Aos 89, ela encanta plateias declamando seus poemas eróticos

Claire Feliz Regina descobriu seu talento para escrever e declamar poesia depois de se aposentar

Maya Santana, 50emais

Eu acho encantadora a história de Claire Feliz Regina. De família pobre, teve que trabalhar desde muito jovem. Com esforço e determinação, foi vencendo cada etapa da vida, como você vai ler nesta reportagem de , para o site institutomongeralaegon.org. É uma mulher, antes de tudo, muito corajosa, porque faz um tipo e poesia que ainda é visto com muito preconceito, porque é uma poesia de conteúdo erótico. Com seu trabalho de valor literário, ela ganhou, em 2008, o título de personalidade do ano, concedido pelo boletim “Mais São Paulo”. Já publicou três livros e vai se tornando, a cada dia, mais conhecida.

Leia mais sobre ela:

Ela tem a alegria no nome. Talvez isso explique a comoção que causa quando entra em um sarau. Mesmo quando não faz parte, oficialmente, da lista de poetas que vão se apresentar, acaba sendo convidada para ler seus textos. Que são, por assim dizer, bastante ousados para uma mulher de 89 anos: Claire Feliz Regina escreve poemas eróticos.

Muitas coisas mudaram em sua vida depois que se aposentou. Pode-se dizer, na verdade, que houve praticamente uma inversão de etapas: a garota que nasceu em Campo Grande (MS) em 1928 e se mudou para Bauru aos 17 anos virou escritora da selva paulistana aos 79 – ela mora atualmente em São Paulo.

Antes da fase “selvagem”, houve a vida interiorana de casamento, filhos e o trabalho burocrático de funcionária pública na Receita Federal, especializada em imposto de pessoa física.

A cronologia de Claire é outra, por assim dizer. Os parcos recursos familiares fizeram com que tivesse que trabalhar desde a adolescência, e foi só aos 30, idade sacramentada no universo feminino por Balzac, que entrou na Receita como escriturária, já vivendo em São Paulo. Aos 37, foi estudar economia; aos 50, foi promovida a auditora fiscal.

Quem a vê declamando poemas eróticos como “O Marido”, em saraus temáticos como o realizado pela revista Libertinagem, não imagina que a poeta enfrentou dilemas e bloqueios amorosos na própria vida.

“Antes ele fazia sexo demorado/

Cheio de preliminares./

Reclamou-me a vizinha,/

virou poeta de hai-kai,/

agora, só quer dar/

‘uma rapidinha’”

Veja ela aqui:

A autora de versos como “Antes ele fazia sexo demorado/Cheio de preliminares./Reclamou-me a vizinha,/virou poeta de hai-kai,/agora, só quer dar/‘uma rapidinha’” não sucumbiu aos galanteios de um pretendente mais novo depois que enviuvou. “Não soube lidar com a diferença de idade”, conta. Desse impasse, ocorrido há cerca de 30 anos, nasceu seu primeiro poema.

A desinibida e quase performática Claire que arranca aplausos em suas apresentações se especializou em romper burocracias na maturidade, para lidar com os próprios medos e a timidez que alguns jurariam que nunca esteve por ali. Clique aqui para ler mais.

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