Afinal, o que é um “envelhecimento bem sucedido”?

Você para de se divertir quando envelhece? Não! Você para de envelhecer quando se diverte

Maya Santana,50emais

Se você tiver um tempo disponível, leia este artigo de Mariza Tavares, do portal G1, sobre a ideia errônea que temos do que é uma pessoa mais velha bem-sucedida. É preciso repensar o que é ter sucesso, diz a autora do artigo, porque o que é ser bem-sucedido pra mim não é o mesmo pra você. No meu entender, ser bem-sucedido nessa altura da vida é viver em paz, contente consigo mesmo, fazendo o que gosta, se exercitando fisicamente e lendo, para manter o corpo e a cabeça em dia. Essa é minha ideia de envelhecimento bem-sucedido.

Leia o artigo de Mariza Tavares:

Quando alguém fala em “envelhecimento bem-sucedido”, que imagem vem à sua cabeça? Talvez a de um homem mais velho, mas vigoroso, se exercitando ou viajando num navio. Ou a de um casal de idosos rodeado de filhos e netos em volta de uma mesa farta. Quem sabe o rosto de um milionário? Há boas chances de uma dessas opções se aproximar do que você pensou, e essa é a armadilha que habita a expressão: são projeções que remetem a ter riqueza ou poder.

Entretanto, se cada trajetória é única em suas experiências – e chegamos ao século XXI valorizando essa diversidade com todas as suas nuances – o mesmo acontece com o envelhecimento. Vai depender do gênero, porque as mulheresbemcontinuam recebendo menos que os homens e vivem mais; do fato de pertencer ou não a uma minoria; de viver numa metrópole ou numa cidadezinha; de quantos anos a pessoa estudou e quantos filhos teve; do acesso a moradia, transporte, saúde…

Portanto, vamos repensar o que é ter sucesso, especialmente na velhice, ou perpetuaremos visões contaminadas pela desigualdade. É como se dividíssemos os idosos em cigarras e formigas, culpando quem não pôde fazer um pé-de-meia mesmo que as condições para isso fossem as mais adversas. Quem ainda exerce uma profissão, ajuda a criar os netos ou é cuidador de um amigo ou familiar merece parabéns. Quem se esforça para manter a saúde e ser socialmente ativo tem que ser festejado.

No V Fórum Internacional da Longevidade, realizado ano passado, a médica geriatra Karla Giacomin foi contundente: “não podemos dividir os velhos entre vencedores e perdedores. Todos são vencedores, os que precisam de cuidados e os que correm maratonas. É importante lembrar que a grande maioria dos velhos brasileiros nasceu sem que suas mães tivessem acompanhamento pré-natal. São pessoas que não foram vacinadas como deveriam e têm aposentadoria de um salário mínimo”.

Já há quem defenda um novo movimento: o do envelhecimento empoderado. Não gosto do adjetivo, mas me agrada a ideia de, se preciso, lutar para garantir que continuemos sendo donos da própria história à medida que envelhecemos.

Autoestima, autonomia e dignidade devem estar na pauta de todo projeto ou discussão envolvendo idosos. No começo do ano, chegou ao mercado americano o livro “Empowered aging”, organizado pela ex-jogadora de vôlei Sharkie Zartman, no qual a autora propõe quebrar paradigmas na cada vez mais longa jornada da longevidade:

1. No lugar de envelhecer é horrível: envelhecer é uma oportunidade para buscar um propósito de vida.

2. Em vez de envelhecer é um período de declínio inevitável: envelhecer é um desafio e um privilégio.

3. Você para de se divertir quando envelhece? Não! Você para de envelhecer quando se diverte.

4. Descarte o “sou muito velho para fazer isso” e substitua por “posso fazer o que quiser, independentemente da minha idade, desde que esteja saudável”.

5. Em hipótese alguma: “meu médico é o responsável pela minha saúde”. A verdade é: “sou responsável pela minha saúde e pelas escolhas que faço, e meu médico faz parte do meu time”.

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