Campinas vai ter “lar coletivo” para professores aposentados

Antonio Capoze e Anna Lyrs Guimaraes, ambos com 91 anos, posam no Lar Sant’ana, em São Paulo. Foto: Daniel Teixeira, Estadão

Maya Santana, 50emais

O sistema de cohabitação – cohousing, em inglês – surgiu na civilizada Dinamarca e logo se espalhou pelo mundo, inclusive para o Brasil, onde já há vários projetos, em pontos diferentes do país. São comunidades criadas e dirigidas pelos seus moradores, no qual compartilham seus espaços e experiências. Neste tipo de comunidade cada família vive com privacidade em sua própria casa e convive com os outros moradores da comunidade em ambientes coletivos como cozinhas, lavanderias, jardins, etc. Durante o Fórum “Moradia Para a Longevidade”, promovido pelo ‘Estadão’ em São Paulo, foi ressaltado o caso da Vila ConViver, um projeto de cohabitação, em Campinas, no interior de SP, que será destinado sobretudo a professores universitários aposentados da Unicamp.

Leia o artigo de Priscila Mengue, publicado pelo Estadão:

“Era a última coisa que ela queria”, recorda Sérgio Mühlen, de 61 anos. Professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ele lembra quando uma ex-colega teve de se mudar para uma casa de repouso após ficar doente. Aí percebeu a necessidade de planejar a vida como aposentado. “Será que não tem uma opção melhor para oferecer? Porque em breve isso vai se repetir com todos nós”, indagou na época.

Há cerca de um ano e meio, ele diz ter encontrado solução no modelo de cohousing (co-habitação) – vila comunitária que reúne espaços de compartilhamento de experiências. O modelo surgiu na Dinamarca e se disseminou nos Estados Unidos e Canadá. Com isso, juntou-se ao grupo de trabalho do Vila ConViver, que estuda implementar um cohousing em área de ao menos 20 mil m² no subúrbio de Campinas. O local vai abrigar, principalmente, professores aposentados da Unicamp.

“Será uma comunidade sênior solidária, de apoio mútuo”, disse Mühlen, em painel no 1.º Fórum de Moradia Para a Longevidade, correalizado nesta quinta-feira, 9, pelo Estado em parceria com o Sindicato da Habitação (Secovi) e a Aging Free Fair, feira sobre o mercado para a terceira idade. O evento teve palestrantes do setor público e privado. “Quem não tiver estratégia para o seu envelhecimento vai fazer parte da estratégia de alguém. Não preciso morar em ‘cohousing’ agora, faço escolhas completamente independentes, mas não posso deixar para decidir quando não for mais o homem que sou hoje”, explica.

Cerca de 70 pessoas participam do projeto, costurado há três anos. O custo será de cerca de R$ 400 mil por unidade, com pagamento mensal de R$ 3,5 mil. Todas as decisões serão tomadas em conjunto. “Não somos um condomínio, nossos valores não são em metros quadrados”, diz sobre a proposta, que venderá cotas em vez de títulos de propriedade e terá todas as decisões definidas em conjunto.

Com um estatuto recentemente criado, o grupo pretende formalizar juridicamente como associação de moradores ainda neste ano, que será a proprietária do imóvel. “Ainda é preliminar, estamos na iminência de comprar um terreno”, explica.

Projeto de co-habitação está sendo construído na cidade de Campinas

O ponto-chave do projeto é o convívio social e o apoio mútuo. Por isso, o professor utiliza o termo “comunidade residencial intencional”. São realizadas reuniões em que os participantes são divididos em grupos para discutir temas diversos, sinalizados com um crachá apenas com o primeiro nome. “Diferentemente de um condomínio, onde você escolhe a casa, a moradia, o preço e as facilidades, e depois vai conhecer o vizinho, a gente faz o oposto: vamos escolher os vizinhos, as pessoas que estão alinhadas com os nossos valores”, compara.

Exemplos no exterior. Também no Fórum Moradia Para a Longevidade, a arquiteta Laura Fitch fez um panorama sobre o “cohousing” na Europa e na América do Norte, onde participou da implantação de 30.

Segundo ela, fundadora da Fitch Architecture & Community Design, há cerca de 130 propriedades norte-americanas nesse modelo – que é multigeracional, mas também tem exemplos focados apenas para idosos. No caso da comunidade em que Laura vive, em Massachusetts, nos Estados Unidos, os moradores são divididos em quatro grupos, com responsabilidades específicas. “É uma escolha, mas não é uma solução”, reitera.

Laura comenta que as comunidades funcionam fora do individualismo contemporâneo, pois se constituem em um modo de vida cooperativo, que vai além da lógica de emprestar o café. Como exemplo, ela cita o caso de uma vizinha que gostava muito de animais, com a qual os demais costumavam deixar seus cães quando viajavam. Da mesma forma, outro morador que gosta de carpintaria ensinou técnicas para um menino da comunidade. Tudo sem envolver qualquer tipo de interação financeira.

Público
No evento, foram discutidos ainda outros modelos de habitação para idosos. O secretário estadual de Habitação de São Paulo, Rodrigo Garcia, o secretário municipal de Habitação, Fernando Chucre, e o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, apresentaram exemplos de projetos de moradia popular voltados especialmente para o público sênior – a exemplo do Condomínio Cidade Madura, de João Pessoa.

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No campo privado, também foram apresentados modelos residenciais para idosos, como as unidades da Brazil Senior Living, que tem 800 residentes e pacientes em São Paulo e Barueri. “Tem namoro, tem fofoca, tem senhoras competindo para saber quem está mais elegante, mas isso é vida, é melhor do que ficar em casa com a cuidadora, vendo televisão”, defende Ricardo Soares, presidente da empresa.

“Os modelos de condomínios podem atingir parcela maior dessa população (mais velha), pois é mais tradicional, em que a administração está sob responsabilidade de empresas”, disse Edgar Werblowsky, criador da Aging Free Fair, referência no debate sobre o tema. “Já o modelo de cohousing é para uma geração mais aberta e interessada em dividir a vida com amigos, por exemplo.”

Para gestores públicos, é preciso mais atenção para essa nova realidade demográfica. “O esforço é grande, mas os passos ainda são muito pequenos nessa direção”, afirma o Garcia. Segundo Chucre, iniciativas dessa área têm especificidades. “Os projetos para idosos precisam de adaptações e não podem ser implementados em todos os locais, por causa da acessibilidade principalmente.”

57 comentários

  1. Maria Celeste B Peloches

    Acho tudo de bom essa ideia. Penso nisso já há algum tempo. Pena que aí da e muito caro esse sonho. Tenho 65 e meu marido 66 e já sentimos essa realirealidade.

  2. Espero que o croqui seja ilustrativo apenas, sobrado nunca será um espaço adequado a idosos, as casas teriam que ser térreas. Lembrando que a maior causa de morte de idoso é a queda.

  3. Lucia Inês Teixeira Fernández

    Também tenho certeza que sobrados não podem ser para a tipologia adotada. Se querem viabilizar a ideia será preciso pensar em projetos que facilitem a acessibilidade e segurança. Uma ideia é minimizar o espaço privado e priorizar o coletivo( convívio, leitura, jardinagem, apoio técnico e médico, etc)

  4. A casa para um idoso não pode ter escadas e nem pequenos degraus, então sobrados são totalmente inviáveis, as portas devem ser mais largas e por aí vai. E a parte jurídica como fica ?

  5. Faz tempo que estou pensando nisso, mas minha ideia era de um edifício, com todo tipo de áreas de convívio. Até escrevi nos mínimos detalhes. Temos uma chácara e acho que ficaria lindo lá, mas agora estão urbanizado demais a área. Não sei se ali seria o lugar ideal atualmente.

  6. estou esperando a muito tempo por programas como esse,mas,eu não professora e sim advogada
    e preciso encontrar um bom ambiente como esse para vivera velhice,pois tenho 77 e sou de longe_
    vidade,poia meus pais e parentes chegaram aos 90, e não quero ficar sozinha,se souber de algo
    avise-me por favor cf-mercer@bol.com.br. ou 19 9977660580

  7. Margarete Perim (Meg)

    Tenho interesse. Por favor, me mantenha atualizada

  8. Achei ótima a iniciativa. Meu marido e eu somos professores e temos interesse no projeto. Estamos prestes a nos aposentar e gostaríamos de receber mais informações.

  9. Esta é a saída mais honrosa para se viver o envelhecimento. Uma comunidade onde as pessoas podem preservar sua individualidade, mas também podem compartilhar vivências. Tem que ter muita atividade prá ninguém ficar “esperando a morte chegar” como é o caso nos modelos atuais de “casa de repouso para terceira idade”, como se o idoso só precisasse repousar. Há muito tempo eu venho pensando neste modelo e se tiver efetivamente um em Campinas, eu gostaria muito de estar nele.Só espero que não fique fechado para professor aposentado (vale terlicenciatura mas ter aposentada em outra área?). Tem muitas outras categorias que poderão contribuir muito para a comunidade.

  10. Gostaria de partici0ar

  11. leny Aparecida Dias Barbosa

    Tenho interesse. Quero receber informações. Obrigada .

  12. Parabéns! Há muito já li sobre esse tipo de comunidade. Um projeto assim fará com as pessoas que se sintam mais felizes junto se outras que poderão compartilhar propósitos semelhantes.. Moro em Brasília, sou viúva, aposentada… Tenho dois filhos, mas eles têm o direito de viver a vida deles. Sou muito interessada nesse projeto. Solicito mais informações. Grata.

  13. Helena Flávia Castelo Branco

    Tenho interesse em saber mais sobre esse projeto.
    À primeira vista, parece ser ousado mas edificante

  14. Estou interessada sim. Sou da região de Barão Geraldo. Quero ser informada sobre o andamento do projeto. Obrigada.

  15. Tenho interesse sou professora aposentada…. tenho 57 anos e meu esposo 61…também aposentado… moramos no RS e não quero morar com meu filho e nem cuidadoras

  16. Ė uma exelente ideia.Meus pais conseguiram estar conosco até o fim, mas nós seremos diferentes.Tem pessoas optando por apart.Seria interessante que aqui na Bahia já pensassem em um projeto desse com adaptações relevantes.

  17. Selene Dora Velloso Palazzo

    Gosto dessa ideia. Tenho conhecidos nos EUA que vive em uma comunidade dessas. Creio ser essa a tendência do futuro. Gostaria de ser informada sobre os empreendimentos nesse setor para uma possível escolha num futuro breve. Sou Psicóloga e tenho 64 anos. Moro em Itanhaém – SP, e vejo esta região como um bom potencial para uma vida tranquila.

  18. Sou partidário dessas ideias,tenho um sítio de lazer muito interessante em Sorocaba sp,e sonho
    Direto em encontrar pessoas interessadas em trocar idéias para juntos construirmos um cantinho de conforto para nossa velhice,os interessados favor entrar em contato pelo número
    19 992072168,meu nome Savério Marchese,tenho a propriedade é condições de discutirmos um projeto inclusive de forma sustentável, é um assunto q me interessa muito.

  19. Também me interesso pela ideia. Sou professora em uma das unidades de ensino da Universidade e gostaria de ter mais informações.

  20. Sobrados? Já vão começar errando por aí…

  21. Gostari de participar. Sou professora aposentada. Moro em São Paulo, mas moraria em Campinas.
    Moro atualmente em sobrado. Gostaria muito que pudesse morar em casa térrea. As escadas dificultam locomoção segura.
    Meu fone 11 996870822.

  22. Lavínia Faell Coluccini

    Parabéns pela iniciativa, a tempo penso nessa moradia, sou viúva e professora aposentada, gostaria de acompanhar esse projeto.

  23. Tenho interesse nesse tipo de projeto. Embora tenha licenciatura atuo na área da administração e espero que este não seja restrito a professores. Por favor, mantenham-nos informados.

  24. Maria Olivia de Araujo

    Tenho interesse, em participar de eventos como este sobre co-habitação.
    Faço parte parte de uma associação de aposentados e gostaríamos de tratar do assunto através de palestras com com os associados.
    Grata Olivia

  25. Orlinda, aqui está o site da Associação da Unicamp: http://www.adunicamp.org.br/ E este é o telefone da Associação:(19) 3521-2470. Forte abraço e boa sorte pra você!

  26. Ana Maria Bottechia Cortes

    Tenho interesse, sou aposentada, viúva, não sou professora e moro em Campinas.

  27. Faz muito tempo que penso em organizar esse tipo de viver nossa 3°idade de forma digna em condomínio com amigos e conhecidos para não incomodar filhos e viver agradavelmente em ambiente saudável e compartilhado por pessoas que gostam de independência e individualidade sem perder o prazer do convívio social. Penso numa chácara onde cada um poderia ter seu bangalô e contar com uma grande área de convivência para alimentação e entretenimento além de contar com toda assistência…horta orgânica, pomar e tudo o mais que for possível para garantir uma convivência harmoniosa e feliz.
    Tenho interesse sim…sou viúva e tenho no mínimo 4 amigas também com o mesmo objetivo.
    Me avisem por gentileza quando tiverem mais informações sobre andamento do projeto.
    madoc54@hotmail.com
    Grata
    Mary

  28. Kátia Lúcia Miranda da Silva

    Gostaria de maiores informações. Sou professora.

  29. Somente para professores aposentados pela Unicamp?

  30. maria laura de moraes moreira

    Muito interessante. Gostaria de receber mais informações. Só para professores da Unicamp?

  31. Como disse minha filha temporona de 13 anos “tem que ser logo, né papai?”. Portanto, sugiro você começar logo, utilizando o método “bola de neve”, que, sendo adaptado para o caso de cohabitação, ou colares, nada mais é do que o seguinte: um amigo indica um outro amigo que indica outro amigo e assim por diante até formar um amontoado de amigos de amigos que, reunindo mensalmente,formará aí um grupo com sonhos domais parecidos possíveis. Depois de 2 a 3 anos de muito vinho, café de qualidade e um bom queijo mineiro artesanal acompanhando as reuniões, os “chatos e chatas de galocha” serão naturalmente convidados a ir para o espaço (como disse aquele astronauta sírio) e sair do grupo. Aí então uma “comunidade de dons”, como dizia o filósofo Rudolf Steiner, estará em condições de acontecer e, espero, sobreviver.

  32. Eu considero essas iniciativas excelentes. Aqui em Fortaleza está precisando muito que os construtores passem a ver essa ideia como uma forma de aproveitar o que os idosos podem oferecer de alegria, experiência e vontade de viver

  33. Moro em Vitoria ES

  34. Genilza de Siqueira Gomes

    Gostaria de morar assim na litoral de preferência em uma das praias paradisíacas de Maceió.

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