Associado à velhice feminina, osteoporose pode vir antes dos 40

Debora começou a sofrer de osteoporose aos 37 anos – Agência O Globo

Maya Santana, 50emais

É uma doença silenciosa, porque a pessoa não sente dor. Afeta sobretudo mulheres com mais de 60 anos, mas, como mostra este artigo de O Globo, pode surgir bem mais cedo, já a partir dos 40 anos. A doença se caracteriza pelo enfraquecimento dos ossos e é agravada pela obesidade e hipertiroidismo, por exemplo. Segundo especialistas, se exercitar é a melhor forma de prevenir a osteoporose, além da ingestão de vitamina D e cálcio, através de alimentos como o leite e seus derivados.

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Quando a psicóloga Deborah Ejzembaum, aos 37 anos, contouà ginecologista que sua mãe sofria de osteoporose, não imaginava ter de encarar tão cedo a doença. Mal que atinge 10 milhões de brasileiros — principalmente mulheres com mais de 60 anos —, o enfraquecimento dos ossos também pode chegar mais cedo, em especial se há casos na família.

Foi com incredulidade que Deborah começou o tratamento, ainda a contragosto, depois de passar por uma densitometria óssea:

— Jamais imaginei que poderia ter osteoporose, quanto mais nessa idade. É verdade que sempre fui sedentária e nunca tive muita força de vontade para fazer exercícios. Começar a fazer atividades físicas, portanto, era o meu remédio amargo.

Deborah precisou mudar de comportamento. Era necessário, imediatamente, reforçar a estrutura óssea, o que poderia fazer, por exemplo, com musculação, atividade que chegou a tentar nos primeiros dois anos de tratamento, mas à qual não se adaptou. Por indicação da mesma ginecologista, deu uma chance ao pilates.

Hoje, aos 42 anos, Deborah se diz uma grande entusiasta das caminhadas, que pratica cinco vezes na semana, além das sessões de pilates e das aulas de dança. O esforço deu resultado: com o reforço de duas injeções do medicamento denosumabe, descobriu, em julho, que reverteu o quadro de osteoporose.

Como Deborah, Marina Queiroz, de 67 anos, descobriu a doença antes de ter uma fratura. Não é o mais comum: em 75% dos casos, os pacientes são diagnosticados após sofrer uma queda e os ossos se quebrarem. Para evitar um susto, Marina consultou um reumatologista em 2015. Estando no grupo de risco — mulheres com mais de 60 anos e histórico de sedentarismo —, o cuidado não era em vão:

— Senti que devia me preocupar: não era muito afeita a exercícios. Sempre fiz os exames necessários, mas sentia que poderia desenvolver a doença do mesmo jeito. Que eu me lembre, sou a primeira da família com esse diagnóstico.

Segundo o reumatologista Luiz Cezar Motta, a osteoporose se caracteriza pela deterioração do tecido ósseo. Ao contrário do que possa parecer, os ossos também são estruturas vivas que estão em constante renovação: substitui-se tecido velho por novo.

Essa substituição, no entanto, diminui de intensidade principalmente após os 50 anos nas mulheres, quando começa o período da menopausa, mas é preciso cuidado: apesar de homens terem uma estrutura óssea mais forte, a osteoporose também os atinge, principalmente depois dos 70.

Prevenção
Para Cláudio Domênico, cardiologista e curador do evento realizado por O Globo para discutir a osteoporose, o perigoso “silêncio” da osteoporose é caracterizado pelo quadro que não envolve dor.

— Há um custo de US$ 25 bilhões para o tratamento de osteoporose nos EUA por ano, e cerca de 200 milhões de pessoas no mundo têm a doença. Por aí se vê a atenção que devemos ter com as quedas. Não tratamos a doença, mas o doente, por isso é importante observar todo o entorno do paciente e atentar também para as causas secundárias, como obesidade e hipertiroidismo — lembrou ele.

Os exercícios são grandes aliados da prevenção, além da ingestão de vitamina D e cálcio, via leite e derivados. Além disso, é preciso realizar o exame regularmente nas idades de risco, diz a radiologista Claudia Brazão Maksoud, responsável técnica pelo setor de densitometria óssea do Cepem:

— É um exame indolor, rápido e que não tem risco biológico. Na maioria das vezes só é necessário fazer uma vez ao ano. No Brasil, acontecem 2,4 milhões de fraturas por osteoporose anualmente, e cerca de 200 mil pessoas morrem em decorrência delas.

Caso a osteoporose seja diagnosticada, existem alguns tipos de tratamento, como o que Marina tem feito desde 2015. Apesar do uso dos bifosfonatos serem mais comuns, ela preferiu um medicamento subcutâneo à base da proteína denosumabe, que aplica a cada seis meses. Depois do diagnóstico e do uso regular da medicação, que continua até hoje, ela passou a se cuidar melhor e teve o quadro de osteoporose reduzido para uma osteopenia, que se identifica pela lentidão da substituição do tecido ósseo.

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