As polêmicas transfusões de sangue para retardar a velhice

O sangue para a transfusão é adquirido de empresas da Califórnia

Maya Santana, 50emais

Na busca de viver mais a qualquer custo, tornar a vida mais longa, parece que o ser humano é capaz de tudo. Agora, a nova moda entre milionários americanos é receber, através de transfusões, sangue de adolescentes. Assim, acreditam, conseguiriam adiar o máximo que puderem o envelhecimento de suas células. Pelo equivalente a oito mil dólares – em torno de 30 mil reais -, empresas da Califórnia fornecem o sangue. E há gente inteligente e muito rica, como um dos fundadores da empresa de pagamentos Paypal, Peter Thiel, de 50 anos, que está embarcando nessa, como mostra esta reportagem de Beatriz Diez, da BBC:

Leia:

O sangue dos mais jovens é capaz de rejuvenescer os mais velhos? Milionários não apenas acreditam nessa hipótese, como estão pagando por transfusões com esse fim nos Estados Unidos.

Quem está por trás dessa ideia com cara de futurista e ares de ficção científica são empresas do Vale do Silício, o coração da tecnologia na Califórnia.

E entre os adeptos da controvertida prática estaria Peter Thiel, cofundador da empresa de pagamentos online PayPal. Especula-se que ele gasta milhares de dólares com “sangue novo”.

Mas para entender o que está acontecendo hoje nesses laboratórios é preciso voltar ao passado.

No século 19, um cientista francês chamado Paul Bert fez uma descoberta ao mesmo tempo fascinante e espantosa.

Ele fez costurou duplas de roedores para que compartilhassem o fluxo sanguíneo e pudesse observar o resultado.

Especula-se que o milionário empresário Peter Thiel, 50, gasta milhares de dólares com “sangue novo”

Os camundongos mais velhos começaram a mostrar sinais de rejuvenescimento: melhor memória, mais agilidade e uma cicatrização mais rápida.

Muitos anos depois, pesquisadores de universidades americanas como Harvard e Stanford decidiram dar prosseguimento aos estudos do francês.

A técnica, conhecida como parabiose ou união fisiologia e anatômica de dois organismos, transformou-se na base de trabalho de várias empresas na Califórnia que tentam replicar os efeitos rejuvenescedores em humanos.

Mas ao mesmo tempo em que tentam revolucionar a ciência, atraem controvérsia e muita discussão.

Teste clínico
Para o médico Jesse Karmazin, o futuro é agora.

Em 2016, Karmazin, que é graduado pela Universidade Stanford, fundou a Ambrosia, uma startup que investiga os efeitos do sangue de pessoas mais jovens no combate de doenças ligadas ao envelhecimento.

“Acabamos de complementar o primeiro teste clínico. Vamos fazer mais estudos, mas os resultados até agora são bons”, disse Karmazin à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

“Acreditamos que o tratamento é exitoso, que reverte o envelhecimento e funciona para uma série de males associados com a velhice, como doenças do coração, diabetes e Alzheimer”, completa.

Gente jovem está se submetendo ao processo, tentando driblar o envelhecimento

Do teste mencionado por Karmazin, participaram 150 pessoas com idade entre 35 e 80 anos, que pagaram US$ 8 mil (cerca de R$ 27 mil) cada uma pelo tratamento.

“Era uma transfusão simples”, explica o médico. “Recebemos o excesso de plasma de bancos de sangue, que têm muito. Nós só usamos plasma, que é o fluido sanguíneo, sem as células”, diz.

Ele explica que as pessoas vão à clínica – a Ambrosia tem uma na Califórnia e outra na Flórida – e recebem o plasma jovem na veia.

Qual é o limite
O que para o fundador da Ambrosia parece ser algo simples desperta receio e dúvidas da comunidade científica.

“Para mim, fazer experimentos com pessoas saudáveis e dar a elas plasma com a esperança de que possam viver mais é ir pouco longe demais”, afirma Eric Verdin, presidente do Instituto Buck de Pesquisa sobre o Envelhecimento, também localizado no Vale do Silício.

Segundo ele, há muitos problemas associados ao plasma, como vírus e outras coisas que ainda não conhecemos.

“Me preocupa que alguém de 40 ou 50 anos, saudável, vai receber plasma de jovens”, afirma Verdin. Clique aqui para ler mais.

Compartilhe!

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos marcados com asterisco são obrigatórios. *

*