Cada vez mais idosos alemães decidem morar em repúblicas

Cena do filme E Se Vivêssemos Todos Juntos, com Jane Fonda e Geraldine Chaplin

Maya Santana, 50emais

Escolhi a foto acima para ilustrar esse artigo da Deutsche Welle por que mostra uma cena daquele filme “E se morássemos todos juntos?”, que fala exatamente de um grupo de amigos, homens e mulheres com idades acima dos 70 anos, que decide morar junto – a melhor forma de driblar a solidão. Na vida real, esse tipo de arranjo vai ficando cada vez mais comum, na medida em que o mundo está envelhecendo. Na Alemanha, por exemplo, que tem um quinto de sua população com mais de 65 anos, as repúblicas para idosos vão se multiplicando. E o artigo explica o porquê.

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É hora de encolher o passado, empacotar as lembranças e se mudar da antiga casa onde cresceram os filhos. Mas muitos não querem que o asilo seja a última parada. Cada vez mais idosos que vivem na Alemanha decidem curtir a velhice em comunidade, permanecendo ativos e independentes. Com 17 milhões de pessoas com 65 anos de idade ou mais, que representam pouco mais de 20% da população, o país vive um boom de repúblicas para idosos.

Os moradores ajudam uns aos outros e, às vezes, cozinham juntos. Cada um acomoda a longa vida em poucos metros quadrados, num quarto com banheiro, e compartilha a cozinha e outros espaços da casa. As repúblicas costumar ter boa localização, perto de padarias e supermercados, para facilitar a locomoção dos moradores.

Cada um organiza o que irá fazer no tempo livre: dormir, andar de bicicleta, ir ao cinema ou tomar um café com um colega de WG (abreviação para “república”, em alemão) num local próximo.

Além do aluguel, os moradores costumam pagar uma taxa adicional para que uma pessoa contratada auxilie na limpeza e na preparação da comida. Ainda assim, tudo fica mais barato do que num asilo, que sempre implica altos custos. Na internet, há sites especializados de busca de WGs para pessoas com idade a partir dos 50 anos.

Outros modelos de compartilhamento de moradia funcionam como alternativa ao Altersheim (asilo). Muitos idosos que querem uma companhia alugam quartos em suas próprias casas a estudantes por preços abaixo do mercado. Em troca, esperam ter ajuda com as compras, a preparação das refeições e o trabalho doméstico. Há projetos em várias cidades alemãs para conectar jovens e idosos para que compartilhem a vida.

Esse princípio é semelhante às “casas multigeracionais” (Mehrgenerationenhaus, em alemão), onde aposentados convivem com famílias jovens e com crianças pequenas que dependem de moradia social. O aluguel dos quartos é bem mais barato. O princípio é viver em comunidade, fazendo as refeições juntos e compartilhando momentos de conversas e distração. Atividades em comum são frequentes.

Outro modelo que ganha popularidade é o Seniorendorf, em que aposentados alugam uma casa em pequenas vilas construídas para casais e solteiros acima dos 65 anos. No condomínio, os moradores compartilham os anos de velhice juntos, com festas, hortas conjuntas e passeios coletivos. Muitas dessas vilas são construídas com financiamento coletivo, e o dinheiro doado pelos futuros moradores é descontado do valor do aluguel.

Com esses modelos alternativos, a solidão não tem vez, e a experiência de envelhecer ganha novos significados.

2 comentários

  1. gostaría muito que tivesse essas vilas em porto alegre.

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