Curso gratuito é criado especialmente para quem cuida de idoso

Cláudia, enfermeira, Márcia, psicóloga, e Elizabeth, especialista em gerontologia: idealizadoras do curso

Ana Maria Cavalcanti, 50emais

Você tem uma pessoa idosa morando na sua casa, algum dos pais ou dos avós? Quando ele ou ela engasga você sabe o que fazer? E se caísse e perdesse a consciência, você saberia qual providência tomar, ou acha que se deixaria levar pelo nervosismo, gritando, chorando e chamando o vizinho? A verdade é que a maioria das pessoas não sabe o que fazer. A boa notícia é que há muitos cursos no Brasil que ensinam como lidar com situações como essas. O 50emais acompanhou um desses cursos, que a empresa Apoio realiza na Câmara Municipal de São Paulo. O curso, gratuito, é muito recomendado. Conversamos com uma de suas idealizadoras, a enfermeira Claudia Vallone Silva, 56, especialista em Epidemiologia, que trabalhou no Hospital Albert Einstein durante 33 anos.

50emais – Como surgiu este grupo de apoio ao idoso?
Cláudia – O curso Boas Práticas a Atenção à Pessoa Idosa surgiu de uma necessidade da Beth (Maria Elizabeth Bueno Vasconcellos, psicóloga e uma das idealizadoras do curso), pois em 2009 o pai dela sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que comprometeu seu lado direito, sua visão e sua fala. Diante desta situação a família acabou assumindo papéis que não estavam preparadas. Tiveram que contratar profissionais especializados como fonoaudiólogos e fisioterapeutas e o cuidado direto do dia a dia, ficou por conta dos familiares.

Participantes recebem manual

Em 2011 realizamos o primeiro curso na Coordenadoria do Idoso na Secretaria de Participação em parceira com a Prefeitura de São Paulo. Em 2012 conhecemos nossos anjos da guarda, Vereador Gilberto Natalini e sua assessora Luciana Feldman. Eles acreditaram que o projeto podia beneficiar muitas pessoas, tanto idosos quanto os próprios cuidadores. Permitiram-nos realizar o curso na Câmara Municipal de São Paulo, o que possibilitou abranger mais pessoas. Atualmente, estamos com uma empresa que patrocina o curso. Isso nos permitiu elaborar um manual bastante rico, fornecido para todos os participantes.

50emais – E quais são os tópicos desse manual?
Cláudia – O envelhecimento e suas consequências para a saúde, doenças mais frequentes, primeiros socorros em caso de acidentes, alimentação, segurança dentro de casa, banhos no leito, cuidados com a urina e excreção, quedas, lazer, AVCs, Doença de Parkinson, Alzheimer, deficiência visual, como administrar conflitos, entre outros assuntos.

50emais – Quantas pessoas participam do curso de cada vez?
Cláudia – Hoje, estamos atendendo um grupo de 100 participantes por turma. O curso é de capacitação e tem duração de 8 horas. Fornecemos um certificado e uma apostila elaborada com todo carinho para que as pessoas possam acompanhar melhor o conteúdo do curso. Somos três: eu, Maria Elizabeth Bueno Vasconcellos, psicóloga, gerontóloga e pedagoga, e Márcia Chorro, psicóloga com muita experiência em recursos humanos, trabalho com dinâmica de grupo. O curso é ministrado há cinco anos, na Câmara Municipal, uma vez por mês – de março a junho e de agosto a novembro.

50emais – As pessoas que fazem o curso são em sua maioria gente que tem um idoso em casa ou cuidadores que querem se aprimorar?
Cláudia – Atualmente, há uma mescla entre cuidadores familiares, cuidadores formais que já estão trabalhando, cuidadores formais que querem se atualizar para buscar outro trabalho, pessoas que querem entrar na profissão, alunos de faculdade de gerontologia ou enfermagem, psicólogos, educadores físicos, e outros.

Os cursos, com duração de oito horas, ficam sempre lotados

50emais – Para você, qual é o principal problema em se cuidar de um idoso?
Claúdia – Cuidar de uma pessoa diariamente compreende vários desafios. O trabalho é cansativo, repetitivo, envolve a compreensão de algumas doenças e suas limitações, a aceitação de hábitos diferentes dos seus (em caso de cuidadores contratados) e muitas vezes não há valorização do trabalho realizado. Algumas vezes, não há o apoio da família.

50emais – Durante o curso, notei que vocês também dão muita ênfase ao lazer. Por que é tão importante?
Cláudia – O idoso deve ter uma rotina rica em atividades, pois estes estímulos podem reduzir uma possível depressão, reduzir perdas da condição cognitiva, movimentos, vontade de viver, etc. A convivência com outras pessoas é fundamental. Podem acontecer entre a família ou em ambientes sociais como clubes, centros de convivência, pessoas da vizinhança, etc. Já me emocionei muito com os depoimentos dos participantes do curso que sofrem por ter que cuidar de um pai, uma mãe que muitas vezes não os reconhece mais, mas sentem-se envergonhados, por estar dando “trabalho” para o familiar. Ao cuidar, filhos trocam de papéis com os pais e esta situação tem um impacto psicológico muito grande na família toda. Ambos os lados precisam aprender a viver com esta realidade.

Próximo curso
O curso será ministrado na Câmara Municipal de São Paulo, no próximo dia 30 de novembro. Para se inscrever e obter mais informações, acesse o site da Apoio http://www.apoiosaudebemestar.com.br

6 comentários

  1. Luzia Fatima Aguieiras

    Gostaria de saber se tem no Rio de Janeiro.Obrigada.

  2. Gratificante fazer parte desse trabalho; fazer parte da APOIO, mas, o melhor é ver o sorriso no rosto de quem participa.
    Parabéns pela estruturação da matéria.
    Gratidão.

  3. AS CRIADORAS DO CURSO SÃO REALMENTE MUITO COMPETENTES. É SEMPRE UM PRAZER CONHECER GENTE ASSIM

  4. Todo mês faço este curso e sempre me surpreendo com o conteúdo que é apresentado.Cada curso uma nova informação e um melhor aprendizado.Estas três,são muito dedicadas no que fazem.Super competentes!!Parabéns minhas mestras!!!

  5. Gostaria de saber se tem algum curso parecido em Porto Alegre/RS, pois gostaria muito de participar.

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