Aos 80 anos, empresário Abílio Diniz garante: “Não sou idoso”

“Eu acredito que não sou velho. É uma questão de crença, de percepção. Faço hoje tudo o que eu fazia 30 anos atrás”

Maya Santana, 50emais

Abílio Diniz é bilionário. De acordo com a revista Forbes, ele está entre as pessoas mais ricos do Brasil, com uma fortuna de cerca de 11 bilhões de reais. Além de focado em ganhar dinheiro, o empresário paulista sempre teve uma outra espécie de obsessão: o cuidado com a saúde. Desde antes dos 30, alertado por um médico, ele se exercita todo santo dia. Numa entrevista, ele próprio revelou que sua rotina diária inclui “uma dose de exercício extenuante, queimar mais calorias do que consumir.” Assim, conseguiu chegar aos 80 anos – em abril – vendendo disposição e saúde. Com certeza, seu nome já está nos anais como referência de longevidade ativa. Nesta entrevista a Teo Cury, do Estadão, Abílio Diniz fala muito sobre envelhecimento, assunto no qual tornou-se especialiista. “Se você trabalhar seu corpo no sentido de que ele fique mais jovem, a possibilidade de adoecer é bem menor. Isso, inclusive, impacta questões governamentais”, explica ele, acrescentando: “À medida que as pessoas envelhecem e adoecem, vai custar mais para o Estado mantê-las, curá-las e tratá-las. Se você se conscientizar disso e se preparar hoje para seus 80 anos, 90 anos, tem chances de chegar a 110 ou 120 anos.”

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Um dos empresários brasileiros mais conhecidos, Abilio Diniz é também referência quando o assunto é longevidade. Dono de uma fortuna estimada em US$ 3,2 bilhões, o 11º homem mais rico do País no ranking da Forbes quer que os brasileiros envelheçam cada vez mais lentamente e com saúde. Ele conta que começou a se preocupar com o assunto aos 29 anos, após uma consulta ao cardiologista, que alertou sobre os riscos do excesso de tensão. Hoje, convicto de ser uma referência em qualidade de vida e estudioso sobre envelhecimento, Diniz não se considera um idoso. “Só quando me enchem o saco, eu falo pô, sou um velhinho, não me perturba.’.

Ex-sócio do Pão de Açúcar, que herdou do pai e ajudou a transformar no maior grupo varejista do País, o atual presidente do conselho de administração da BRF e um dos maiores acionistas do Carrefour, Abilio Diniz afirma que o maior impacto econômico do envelhecimento da população se dá no consumo. Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

“No Brasil, a consciência de que é preciso dar mais condições de vida para o idoso é recente. Não existem aqui órgãos governamentais cuidando desse assunto. Eu nem sei se deveriam existir, mas não vejo uma preocupação grande nesse sentido”

O Brasil já não é mais um país jovem. Na sua opinião, qual o impacto econômico deste movimento de rápido envelhecimento da população?

O impacto do envelhecimento na economia é enorme e vem sendo estudado no mundo inteiro. Hoje é fácil passar dos 80 anos e consumindo. Este é o maior impacto: no consumo. Seja para se divertir, viajar ou comprar, mas participando da vida, assim como os jovens.

Por outro lado, os que se aposentam criam um problema, pois alguém tem de pagar pela aposentadoria deles. É um problema que todos os países enfrentam. Chega-se a um ponto em que morre menos gente do que nasce. Ao mesmo tempo, surge um novo mercado de consumo.

Em abril, em comemoração ao seu aniversário de 80 anos, o senhor reuniu especialistas internacionais sobre envelhecimento em um evento em Sintra, em Portugal. Qual foi o objetivo desse encontro?

Estou voltado para que as pessoas não sintam que envelhecem. O evento do meu aniversário, o Plenitude, foi pensado para as pessoas se preocuparem com algumas coisas que são importantes na vida, com base em meus pilares: atividade física, alimentação, controle de estresse, autoconhecimento, espiritualidade e amor. Assim, elas poderão viver mais e com qualidade. Minha intenção é estudar e adquirir mais conhecimentos com gente que é referência no mundo nesses temas. Sem esforço exagerado, sem sacrifício, porque eu detesto sacrifício. Fazendo as pessoas cuidarem mais dos seus corpos, das suas cabeças, de si mesmas, dos seus relacionamentos, da espiritualidade, elas vão envelhecer muito mais tarde. Assim, poderemos ter um cara de 95 anos fazendo as mesmas coisas do que aos 70.

Desde jovem o empresário paulista se exercita diariamente

O senhor acha que o governo está preparado para este movimento?

Acho que os governos estão se preparando. Em alguns países, a conscientização se deu há mais tempo. No Brasil, a consciência de que é preciso dar mais condições de vida para o idoso é recente. Não existem aqui órgãos governamentais cuidando desse assunto. Eu nem sei se deveriam existir, mas não vejo uma preocupação grande nesse sentido.

Há especialistas que acreditam que políticas voltadas unicamente a idosos podem ser excludentes.

Normalmente, quem se exclui da sociedade é a própria pessoa quando envelhece. Isso porque ela tem mais dificuldade de locomoção, o que faz com que ela deixe de participar. Você fala “vamos em tal lugar?”, e ela não vai. O problema da locomoção é sério e, com isso, o espírito acaba envelhecendo. A cabeça, também. As pessoas vão se restringindo a seu pequeno mundo e aí ocorre um processo de envelhecimento acelerado. No nosso evento, o Aubrey de Grey, gerontólogo renomado e um dos palestrantes, comentou sua teoria, de que as pessoas não ficam doentes e envelhecem; elas ficam doentes porque envelhecem. Porque o corpo vai se deteriorando e propicia a possibilidade de mais doenças. Se você trabalhar seu corpo no sentido de que ele fique mais jovem, a possibilidade de adoecer é bem menor. Isso, inclusive, impacta questões governamentais. À medida que as pessoas envelhecem e adoecem, vai custar mais para o Estado mantê-las, curá-las e tratá-las. Se você se conscientizar disso e se preparar hoje para seus 80 anos, 90 anos, tem chances de chegar a 110 ou 120 anos. Clique aqui para ler mais.

5 comentários

  1. Iracema Costa de Almeida

    Excelentes reflexões! Entendo perfeitamente a afirmativa do Diniz! Mas, como viabilizar os pilares essenciais para todas as camadas da sociedade! Precisamos sim, pensar políticas públicas para essa faixa etária. Seremos a grande maioria em pouco tempo! Discordo da afirmação de ser uma política excludente, todos foram, são ou serão idosos um dia, sem exceção!

  2. Abílio Diniz não representa a maioria do povo brasileiro que muitas vezes não consegue ter nem uma boa alimentação!

  3. Longe de representar o povo brasileiro. Nasceu na riqueza, teve tudo nas mãos. Nós normais e povo brasileiro não temos saúde, segurança, educação e se quer uma alimentação nutricional a altura de envelhecer, DURO TUDO ISSO.

  4. Excelente forma pra idade, hein? Mas com um milésimo desta grana acho que eu e muita gente chegaríamos aos 90 esbanjando saúde…rsrs

  5. Uma pessoa que herdou patrimônio, soube valorizar o que recebeu, é uma pessoa de bem, atleta, criou ótimos filhos, gera milhares de empregos, enfim, este homem realmente nao representa o brasileiro, que é um povo maldoso, pequeno e invejoso.

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