinados ao consumo só assumiu importância cientifica depois que observou-se que o que acontece com o animal da propriedade rural até o abate tem grande influência na qualidade da carne. O abate humanitário garante o bem-estar dos animais desde a saída da fazenda até a sangria final.


Sua capacidade de compreender os sentimentos dos animais é extraordinária

O bem estar dos animais não era algo que preocupava a indústria da carne. Os animais iam para o abate e ninguém se importava com o que acontecia com eles ao longo do caminho. Por incrível que pareça essa mentalidade começou a mudar depois que entrou em cena, nos anos 70, uma mulher muito especial: Temple Grandin.

A história da Dra. Grandin é incrível! Nascida em 1947, em Boston, nos Estados Unidos, aos 2 anos de idade ela foi diagnosticada “mentalmente incapaz”. Naquela época, autismo – uma alteração no cérebro que afeta a capacidade da pessoa de se comunicar, estabelecer relacionamentos e responder apropriadamente ao ambiente – ainda não constava dos livros de medicina.

O pai queria que ela fosse internada num instituição de doentes mentais, mas a mãe se recusou a fazer isso e procurou criar a filha da maneira mais normal possível. A menina só começou a falar aos cinco anos de idade. Na escola, tinha de se esforçar mais do que seus colegas para aprender e sofria bullying por causa do seu jeito esquisito.

Veja trailer do filme, de 2010, baseado na vida da Dra.Temple Grandin:

Na adolescência, Temple passou a sofrer constantes ataques de pânico e fez terapia analítica para curar esse mal, sem resultado. Quando tinha 16 anos, sua mãe a forçou a passar as férias escolares na fazenda de uma tia. Ali, ela encontrou sua própria maneira de lidar com o autismo e foi o começo de uma forte ligação com os animais.

O que mais chamou a atenção de Temple na fazenda foi uma máquina usada para prender os animais que seriam vacinados ou marcados – a rampa de espremer. Ela notou que quando uma vaca era colocada ali e espremida, o animal relaxava e ficava totalmente calmo. Com a intenção de acabar com a própria ansiedade, Temple pediu aos tios para passar pela mesma experiência.

Chegou a construir uma máquina de “espremer” para ela mesma e a usava semanalmente durante uns 20 minutos para relaxar. Temple observou outras coisas que seriam importantes para reduzir o estresse de animais sendo levados para o abate. Suas pesquisas ganharam o respeito e consideração do mundo científico e suas descobertas e invenções (como os currais em curva) são usadas em abatedoros do mundo inteiro.


Famosa no mundo inteiro, nos Estados Unidos é uma celebridade

Temple já foi tema de documentário, de filme, escreveu vários livros e continua na defesa de duas causas: autismo e o bem-estar dos animais. Em uma palestra que fez recentemente, Temple disse: ” Eu acho que o uso de animais para alimentação é uma coisa ética, mas temos que fazer isso direito. Temos que dar a eles uma vida decente e uma morte indolor. Devemos respeito aos animais”. Concordo inteiramente com a Dra.Temple.

6 comentários

  1. Rosina Maria Martins Kubota

    Achei sensacional a história de superação da Dra Temple. Me senti um grãozinho de areia ao ver os desafios que enfrentou. Gostaria de ser vegetariana, mas ainda não consegui. A minha filha aos 14anos se tornou vegetariana por achar que os animais sofrem muito com os maus tratos. Grande exemplo.Já faz 8anos. Também é exemplo o que a mãe da Dra Temple, fez: acreditou que ela poderia ser uma pessoa como outra qualquer.

  2. Simplesmentte fantásticp

  3. Nesta madrugada (12/01/2016), assisti ao filme a respeito da Dra. Temple Gradin, sobre os gados, a respeito dos currais em curvas. Confesso que fiquei impressionada, e, quero deixar aqui, meu respeito e admiração. Isso demonstra que todo o ser humano, se incentivado, consegui vencer, independente de seus problemas. Sua genitora foi de fundamental importância, não desistiu, acreditando em seu potencial. Parabéns Dra. Que Deus a abençoe, e, que seu dom possa ajudar ainda mais a humanidade.

  4. Infelizmente muitos abatedouros e fazendeiros não usam o abate humanizado, precisamos divulgar mais, ainda precisamos consumir proteina animal, mas o bem estar deles antes de ir para nossa mesa é fundamental, não só para o gado, mas Galinhas, Porcos e outros… outra coisa Prejudicial é dar ração para os animais, boi, vaca precisam comer capim. Temple um ser iluminado

    • Fico feliz com a sua preocupação com o bem-estar dos animais de fazendas. Entretanto, a proteína animal não é necessária na alimentação humana. A única vitamina que não se encontra em uma dieta estritamente baseada em plantas é a B12, mas ela pode ser ingerida através de leite e queijos ou mesmo de suplementos.

  5. Dicas de como matar um ser vivo que nao quer morrer. Extraordinario!

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