Agências de modelo contratam cada vez mais mulheres maduras

A francesa, de 61 anos, Yazemeenah Rossi é uma das mais requisitadas

Maya Santana, 50emais

O que hoje é anunciado com estardalhaço vai se tornar comum daqui a um tempo. Contratar modelos mais velhas será obrigatório, porque a população está envelhecendo rapidamente. É um fenômeno mundial. Mas mais acelerado no Brasil. A previsão é que, em 2050/2060, um terço dos brasileiros terão mais de 60 anos. Se hoje a moda é toda feita pensando nos jovens. Vai ter que mudar totalmente, porque a moda de amanhã, necessariamente, terá que dar mais atenção aos que têm mais de 50 anos, uma faixa da população até agora praticamente ignorada pelos estilistas.

Leia o artigo de Rachel Sabino, do Correio Braziliense:

O mercado da moda tem aprendido, aos poucos, que a beleza não é definida por idade. Nos últimos anos, a procura por modelos acima dos 40 anos tem aumentado no Brasil. Mulheres empoderadas ignoram estereótipos sociais e acreditam na capacidade de se sentirem bem na própria pele.

O booker Marthan Araújo, da agência Scouting, aqui de Brasília, confirma o crescimento da demanda. Ele compara que, há dois anos, acompanhava cerca de 100 modelos maduras na agência. Hoje, o número passou de 500 agenciadas.

O processo de procura é constante, e Marthan afirma que ele ocorre em mão dupla. “Nós vamos atrás de mulheres com esse perfil para o nosso casting, mas muitas vêm por conta própria. Elas veem outras modelos da mesma idade nas nossas redes sociais e se sentem motivadas a participar da equipe”, explica.

Eglay Rorato iniciou sua carreira de modelo após ter tido trigêmeas

A consultora de imagem Lilian Lemos percebe na valorização de novos biotipos de modelos uma oportunidade de reconhecimento para vários nichos de mercado. “O desejo de estar bem acontece em todas as etapas da vida, seja na juventude, seja na maior idade”, afirma a profissional.

Segundo ela, o mercado se torna receptivo de acordo com a mensagem a ser comunicada pela moda em qualquer mídia. “É maravilhoso ver barreiras e preconceitos sendo quebrados de forma inteligente e inclusiva. Ter uma mulher madura em uma propaganda ou em um desfile é um incentivo ao cuidado da imagem.”

A internacionalista e estudante de nutrição Cíntia Martins tem 35 anos e começou a carreira de modelo há menos de um. Mãe de dois filhos, foi descoberta por acaso, na academia, por um olheiro. “Fiquei surpresa e não esperava que tivesse o perfil, ainda mais por não ser muito alta”, comenta Cíntia.

Mesmo de surpresa, ela abraçou a oportunidade e a viu como porta para a autoestima subir. “Vejo cada vez mais brasileiras se importando consigo mesmas e se cuidando mais, independentemente da idade. Não sinto pressão nenhuma da sociedade. Pelo contrário, eu me sinto maravilhosa.”

“Fiquei surpresa e não esperava que tivesse o perfil, ainda mais por não ser muito alta.” Cíntia Martins, 35 anos, que se agenciou pela primeira vez como modelo nessa idade (foto: Glam Models/Divulgacao)

A mineira Alessandra Marques, 41, concorda. “A pressão social até existe, mas hoje o mercado mudou muito. Tem espaço para todos, tanto no quesito beleza quanto altura e idade”, diz Alessandra, que também entrou para o grupo e se sente segura com a maturidade.

O motivo de maior adesão no ramo por parte das mulheres também está no fato de o consumidor querer se sentir representado por quem divulga um produto. Logo, a aparência delas é a identificação direta com o público, seja na passarela, seja na televisão.

Flashback
Em 2017, a estilista Donatella Versace homenageou os 20 anos da morte do irmão Gianni Versace, criador da marca, ao colocar na passarela as personalidades que mais marcaram a grife durante o ápice de sucesso. Carla Bruni, Claudia Schiffer, Naomi Campbell, Cindy Crawford e Helena Christensen surgiram de surpresa ao fim do desfile na semana de moda de Milão, em setembro passado, e trouxeram à memória dos fãs e da imprensa a época de ouro — em que atraíam todos os flashes das passarelas internacionais nos anos 1980 e 1990.

A modelo inglesa Naomi Campbell, 47 anos

Depois de dar à luz trigêmeas, Eglay Rorato entrou em um período de resgate da autoestima. Além de psicóloga, servidora pública, dona de casa e “trimãe”, como se autointitula, ela escolheu se aventurar como modelo e conciliar o novo trabalho com a rotina. Em conversa com a Revista, Eglay lembra que, na adolescência, foi chamada diversas vezes para fazer fotos profissionais. Na época, o hobby era jogar vôlei — esporte escolhido por ela graças ao 1,74m de altura.

Contudo, há dois anos, recebeu o incentivo de uma amiga da mesma agência para fotografar e tentar algo novo. “Ser mãe de três meninas foi o que mais me motivou. Saber que elas me teriam como modelo, literalmente, não só de beleza, mas, principalmente, de feminilidade, de empoderamento e de superação, fez-me seguir em frente com essa decisão.”

Eglay diz que, depois de ver suas fotos e admirar a aparência e a conquista, isso contribuiu prontamente para elevar o amor-próprio. “Tornar-me modelo após os 40 é ser presença neste movimento. Sou mãe, profissional, dona de casa, mas, antes de tudo, sou mulher! E ser modelo é a expressão da minha feminilidade, tão agradavelmente conquistada nesse processo de resgate da autoestima.” Clique aqui para ler mais.

7 comentários

  1. Olá, hoje em dia é possível desfilar depois dos 40? ser modelo fashion.

  2. Eu tenho interesse de fazer parte da agência.

  3. Olá bom dia !
    Me chamo Iara tenho quarenta e um anos e um sonho ser modelo que tal uma experiência..
    Estou a disposição..
    Quero ser modelo
    Voces poderiam encentivar e apoiar mais mulheres …..
    Estou aqui precisa de uma modelo ….

  4. Claudineia Moura campos

    Olá vendo os comentários resolvi manda tbm quem sabe né? Nunca podemos de desistir dos nossos sonhos hoje estou a um mês na França e vou deixa meu endereço

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