Clarice Lispector e seu cão ganham estátuas na orla do Rio

Clarice e seu cachorro Ulisses no Leme, bairro carioca onde morou 12 anos

Clarice e seu cachorro Ulisses no Leme, bairro carioca onde morou 12 anos

A decisão de instalar uma estátua de Clarice Lispector com seu cachorro Ulisses na orla do Leme, no Rio de Janeiro, não poderia ser mais acertada. A obra do artista plastico Edgar Duvivier fica não muito longe da estátua de Carlos Drummond de Andrade, em Copacabana. E tem como objetivo homenagear a escritora, que morou no bairro carioca de 1965 até sua morte, em 1977. Clarice nasceu na Ucrânia. Mas chegou ao Brasil bem pequenina. Recife, onde ela morou na infância, há anos prestou seu tributo à escritora instalando uma estátua sua na praça Maciel Pinheiro. Clarice Lispector é um dos nossos tesouros literários.

Leia o artigo da Alana Gandra, da Agência Brasil:

A ideia de homenagear Clarice Lispector, que morou no Leme durante 12 anos, partiu da professora de literatura Teresa Monteiro, biógrafa de Clarice, e foi encampada, entre outras pessoas, pela atriz Beth Goulart, que representou a escritora no teatro. Juntas, elas fizeram um abaixo-assinado para que a estátua de Clarice, com o cachorro Ulisses, fosse erguida. “Foi um conjunto de forças, união de várias pessoas”, conta Teresa.

Quando o artista Edgar Duvivier foi convidado para esculpir a estátua, como não havia patrocínio, ele produziu 40 miniaturas de Clarice com o cachorro que foram vendidas para admiradores da escritora, conseguindo assim o dinheiro necessário. “Hoje, nós temos a estátua de Clarice e de Ulisses. Está sendo um sucesso”.

Estátua da escritora na praça Maciel Pinheiro, em Recife, em frente à casa onde morou na infância

Estátua da escritora na praça Maciel Pinheiro, em Recife, em frente à casa onde morou na infância

A professora Teresa Monteiro promoveu por nove anos o passeio guiado O Rio de Clarice, que percorria os caminhos da escritora pela cidade, da Tijuca ao Leme. No Jardim Botânico, Teresa conseguiu criar o Parque Clarice Lispector, onde os bancos homenageiam a escritora ucraniana, naturalizada brasileira, com frases de sua autoria, entre as quais “Sentada ali no banco, a gente não faz nada: fica apenas sentada deixando o mundo ser”.

Teresa mudou-se para o Leme há dois anos e pretende retomar os passeios guiados a partir de julho, após entregar à editora o livro que está finalizando sobre os caminhos de Clarice Lispector na cidade. Como a estátua é mais um incentivo, ela espera que os passeios voltem a ser frequentes. No Leme, o passeio começa na banca de jornal do Zé Leôncio, na Rua Gustavo Sampaio, 223, também conhecida como Sebo Clarice Lispector, e segue até o Caminho dos Pescadores Ted Boy Marino, onde a estátua foi colocada.

“O projeto não visa só a cultuar a memória da escritora Clarice Lispector, mas a fazer esse vínculo com a cidade, com a cidadania”, ressaltou Teresa. Para a biógrafa, a estátua da autora significa trazer cultura para as pessoas, com ações educativas. “É muito mais amplo; é o olhar do cidadão; é colaborar para a cidade ter mais arte.”

A réplica do poeta Carlos Drummond de Andrade, em Copacabana

A réplica do poeta Carlos Drummond de Andrade, em Copacabana

Nascida na Ucrânia em 1920, Clarice Lispector é considerada uma das escritoras brasileiras mais importantes do século 20. Seu primeiro romance – Perto do Coração Selvagem – foi publicado em 1944. No ano seguinte, a escritora ganhou o Prêmio Graça Aranha, da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Em 1960, publicou seu primeiro livro de contos, Laços de Família, seguido de A Legião Estrangeira e de A Paixão Segundo G. H., considerado um marco na literatura brasileira. Reconhecida pelo público e pela crítica, em 1976, recebeu o prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal, pelo conjunto de sua obra. No ano seguinte, publicou A Hora da Estrela, seu último romance, que foi adaptado para o cinema, em 1985. Clarice Lispector morreu de câncer, na véspera de seu aniversário de 57 anos.

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