Cinco fatores que melhoram na vida da mulher ao envelhecer

a mulher madura tem muito mais chances de ser realizada

A mulher madura tem muito mais chances de ser realizada

Verônica Mambrini, iG São Paulo

Talvez o mais difícil seja superar a fase de negação. Mas o processo de amadurecimento traz vantagens inegáveis para a mulher que se prepara para ele. Especialistas são unânimes em afirmar que, embora haja perdas, uma atitude positiva é capaz de levar a mulher a uma fase rica de experiências novas e qualidade de vida.
O segredo é se preparar para essa fase. O corpo se transforma, sobretudo a partir do climatério, fase de transição para a menopausa, quando efetivamente se encerra a capacidade reprodutiva da mulher. “Do ponto de vista de saúde existe um risco maior de osteoporose, doenças cardíacas, hipertensão arterial e demência”, alerta o ginecologista Luciano de Melo Pompei. Em contrapartida, miomas e endometriose desaparecem ou passam a incomodar menos. “A mulher que se prepara melhor sabe que a menopausa não significa que ela está velha. Hoje mais de um terço da vida se dá pós-menopausa, são décadas”, afirma Luciano.
Veja cinco pontos em que o amadurecimento pode favorecer a mulher:

1.Solução para os desconfortos
Ela pode lançar mão de recursos que minimizam ou eliminam a grande maioria dos sintomas da menopausa e pode, também, dar adeus às mazelas femininas típicas da fase anterior, como TPM, por exemplo.

Para Pompei, novas terapias e tecnologias, como a reposição hormonal, não apenas melhoram a qualidade de vida, mas representam uma possibilidade real de controlar a maior parte dos desconfortos associados a essa fase da vida. “É possível diminuir ou eliminar esses sintomas da menopausa”, reforça. “Sabemos prevenir e tratar as doenças da velhice.” O resultado é uma geração de mais de 60 anos ativa, produtiva profissionalmente, com forte envolvimento em atividades sociais, culturais e familiares. “Na média, as que enfrentam melhor o envelhecimento também praticam mais atividades físicas e tomam cuidado para não ganhar peso em excesso”, afirma o ginecologista.

2.Foco na própria vida
Com a família criada e sem filhos demandando atenção constante, essa é a fase em que a mulher pode experimentar uma nova liberdade em relação ao tempo. “Ela foca seu desejo, prazeres e decisões nela mesma e não nos desejos e vontades de outros. A mulher passa a ter como centro o que realmente deseja para ela, e não o que os outros pensam”, afirma a antropóloga Miriam Goldenberg, que acaba de lançar o livro “Corpo, envelhecimento e felicidade”, em que discute sua tese de que a vida a partir dos 50 anos é a melhor fase da vida da mulher.

Para a gerontóloga Célia Caldas, professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro e vice-diretora da Universidade Aberta da Terceira Idade, os ganhos com a chegada da menopausa superam as perdas associadas. “Não ter mais a função biológica da reprodução é uma libertação social. A mulher pode focar sua energia criadora para outras coisas, como a transcendência”, afirma. “Há uma linha de estudiosos que afirma que esse é o momento em que a mulher consegue realmente exercitar seu poder, pela sua sabedoria, experiência de vida e autorrealização.”

3. Corpo em paz
As tensões da guerra que as mulheres travam com o próprio corpo se atenuam com os anos. A importância da batalha contra as primeiras rugas, o abdômen que parece acumular todas as sobremesas a mais ou os fios brancos é relativizada. “O corpo se torna muito mais um objeto de prazer, cuidado, bem estar e qualidade de vida do que um laboratório de experimentos em busca da juventude eterna, da magreza e da perfeição”, afirma Mirian.

Célia lembra que questões totalmente centradas no físico vão parecer perdas. “Mas isso depende também dos objetivos existenciais de cada uma. O projeto de vida de ser gostosa, bonita e seduzir é inviável na velhice. Aí não há ganho que suplante essa perda”, alerta. “Por outro lado, se você conhecer bem seu corpo e souber utilizar seus recursos, a vida sexual, embora menos intensa, é igualmente prazerosa”, afirma.

4. Hora de se divertir
Nessa fase da vida, as relações sociais e a importância de ter tempo de boa qualidade emerge com força total. “Muitas mulheres redescobrem como brincar e se divertir mais, se levar menos a sério. Aprendem a dar mais risada e ter mais diversão na vida”, afirma Miriam, que lançou o movimento das “Coroas Poderosas”, com propostas libertadoras, sobretudo com relação ao corpo. “É uma fase em que, se tiver saúde e algum dinheiro, ela pode se divertir e brincar muito mais”, afirma a antropóloga.

Amigos se tornam cada vez mais importantes. “Nessa idade, a pessoa dá muito mais valor aos amigos do que pessoas mais jovens. Ela tem mais tempo disponível para cultivar as amizades e são amizades maravilhosas. As pessoas se divertem, cada almoço e festa é um acontecimento”, afirma Célia. “Os aprendizados são muito valorizados também. A aluna dessa idade assimila conteúdos e consegue aplicar imediatamente, coisa que o jovem tem mais dificuldade de fazer”, acredita.

5.Transcendência
Nessa fase, é possível haver uma mudança de valores que foca muito mais em ganhos subjetivos. A experiência e vivência permitem que a mulher que exercita uma perspectiva otimista do amadurecimento colha os frutos da própria vida. “Aquelas que olham para detalhes como a celulite, a barriga flácida e o peito caído, sofrem com o processo de envelhecimento. Mas quem olha o todo e enxerga ganhos em termos de segurança, confiança e repertório se sente muito satisfeita com o envelhecimento”, afirma Mirian.

“Para muitas mulheres, é a melhor fase da vida”, conclui. Contudo, Célia alerta: nem todas vão conseguir fazer esse movimento de transcender limites e usufruir dessa nova etapa da vida. “Pessimistas não transcendem. Apenas quem está de bem com a vida e tem flexibilidade suficiente consegue tolerar situações difíceis ou desafios e extrair delas o melhor partido”, afirma.

Ela lembra também que, a partir da aposentadoria, a mulher pode se dedicar a atividades criativas sem necessidade de atender a demandas do mercado. “Na escala de valores da nossa sociedade, o maior valor é o trabalho e o dinheiro”, afirma. A mulher aposentada pode considerar essa parte da dívida social cumprida e aproveitar a oportunidade que se abre de realocar esses objetivos, valorizando atividades criativas, buscando fazer o que lhe dá prazer, mergulhando na busca do conhecimento ou oferecendo sua sabedoria para ajudar os outros – viver o que for valioso para ela.

11 comentários

  1. Estou a procura de minha vocação pós aposentadoria.

  2. A menopausa é libertadora!
    Um divisor de águas entre o posso e o não posso.
    Como foi muito bem dito acima é só saber conviver com ela!

  3. Estar de bem com a vida faz toda a diferença, em qualquer tempo. Mas parece que depois que entramos nos enta é mais fácil perceber isso. Acho que é porque nos conhecemos melhor e passamos a dar importância ao que realmente vale a pena.

  4. Sempre tive anseio de produzir algo, hoje aos 56 anos, estou fazendo curso de corte e costura e estou amando. Produzirei minhas roupas com meu estilo.

  5. embora já tenha passado da fase menopausa já algum tempo, percorri com bastante informação e ajuda profissional essa etapa (acho que me sai bem), hoje com 6.6 faço \SESC , tenho amigas, gosto de estar com elas, leio, ajudo meus filhos vez ou outra, curto cinema, tv, enfim via de regra estou bem, minha natureza é de ser otimista \DNA (rsrs) claro que às vezes vem a mente uma pequena insegurança com relação ao tempo, porém, logo tiro da minha mente fazendo ou pensando em coisas boas e positivas!

  6. Agora com 55 muito mais feliz, até o sexo ficou melhor

  7. Ainda não encontrei minha vocação pós aposentadoria.

  8. Ninarosa Calzavara Cardoso

    . Hoje com 63 anos, deliciosamente aposentada depois de 34 anos muito intensos na medicina e tendo criado muito bem meus dois filhos, hoje completamente autônomos, posso me permitir sem culpas curtir a vida, namorando o companheiro de 40 anos, viajando, curtindo hobbies muito queridos como o bordado e a culinária e, sobretudo lendo todos os livros que ficaram me esperando chegar até a velhice. Observo meu corpo com curiosidade, percebendo as mudanças que o tempo está deixando nele e me sinto feliz por estar viva, aproveitando a vida sem as cobranças das etapas mais jovens da vida. Envelhecer é de fato transformador! Amei esse texto! Concordo com ele em cada parágrafo!

  9. Quando estava no climaterio,me desenvolveu a síndrome do pânico,a menopausa ñ me trouxeram coisas boas.Tenho pavor da velhice,se tivesse condições entraria nas cirurgias.
    Tenho vergonha sim dos meus peitos caídos e outras coisas mais.Mas mesmo assim sou ainda uma pessoa alegre,viúva com 62 anos . hipertensa nao tenho libido há mto tempo não posso fz reposição hormonal.

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