Com mais de 50: Eu me sinto melhor hoje do que décadas atrás

Nereida Manzoli: Se for para buscar algo da minha infância que pode ter influenciado em hoje eu ser uma pessoa que se preocupa com a aparência, talvez seja o fato de eu ter sofrido bullying

Nereida Manzoli: Se for para buscar algo da minha infância que pode ter influenciado em hoje eu ser uma pessoa que se preocupa com a aparência, talvez seja o fato de eu ter sofrido bullying

Maya Santana, 50emais

Achei bom ler este depoimento da empresária gaúcha Nereida Manzoli, 57 anos, sobre como vê o seu próprio envelhecimento. Ela conta, em depoimento à revista Donna, que não cuidava muito em si mesma até ter um câncer e conseguir vencê-lo: “Eu pensei: “Saí vitoriosa. Quer saber de uma coisa? Vou é cuidar mais de mim”. Hoje, segue uma rotina de muitos exercícios e não fica sempre atenta à alimentação. “Aqui e ali, a gente percebe a passagem do tempo. A hora de abandonar um determinado tipo de cabelo. O dia em que não dá mais para usar um vestido de determinado comprimento. Paciência. O bom de amadurecer é que a gente vai se preocupando menos com o que não dá pra solucionar”, diz Nereida.

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“É curioso pensar sobre isso, porque eu não era uma criança vaidosa. E também não era uma adolescente muito vaidosa. Se hoje tenho 57 anos, era guria no final da década de 1970. Então, ainda pegava um pouco daquele estilo meio despojado, meio hippie.

Se for para buscar algo da minha infância que pode ter influenciado em hoje eu ser uma pessoa que se preocupa com a aparência, talvez seja o fato de eu ter sofrido bullying. Isso quando a palavra ainda nem existia, né? Lembro que o meu pai começou do nada, e demorou para nós construirmos uma boa condição financeira. Mas ele fazia questão de priorizar que eu estudasse em um colégio particular. Ao longo da semana, tudo bem, porque nós usávamos uniforme. Mas, aos sábados, a gente podia ir com a roupa que quisesse. E aí as outras meninas riam de mim. Talvez, agora, quando tenho a oportunidade, faça mais questão de me cuidar.

E outro fato marcante é que eu havia passado bastante tempo sem prestar atenção em mim. Primeiro porque não precisava mesmo, era uma moça. Depois, por estar muito focada nos meus dois filhos. Só que então, aos 35 anos, eu tive um câncer de mama. E, por mais que tenha dado tudo certo, que tenha recuperado o cabelo, refeito os seios e tudo mais, bate fundo a gente se ver mal fisicamente. Eu pensei: “Saí vitoriosa. Quer saber de uma coisa? Vou é cuidar mais de mim”.

Foi ali que comecei a fazer ginástica todos os dias de semana, por exemplo. Quando falho um, vou aos sábados. A me maquiar, a me vestir melhor, a pintar o cabelo… E cabelo eu preciso fazer o retoque da raiz a cada 15 dias. Não é fácil, mas não vou ganhar 10 anos assim de graça (risos). Também, não julgo. Se tem algo que meus pais me ensinaram bem é que ninguém é melhor do que ninguém. Mas eu, de cabelo branco, nem pensar.

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Seria convencida se dissesse que me considero bonita. Mas me considero uma mulher segura, charmosa… É evidente que todo mundo tem algo no seu corpo que gostaria que fosse diferente. Eu, por exemplo, acho que herdei da minha mãe um pouco da flacidez nas pernas. Mas fazer o que, né? Ginástica e, agora, essa carboxiterapia, que dá bom resultado. É com agulhas, então dói mais na pele do que no bolso (risos).

Acho que mais do que envelhecer, as pessoas temem se tornar invisíveis. Para um relacionamento, por exemplo. Sou divorciada e tenho um namorado há cinco anos, viúvo e um pouco mais novo do que eu. Isso para mim é um estímulo para me cuidar ainda mais.

Mas a gente tenta – e acho que consigo – não se estressar demais com idade. Plástica, por exemplo, a gente fica tentada a fazer, mas acho um risco. Por ora, só aproveitei para mexer nas pálpebras quando tive de refazer as próteses dos seios, 10 anos depois do câncer. Mas quem tem dinheiro começa a fazer, depois vicia e não consegue parar. Tipo Michael Jackson, né? Já está bonitinho, para! Aí gostou e foi mexer mais…

Além disso, a vida mudou muito, né? Os 50 e poucos anos de hoje são os 30 e poucos de outros tempos. Acho um exagero isso de considerar idosos a partir de 60 anos. Ora, idosa. Uma mulher de recém 60 anos não podendo ficar em fila de supermercado? Ah, não concordo!

Aqui e ali, a gente percebe a passagem do tempo. A hora de abandonar um determinado tipo de cabelo. O dia em que não dá mais para usar um vestido de determinado comprimento. Paciência. O bom de amadurecer é que a gente vai se preocupando menos com o que não dá pra solucionar. E digo mais: tanto física quanto mentalmente, eu me sinto melhor hoje do que décadas atrás. Acho que, quando nós somos jovens, perdemos tanto tempo ficando ansiosas e inseguras com bobagem. Hoje, minha vida é muito mais simples. O que eu quero ser, e disso não abro mão, é o melhor de mim.”

Um comentário

  1. DIJANE MARIA SILVA RAMOS

    Amei o Texto! Uma boa reflexão , tenho 57 anos e preciso me priorizar, bjs

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