Condomínios, repúblicas e vilas diversificam moradia para idosos

Daura Silva, de 81 anos, em sua casa na Cidade Madura, em João Pessoa

Maya Santana, 50emais

Mais um artigo mostrando a necessidade de um programa nacional de habitação para pessoas que passaram dos 60 anos, já que o número de velhos no Brasil cresce rapidamente. Tem havido várias iniciativas nesse sentido por parte de governos estaduais – como a Cidade Madura, na Paraíba – e municipais – Como a Vila dos Idosos, no bairro Vila Pari, em São Paulo. Há vários outros projetos em andamento no país, inclusive um dos funcionários e professores aposentados da Universidade Estadual de Campinas(SP). Mas o quadro ainda está longe de atender ao contingente de idosos que necessitam de um lugar para morar.

Leia o artigo de Guilherme Mendes, Marcelo Hermsdorf e Natália Oliveira, do Estadão:

A ausência de políticas habitacionais voltadas para o idoso em escala nacional fez surgirem iniciativas nas esferas municipais e estaduais. Focados em um perfil de idoso que tem autonomia para morar sozinho e não precisa de tanta assistência, projetos de condomínios, repúblicas e vilas começam a surgir no País. É o caso do programa Cidade Madura, do governo estadual da Paraíba e considerado referência em moradia pública para idosos, da Vila do Pari, em São Paulo, e das repúblicas municipais, em Santos (SP).

Pioneira no Brasil, a iniciativa do governo paraibano consiste em condomínios exclusivos para pessoas com mais de 60 anos. O projeto foi criado para atender idosos de baixa renda com autonomia para viverem sozinhos ou com um cônjuge. Dos 49 moradores, a maioria vive sozinha, como Daura Silva, de 81 anos. “A gente faz comida uma para outra, se encontra no redário, bate papo, fala besteira. É uma alegria muito grande.” O apartamento em que ela vive tem 54m² e apenas um quarto, mas dona Daura conta que é muito seguro e adaptado. “O banheiro é grande, tem barras de proteção e banco no boxe.” Mas o que ela mais gosta são as atividades propostas por grupos de universidades. “As meninas botam todo mundo para dançar, fazem jogos, todo muito se diverte.”

Além das adaptações feitas nos apartamentos, o Cidade Madura preza pela socialização. Para isso, os condomínios contam com academias para idosos, pistas de caminhada, sala de computadores, redário, uma horta e até um centro de saúde. A professora de psicologia da UFRJ, Lúcia Novais, afirma que a troca com pessoas da mesma faixa-etária é importante para autoestima do idoso. “Os limites ficam menores, na medida em que são compartilhados.”

Quatro condomínios já foram entregues – João Pessoa, Campina Grande, Cajazeiras e Guarabira -, um quinto empreendimento está sendo finalizado na cidade de Souza e um sexto projeto está em fase de licitação. “Eu procurei por diversas vezes a Caixa Econômica Federal para tentar um financiamento, mas não houve interesse”, queixa-se o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho. A principal diferença entre o Cidade Madura e os demais programas habitacionais é que o governo estadual apenas transfere o usufruto do imóvel ao idoso selecionado para que ele viva ali enquanto for independente. “Se nós fossemos dar o imóvel, a política para pessoas idosas acabaria na próxima geração”, explica Coutinho.

A arquiteta Lívia Miranda, professora da Universidade Federal de Campina Grande, aprova a iniciativa e diz que o programa é muito bem visto pela opinião pública na Paraíba. O risco, alerta, é que empreendimentos exclusivos para idosos impedem que eles convivam com a diversidade. “Além da moradia, o estado entra com serviços essenciais como saúde e assistência. O lado ruim é que você acaba criando guetos”, diz a urbanista.

Outro problema que ela identifica no Cidade Madura é a distância dos condomínios dos grandes centros, comum em programas habitacionais. Lívia recomenda mais atenção a essa questão quando se trata de políticas para idosos. Dona Daura, por exemplo, pega dois ônibus até o Clube da Pessoa Idosa, em Cabo Branco, onde tem aulas de trabalhos manuais. “Levo no mínimo uma hora até lá e vou quase todos os dias.”

Pari – Mantida há dez anos pela Prefeitura de São Paulo, a Vila dos Idosos reúne dois milhões de pessoais com mais de 60 anos na maior cidade do País. São 57 apartamentos de 42m² e um dormitório, além de 88 quitinetes de 30m². Os moradores são aposentados com renda entre um e três salários mínimos. Mensalmente, os inquilinos pagam o equivalente a 10% do seu salário, além de uma taxa simbólica de condomínio de R$ 35, o que garante o funcionamento de elevadores, segurança 24h e uma academia ao ar livre.

“A prefeitura cedeu o terreno, que era usado para ensaio de uma escola de samba”, explica Olga Luisa León de Quiroga, presidente do Grupo de Articulação para a Moradia do Idoso na Capital (Garmic). As negociações, que começaram na gestão da prefeita Marta Suplicy (PT à época), atravessaram o mandato de José Serra (PSDB) e só foram concluídas no governo de Gilberto Kassab (PSD). A obra, que custou R$ 4,7 milhões em 2007, recebeu idosos de diversos bairros, inclusive dos edifícios São Vito e Mercúrio recém-desocupados pelo poder público na região central.

“Este condomínio preza muito pela independência do idoso”, explica a aposentada Neide Duque Silva, que mora sozinha em um dos apartamentos no primeiro andar. “Há alguns com problemas de mobilidade aqui, mas cada um tem a sua vida”, diz a moradora de 74 anos. Maria Aparecida Damato Costa, que vive em uma quitinete no segundo andar, tem 72 anos e elogia o condomínio. “É um cantinho gostoso, sossegado. É quase um paraíso para nós.” Clique aqui para ler mais.

2 comentários

  1. Adoreiiii..Um sonho de minha vida!Ainda em João Pessoa!

  2. Bom dia!

    Excelente! Projetos como esse deveriam ser divulgado nos veículos de comunicação do Brasil, nos programas sociais de TV’s.

    Para que outros governos sigam o exemplo é implemente em seus estados e municípios,,

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