Com câncer, ela dispensa tratamento: Estou pronta para morrer

Professora Ana Bea, 60, com a neta, Clara, seis anos

Maya Santana, 50emais

Eu achei essa história tão extraordinária que decidi postar aqui no 50emais. Depois de diagnosticada com um câncer em estágio terminal, há pouco mais de um ano, uma professora gaúcha, 60 anos, tomou talvez a decisão mais importante de sua vida: comunicou aos médicos que não se submeteria a qualquer tipo de tratamento, enfrentaria de peito aberto o seu próprio destino. E assim vem fazendo, como conta essa reportagem de Adriana Dias Lopes, com fotos de Egberto Nogueira, publicada pela Veja.

Leia:

Em setembro de 2016, a professora gaúcha Ana Beatriz Cerisara fora internada para reverter uma colostomia, procedimento usado para a eliminação de fezes em uma bolsa. Ana Bea, como é carinhosamente conhecida, queria livrar-se do incômodo saco de plástico que trazia no corpo havia nove meses. Ao acordar da cirurgia, ouviu do médico que teria de continuar com o dispositivo, mas esse seria o menor de seus problemas. Incapaz de dizer as palavras certas, o cirurgião preferiu, então, entregar-lhe um pedacinho de papel, onde se lia o seguinte: Três lesões invasivas no intestino.” Ele havia detectado durante a operação três cânceres no intestino, uma quantidade raríssima de aparecer no mesmo órgão. Quimio terapia, radioterapia ou medicamentos pouco adiantariam. Uma cirurgia seria o tratamento possível, mas poderia resultar na retirada quase total do intestino. Nesse caso, Ana Bea passaria a se alimentar por via artificial pelo resto da vida.

Ana Bea e a proximidade da morte: “Está tudo certo, já tive muito mais do que esperava”

Foi quando ela tomou a decisão que mudaria tudo: resolveu, ali mesmo, que não se submeteria a nenhuma cirurgia e deixaria a vida continuar seu curso natural. Ana Bea estava com 60 anos. Saiu do hospital de luto pela própria morte, mas reconfortada. “A decisão de abrir mão da cirurgia me deu calma”, conta ela, que conseguiu enxergar sua finitude com serenidade. “Estou pronta para morrer. Não estou desistindo. Apenas não quero ficar viva a qualquer preço.” Naquele setembro de 2016, Ana Bea ouviu dos médicos que, sem tratamento, teria até dois anos de sobrevida. Depois de saber disso, ela deixou o hospital sem dores nem cansaço. O cabelo brilhava. A pele estava viçosa. Convivia com a contradição de ter um corpo vigoroso, mas silenciosamente tomado para um câncer vital.

Sua primeira providência foi cercar-se de informações sobre casos de pessoas que recusam tratamentos. Só encontrou algo semelhante em doentes já no leito de morte. Matriculou-se, então, em um curso que chegara à cidade em que mora, Florianópolis, com orientações sobre como lidar com a dor da perda de pessoas próximas, o Conversas sobre a Morte, do Humana Palavra. Nos minutos iniciais da primeira aula, os alunos tinham de explicar o motivo que os levara até ali. “A morte de um filho? Do pai, da mãe, de um amigo?” Ao chegar sua vez, Ana Bea disse: “Preciso t
aprender a morrer.” Os 30 alunos presentes emudeceram diante da frase inusitada. A criadora do curso, a geriatra Ana Cláudia Quintana Arantes, médica da Casa do Cuidar, respondeu: “Há um aspecto muito especial em sua situação. É na percepção da morte que temos a real oportunidade de ser o que de fato gostaríamos de ter sido.”

Geriatra Ana Cláudia Quintana Arantes, médica da Casa do Cuidar

Ana Bea não fez coisas extraordinária, como uma viagem exótica para um país distante. Nos primeiros meses pós-diagnóstico, ficou em sua casa em cujo terreno, nos fundos, mora o seu filho, Cauê, de 36 anos, sua nora, Ana Carolina, e sua neta, Clara, de seis anos, para quem “a vovó vai virar uma estrelinha no céu”. Ana Bea cuidou do jardim e mudou de ares: renovou o que pode, coloriu, enfeitou. Espalhou orquídeas pela sala. Encapou o sofá com um tecido roxo, que lhe pareceu alegre. Pintou de verde as paredes do escritório. Encheu três caixas com livros e os doou. Arrumou o material de costura em potes. Usou as economias para realizar um sonho sempre adiado, ter um carro zero-quilômetro. Passou a comprar à vista ou, no máximo, em três prestações, não mais do que isso. Reformou os armários tomados por cupins. A casa ficou bonita, com tudo no lugar. “Precisava ter a sensação de vida organizada.” Não fiz isso pelos outros, mas para agradar a mim mesma”, diz. Embora possa parecer banal, é disto que as pessoas mais se arrependem quando recebem a notícia de uma doença incurável: ter feito tudo para agradar os outros, e não a si mesmas, como relata o livro Antes de Partir, da enfermeira australiana Bronnie Ware. Clique aqui para ler mais.

Veja Ana Bea aqui:

A mulher que decidiu enfrentar um câncer agressivo sem tratamento

A história de Ana Beatriz Cerisara, que tomou a extraordinária decisão de não se submeter a tratamentos para enfrentar um câncer em estágio terminal abr.ai/2AyRrn4

Publicado por VEJA em Domingo, 17 de dezembro de 2017

8 comentários

  1. Sempre pensei desta forma. Viver por viver não tem sentido p mim. Concordo plenamente com ela e faria exatamente o mesmo.

  2. Admiração pela coragem de encarar a morte com aceitação.
    A maioria agiria com revolta e tristeza.E recorreriam a tudo para viver mais tempo.
    A verdade é que muitos fazem tudo o que está ao alcance,mas,mesmo assim,sucumbem quando o diagnóstico é duro.
    Aproveite,Ana.
    O importante é a qualidade e não a quantidade.

  3. Muito, muito bom. Esta atitude compreensivelmente rara deveria ser a tônica. Muito bom.Viva a morte! Viva a v ida!!!

  4. Eu também faria o mesmo q ela. O importante é a qualidade de tempo e aproveitar essa fase.

  5. Durante dezoito anos aquela mulher encurvada estava todas as semanas no templo, ouvindo as pregações, louvando, ofertando e sacrificando, mas sem nenhuma solução para o seu problema. Hoje temos muitos vivendo como essa mulher: vida pessimista, encurvada, oprimida por cargas e fracassos durante anos.

    O versículo 12 nos diz que Jesus viu aquela mulher. As mulheres na sinagoga ocupavam os últimos lugares, elas não adoravam junto com os homens, havia uma cortina que separava, mas Jesus a viu, chamou-a e liberou uma Palavra de Autoridade contra o espírito de enfermidade que a atormentava, e logo em seguida tocou-a e ela se endireitou e glorificava a Deus. O Mestre a contemplou nos últimos bancos, na ala das mulheres, sentiu compaixão pela dor daquela mulher, parou tudo, e chamou-a para frente, a ala dos homens, quebrando totalmente o protocolo da tradição e diante de todos libertou-a de todo o tormento.

    Deus nos deu um espírito de vida e não de enfermidade.

  6. Um grande exemplo de coragem, de lucidez e principalmente de aceitação. Que ainda ela tenha muito tempo para viver nessa plenitude que a possibilidade da morte provocou.

  7. Eu recebi a msg com sua história através de uma grande amiga nome Marisa de São Paulo. Gostaria de passar uma informação que eu li e anotei em minha agenda. O assunto é CÂNCER NÃO EXISTE! Veja Dr. Harold W. Manner . Te Mandei Who cure câncer natural Health Mother.

    http://www.motherearthnws. com VOCÊ IRÁ CONHECER ARTIGO CIENTÍFICO QUE DIZ: O CÂNCER NÃO É UMA DOENÇA E SIM UM NEGÓCIO.

  8. Exemplo de coragem com a serenidade da aceitação. Parabéns Ana! Viva feliz o seu tempo presente e que tb nos presenteia!

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