Como um idoso pode se proteger de fraudes e golpes financeiros

Leny Paiva foi vítima de abuso do próprio banco

Leny Paiva foi vítima de abuso do próprio banco

Maya Santana, 50emais

Gente sem escrúpulos pode fazer qualquer coisa, inclusive mostrar a sua face mais covarde, se aproveitando de pessoas que não têm meios para se defender. Nesta época de crise, principalmente, eles estão soltos por aí, à procura de sua vítima. E as pessoas mais velhas, mais vulneráveis, podem ser alvo fácil, porque não conhecem direito a tecnologia, muitas vezes, a visão está fraca e quase sempre confiam na boa fé dos outros. Um estudo do Serasa, publicado recentemente, mostrou que pessoas com mais de 60 anos são as mais visadas pelos golpistas. Daí a importância de prestar atenção neste artigo de Mariza Tavares “Roteiro para proteger seu dinheiro de fraudes e de golpistas”, publicado no portal G1:

Leia:

Não é demais repetir: é preciso estar sempre atento em relação a dinheiro, e em todas as frentes possíveis. De acordo com dados divulgados no Congresso Mundial de Geriatria e Gerontologia, ocorrido entre 23 e 27 de julho, um em cada 18 idosos, mesmo sem problemas cognitivos, é vítima de algum tipo de fraude financeira. Golpistas ficam de olho na aposentadoria e na poupança que a pessoa possa ter guardado durante a vida. Se o indivíduo estiver nos primeiros estágios de demência, pode tomar decisões desastrosas – trata-se de um “custo oculto” de enfermidades como o Alzheimer. Pesquisa realizada pela fundação americana National Endowment for Financial Education mostrou que 47% deixam de pagar as contas, ou fazem o pagamento com atraso; 35% realizam compras imprudentes ou desnecessárias; e 21% acabam com suas economias.

Para se proteger – e abrir o olho dos amigos e parentes – confira os golpes mais comuns:

1) Produtos antienvelhecimento falsos: justamente porque vivemos numa sociedade que endeusa a juventude, pessoas mais velhas podem ser atraídas por anúncios que prometem milagres de rejuvenescimento, com risco para a saúde.

2) Telemarketing de araque: golpe antigo e recorrente, no qual os bandidos fingem vender produtos que nunca são entregues. De posse dos dados da pessoa, podem ampliar o prejuízo usando essas informações.

3) Fraudes na internet: elas têm se multiplicado vertiginosamente. Pode ser uma janela que aparece na tela do computador simulando um programa para fazer uma varredura contra vírus – não clique, ok? Ou uma mensagem que parece vir do seu banco, da Receita Federal ou outra empresa conhecida, mas cujo objetivo é ter acesso a seus dados.

4) Planos de investimento e contos da carochinha: Bernie Madoff foi parar na cadeia nos Estados Unidos, mas ainda há outras pirâmides financeiras por aí. O roteiro é óbvio, com a promessa de um retorno acima de qualquer expectativa. E até hoje ainda circulam contos da carochinha nos quais um desconhecido herdou uma fortuna na África e procura um “parceiro” para ajudar na retirada do dinheiro…

5) Netos de mentira em apuros: é uma variante do golpe do falso sequestro. Alguém telefona perguntando: “adivinhe quem está falando, vô/vó?”. Se a vítima morder a isca, dando um nome, baixará a guarda para ajudar um falso neto/neta com um depósito ou outro tipo de socorro financeiro. E é claro que a senha para garantir o sigilo será: “não conte nada para meus pais, se não eles vão brigar comigo”.

6) Parentes que são serpentes: o mal, com frequência, é causado por gente próxima. Na verdade, a maior parte dos abusos é praticada por filhos, seguidos por netos e sobrinhos. Pode ser um empréstimo que nunca será pago, apropriação dos cartões do idoso, ou surrupiar o dinheiro sem dor na consciência.

O que fazer para evitar a fraude ou se desconfiar que uma está em andamento:

1) Se for procurado com algum tipo de oferta, exija que a proposta seja enviada por escrito. Avise que não toma decisões apressadamente e peça dados do seu interlocutor: nome, endereço da empresa, identidade, enfim, mostre que está atento, o que fará o outro desistir se tiver más intenções.

2) Instale antivírus em seu computador, proteja sua caixa de mensagens com um antispam e elimine e-mails desconhecidos. Não anote senhas em locais óbvios (como agendas).

3) Confira regularmente seu saldo bancário e extratos de rendimentos. Em hipótese alguma dê informações pessoais ou financeiras por telefone, a menos que você mesmo tenha procurado o serviço. Considere a hipótese de ter alguém de confiança para ajudar neste monitoramento.

4) Os sinais mais evidentes de que algo de errado pode estar acontecendo com um ente querido:
a) Ele começa a apresentar comportamento confuso ou demonstra medo.
b) Há saques atípicos na conta corrente ou uso do cartão de crédito por terceiros.
c) Contas deixam de ser pagas apesar de a pessoa ter renda.
d) Quem cuida do idoso dificulta o acesso a ele.

No momento em que se der conta de que está presenciando ou vivendo uma situação de abuso, entre em contato com o banco ou a operadora de cartões, fazendo os cancelamentos necessários. Não tenha medo ou vergonha de falar sobre isso com alguém em quem confie, você não está sozinho.

Banco também abusa
Aproveitando as debilidades do idoso, o banco também pode abusar. Veja este caso que pincei de um artigo de Maria Clara Prates publicado pelo jornal Estado de Minas: “Leny Paiva de Oliveira se viu obrigada a passar um mês sem um centavo porque o banco fez uma aplicação com o dinheiro dela sem autorização. E mais, ainda comprou um título de capitalização em nome dela por três anos no valor de R$ 3 mil. “Moro sozinha e ajudo no que passo a família, portanto, a partir disso tive dias muitos difíceis!”, conta. Os dessabores de Leny com o banco não ficaram só nisso. Ela teve sua conta transferida da avenida Antônio Carlos, na Pampulha, para a Cidade Administrativa, em Vespasiano, sem qualquer aviso-prévio. “Há anos eu recebo a pensão de meu marido e meu salário na agência próxima de minha casa e o banco mudou sem me avisar. Eu tenho o direito de escolher”, diz Leny, que pediu socorro ao Procon-MG.

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2 comentários

  1. Esqueceram de mencionar o golpe do casamento Homens que se aproximam de mulheres solitarias mas com boa situação financeira e esperam 5 anos para dar o golpe e dizem ter direitos!.onde está a justiça? Protege os pilantras que ainda pedem pensão.

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