A última e deliciosa oportunidade de abandonar os rancores

Poucos chegam aos 50 anos sem fazer uma profunda reflexão sobre a finitude

Maya Santana, 50emais

Concordo plenamente com o que a jornalista e escritora gaúcha Martha Medeiros escreve nesta crônica sobre envelhecimento. Só discordo quando ela chama “segunda juventude” a etapa da vida que começa depois dos 50 anos. A fase iniciada após os 50 é totalmente diferente das outras – um caminho novo que se abre à nossa frente, nos dando mais liberdade para sermos quem realmente somos. Não saberia como chamá-la, mas, definitivamente, não é uma segunda juventude. A minha implicância é só com o termo “segunda juventude”, porque a crônica é bem interessante.

Leia:

“Só quem atravessa ao menos cinco décadas de vida pode entender a bênção que é entrar na segunda juventude. Claro que antes é preciso passar pelo purgatório. Poucos chegam aos 50 anos sem fazer uma profunda reflexão sobre a finitude, e dá um frio na barriga, claro. Amedronta principalmente quem ainda não fez nem metade do que gostaria de já ter feito a essa altura. Será que vai dar tempo?

Passado o susto, a resposta: vai. E se não der, não tem problema. Você não precisa morrer colecionando vontades não realizadas. Troque de vontades e siga em frente sem ruminar arrependimentos. Você finalmente atingiu o apogeu da sua juventude: é livre como nunca foi antes.

Então, não passe mais nem um dia ao lado de alguém que lhe esnoba, lhe provoca, que não se importa com seus sentimentos. Pare de inventar razões para manter seus infortúnios, você já fez sacrifícios suficientes, agora se permita um caminho mais fácil. Se ainda dá trela a fantasmas, se ainda pensa em vingancinhas ordinárias, se ainda não perdoou seus pais e seu passado, se ainda perde tempo com vaidades e ambições desmedidas, se ainda está preocupado com o que os outros pensam sobre você, está pedindo: logo, logo virará um caco.

Para alcançar e merecer a segunda juventude, é preciso se desapegar de todas aquelas preocupações que havia na primeira. Quando essa Juventude Parte 2 terminar, não virá a Juventude Parte 3, mas o fim. Ou seja, esta é a última e deliciosa oportunidade de abandonar os rancores, não perder mais tempo com besteiras e dar adeus à arrogância, à petulância, à agressividade, ou seja, adeus às armas, aquelas que você usava para se defender contra inimigos imaginários. Agora ninguém mais lhe ataca, só o tempo – em vez de brigar contra ele, alie-se a ele, tome o tempo todo para si.

Eu sei que você teve problemas, e talvez ainda tenha – muitos. Eu também tive, talvez não tão graves, depende da perspectiva que se olha. Mas isso não pode nos impedir a graça de sermos joviais como nunca fomos antes. Lembra quando você dizia que só gostaria de voltar à adolescência se pudesse ter a cabeça que tem hoje? Praticamente está acontecendo.

Essa é a diferença que tem que ser comemorada. Na primeira juventude, tudo vai acontecer. Na segunda, está acontecendo. “

12 comentários

  1. Cláudia Ribeirão de Freitas

    Pior que “segunda juventude”, só a expressão “terceira idade”… Porque “melhor idade”, aí, convenhamos, já é demais! Impalatável!rsrs

  2. Excelente texto,
    Único porém é o termo 2a.Juventude…

  3. Quando meu pé colar podemos conversar gosto muinto de cozinhar ..como nao faço nada o dia todo vivo de papo pro ar …aceito quem sabe mudo de vida de cabeça…saio mas de casa vejo mas pessoas tenho mais amigos passo a ter uma qualidade de vida melhor menos estresse.topo

  4. 2a Juventude é o fim da picada!!! Aliás, essa escritora não deveria nem falar nada dos 50 anos pq ainda as mulheres estão experienciando, construindo e aprendendo inúmeras coisas! Deve-se pensar em alguma coisa rumo a finitude, somente após os 70 anos. Antes disso, é um grande equívoco!

  5. Solange SANTOS Menezes

    Eu tenho 60 e vivo como se a.morte e a ,doenca não existissem…..vou vivendo cada dia sem essa,preocupação de melhor idade terceira idade…Vivo simplesmente…parem de rotular as coisas…vamos aproveitar a Vida…

  6. Este ano chegarei aos 80, não sei se é terceira ou quarta idade, ou o que for. Só sei que aprendi muito da vida e continuarei até o fim

    • Maria do Carmo Pereira

      Olá pessoal,

      Este ano fiz 55 anos anos, já sou avó e me sinto em pleno vigor para viver em todos os sentidos. Ainda com muitos objetivos a alcançar! E o melhor é que passamos a vivenciar tudo com muito mais maturidade.

  7. Lindo texto.
    Linda a autora

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