Responda: afinal, o que você quer ser quando envelhecer?

“A ‘entrada’ na velhice pode ser vivida como uma crise em que o sujeito leva um susto diante da percepção de sua finitude”

“A ‘entrada’ na velhice pode ser vivida como uma crise em que o sujeito leva um susto diante da percepção de sua finitude”

Maya Santana, 50emais

O título original deste artigo de Amanda Mont’Alvão Veloso, do Huffpost Brasil, é “O que você quer ser quando envelhecer?” Trata-se de uma reflexão sobre como reagimos ao nosso envelhecimento e à ideia da morte. Embora ambos sejam as únicas certezas que levamos conosco ao longo do caminho, fazemos tudo para ignorar a nossa finitude, o fato de que um dia vamos acabar. A certa altura do texto, a autora diz: “Estacionamos nossa teimosa esperança de uma vida sem fim e de uma juventude eterna. E assim, envelhecer continua sendo uma das certezas mais difíceis e delicadas para o ser humano.” Uma verdade cristalina.

Leia o artigo:

Entre gostos e desgostos, sonhos e conquistas, um tanto de perdas e um bocado de ganhos, a vida circula com criatividade no intervalo entre o nascimento e a morte.

Entre os caminhos que virão e as rotas já traçadas, estacionamos nossa teimosa esperança de uma vida sem fim e de uma juventude eterna. E assim, envelhecer continua sendo uma das certezas mais difíceis e delicadas para o ser humano.

Enquanto a ação do tempo provoca efeitos no corpo – perda de água, de elasticidade, de firmeza e dos sentidos -, cresce o sentimento, especialmente na nossa cultura, de que a pessoa que envelhece vai perdendo espaço na sociedade.

Infelizmente, esse sentimento se faz realidade, e ainda é comum os olhos da sociedade se voltarem para a velhice com rótulos e estigmas, como demonstra o geriatra José Elias Soares Pinheiro, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).

Ao HuffPost Brasil, Pinheiro disse que os idosos ainda são rotulados como “frágeis”, de “pouca renda”, “portadores de doenças crônicas” e relacionados a perdas.

Em um futuro breve, esse rótulo vai recair sobre a maioria dos brasileiros: em 2030, o Brasil será um país de idosos, segundo estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O presidente da SBGG reforça que o envelhecimento populacional é inquestionável:

“O aumento dos idosos no total populacional é evidente no nosso cotidiano. O homem brasileiro vive em média 74 anos e a mulher brasileira, 77 anos.”

Ainda assim, somos uma sociedade que não reconhece a própria velhice, e contabilizamos, no dia a dia, inúmeras demonstrações de desrespeito. Filas e lugares prioritários são ignorados; a segurança financeira após a aposentadoria parece um desejo ingênuo; a falta de paciência impera nos espaços de convivência.

“A velhice tende a ser desvalorizada e renegada à invisibilidade”, lamenta a psicanalista e doutora em Saúde Coletiva pela Unifesp Natália Alves Barbieri, que coordena grupos de estudo e de supervisão sobre a clínica do envelhecimento.

“Um dos fatores que marca esse momento é a saída do universo do trabalho. Aposentar significa, entre outras coisas, retirar-se aos aposentos. A fragilidade não é uma condição apenas da velhice, mas do humano, e tende a se intensificar com o avançar da idade. Mas a fragilidade não precisa significar isolamento, limite, sofrimento. É preciso tomar cuidado para não opor fragilidade e atividade. É possível ser ativo e frágil.”

Apesar de ser uma certeza, o envelhecimento não é um processo fácil. “A ‘entrada’ na velhice pode ser vivida como uma crise em que o sujeito leva um susto diante da percepção de sua finitude”, explica Barbieri. Nessa crise, uma pessoa pode repensar a própria vida ou se fechar por achar que já viveu e não há mais possibilidade de mudança.

“Muitas pessoas, nesse sentido, podem viver o envelhecimento de forma traumática, mais ou menos sofrida, sendo necessário algum acompanhamento. Mas outras podem se abrir para novas experiências. A existência de espaços coletivos para se compartilhar a experiência de envelhecer é fundamental.”

Socialmente falando, falta “criarmos uma cultura da longevidade que ofereça um imaginário com várias possibilidades de velhices, para que as pessoas possam buscar referências que mais lhe caibam”, destaca a psicanalista.

Para começar a expandir esse imaginário, poderíamos fazer esta pergunta: quem seremos quando o futuro tiver chegado para cada um de nós? Seremos velhinhos silenciosos, sentados em um banco de praça, exercendo o tédio de um dia que passa lentamente? Clique aqui para ler mais.

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6 comentários

  1. Não me importo com a sociedade e francamente não quero que ela me inclua. Desde a mocidade já não me dava bem com ela , sempre gostei de meu jeito às avessas de tudo que via e não me incluía, e hoje super cheguei na velhice e quer saber, cheguei chegando e pra ficar, curtir minha sonseira, minha lerdeza, preguiça, proscatinacao e tudo o mais que vem junto com essa lerdeza crônica , ah! E esqueci de dizer, joguei todas as máscaras fora e me assumi minhas rugas, minhas flacidez e tô aqui me perdendo em mim mesma e amando esse momento com tudo e todos que me rodeiam, não precisa ser bom porque eu já sou.”boa” e ponto . Tô mais que demaissssss

  2. Quero chegar na maturidade com saúde, para escolher lugares belos onde vou poder continuar tendo inspiração para escrever singelos poemas. Quero poder escolher livros que me levam ao imaginario e musicas também.Quero poder falar com leveza sobre a vida com amigos e filhas. Quero poder ajudar ao proximo de maneira suave. Quero continuar aprendendo a cada dia. Quero, quero… vida simples.
    fotoepoema.com

  3. Quero sobretudo saúde, física e mental, ter condições de gerir a minha vida e meus passos. Aproveitar o tempo com leituras e trocas de ideias com amigos. Passeios sem hora para voltar e o mar para apreciar. Quero sempre estudar coisas diferentes que me encantem. Ser leve e amável. Também quero ser amada. O mundo carece de gente “de Luz”, gente “desperta” e se eu puder e o outro quiser, espero contribuir para.

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