Assumir a cabeleira branca significa aceitação e libertação

A aposentada Maria Inês Menicucci, de 55 anos, assumiu os cabelos brancos que nasceram depois da quimioterapia e se sente superbem

Maya Santana, 50emais

Este artigo de Amanda Carvalho, do portal Uai, fala da onda grisalha que vai avançando, à medida que um número cada vez maior de mulheres vem aderindo ao cabelo branco. Estão abandonando as tintas porque é mais prático, é mais natural e é mais saudável. Pesquisas mostram essa tendência de aumento das mulheres com cabelos brancos. Quem parou de pintar o cabelo, como eu, sabe que essa não é uma decisão fácil. Mesmo assim, o time das grisalhas não para de crescer.

Leia o depoimento de várias mulheres que abandonaram as tintas:

Assumir os fios brancos, além de dedicação, exige um bom relacionamento consigo mesmo e coragem para a aceitação. A cada dia, a moda dos grisalhos ganha mais adeptos – muitas vezes, um desafio para as mulheres, que, aos poucos, se livram das tintas e do culto à eterna juventude. A tarefa não é fácil, mas dar esse passo pode mudar não só uma imagem vista no espelho, mas, sobretudo, a forma como a vida é vivida, com mais leveza.

Levantamento da FSB Pesquisa, encomendado pela Avon, constatou que 14,4% das mulheres acima dos 45 anos já adotam o estilo platinado nos cabelos. E mais: 61,1% gostam da ideia de assumir os brancos. Para essa parcela de entrevistadas, mais que uma simples rebeldia aos padrões de beleza, esse é um sinal de atitude.

Para Cristina Oliveira, de 53 anos, a transição do cabelo castanho-escuro para o grisalho veio de forma bastante natural (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)

Por todos os lugares, é possível observar que o estilo é bem-vindo. Na internet, blogueiras americanas se reuniram para ajudar mulheres que, assim como elas, desejam passar pela revolução grisalha – nome dado ao site em inglês, Revolution Gray. Lá, é possível encontrar imagens e a história de transição de cada uma das quatro participantes que adotaram os fios brancos antes dos 50. A página traz ainda dicas, compartilha experiências tocantes e dá informações para pessoas que estão passando pelo mesmo processo.

Nas telas, várias atrizes destacam a beleza do cabelo grisalho. Recentemente, Sophie Fontanel, escritora e jornalista francesa especializada em moda, usou o tema como inspiração para lançar sua mais recente obra. O livro Une apparition, sem tradução para o português, relata a experiência de dar adeus às tinturas e aceitar os fios naturalmente brancos – processo também compartilhado, em todas as etapas, com os mais de 100 mil seguidores nas redes sociais.

Nova Moldura

O ano de 2016 foi um tempo de crescimento não só para os cabelos, mas também para a própria vida de Ana Flávia Coelho, de 54 anos. Após passar pelo tratamento de um segundo câncer, a empresária, que perdeu os fios por conta da quimioterapia, teve a oportunidade de ressignificar a moldura que, como ela define, cobre nossas cabeças. “Quando perdi os cabelos, passei por um momento de muita meditação. Tentei usar peruca, lenço, mas nada me deixava confortável. Não me sentia eu. Comecei a aceitar minha careca como uma declaração pública de não estar nem aí para o que os outros pensavam. Era como uma nudez madura”, conta. Quando as primeiras pontinhas de cabelo começaram a aparecer, após alguns meses, Ana se sentiu à vontade para entender o novo “presente” recebido pelo corpo – os fios brancos.

Cada vez mais mulheres se libertam das tintas e deixam seus cabelos ao natural

“Acompanhar o nascimento desses branquinhos depois de eu ter ficado careca foi como a continuidade de um processo de renovação e crescimento” – Ana Flávia Coelho, de 54 anos, empresária

Efeito bicolor
Cansadas de se submeter a tinturas regulares e sofrer com os produtos químicos, mulheres assumem os cabelos brancos e contam com a ajuda de especialistas para fazer essa transição

A tendência de assumir os fios brancos chegou à Europa, originária dos Estados Unidos, e se popularizou há alguns anos. Mulheres de 30, 40, 50 anos ou mais passaram a expressar, por meio dos cabelos, que estavam fartas de se submeter a pinturas regulares e a sofrer com os produtos químicos. Cabeleireiros e profissionais da área aproveitam a fase para propor soluções inovadoras durante o período de transição e para atenuar o efeito bicolor. Enquanto isso, aumenta a procura por produtos que evitam o tom amarelado nos fios grisalhos.

“Ao contrário do que muitos pensam, o branco não está associado necessariamente ao desleixo, mas pode representar dignidade, beleza, autoaceitação e autorrespeito” – Nádia Viana Salomão Machado, de 58 anos, psicóloga (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)

Aqui, as brasileiras também lutam pela aceitação e pelo empoderamento dessa revolução. “Assumir essas mudanças significa aumentar a autoestima. As mulheres começam a entender que é possível viver com os cabelos brancos e, mesmo assim, continuarem jovens, saudáveis, interessantes e, acima de tudo, belas”, ressalta Amsha Carvalho, psicóloga parceira do Hospital Anchieta.

Quem ouve um pouco da história da funcionária pública Cristina Oliveira, de 53 anos, entende que, para ela, a transição do cabelo castanho-escuro para o grisalho veio de forma bastante natural. Ela conta que um dia, quando passava a escova nas madeixas, notou alguns fios brancos. “Descobri que já tinha uma mecha bem grisalha. E achei o máximo! A partir daí, só arrumava o cabelo de uma forma que ela pudesse ficar bem exposta.” Clique aqui para ler mais.

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