Depois dos 60, ainda dá tempo de estudar, amar e reaprender

Valéria Cabral, 62, viúva, participa de intensa vida social

Maya Santana, 50emais

Amanda Ferreira e Marília Padovan, do Correio Braziliense, fizeram essa longa e estimulante reportagem sobre pessoas mais velhas que desenvolveram seus próprios projetos de vida depois da aposentadoria. São todos casos de gente que envelhece bem, pois não se deixou abater pelos melindres da idade nem pelas perdas ao longo do caminho. Isabel Cabral, 62, é uma delas. Tornou-se viuva há alguns anos e encontrou meios para seguir em frente. Guimarães Rosa dizia que o que a vida pede de nós é “coragem”. E isso parece que Isabel tem de sobra.

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O riso frouxo e o jeito de menina escondem os 62 anos bem vividos de Valéria Cabral. Quem a vê dificilmente imagina que, há cinco anos, após o falecimento do marido, ela teria que se reinventar e reaprender a viver sozinha. Foi preciso que essa senhora de alma muito jovem superasse a timidez e enfrentasse a nova rotina com força e alegria. Agora, ela se divide entre a academia, os passeios e as viagens com as amigas. Tudo isso, sem faltar tempo para colorir os lábios e providenciar um belo penteado.

Para quem antes tinha o costume de ter o marido sempre por perto e sequer se imaginava sozinha, foi um choque encarar o mundo sem a companhia do amado. “Passei os primeiros 10 meses muito para baixo. Todos os planos que tínhamos não seriam mais possíveis e não sabia por onde começar”, conta. Hoje, com o incentivo dos três filhos já crescidos, Valéria tem como grande paixão conhecer o mundo: pelo menos uma vez por ano, a viagem com os amigos está garantida. “Já fomos para a Croácia, a Itália e o próximo destino é o Alasca. Somos todos aposentados, temos independência financeira e tempo livre. Tudo fica mais fácil.”

Durante a vida, Valéria teve amigos, mas nunca companheiros como hoje. Casou-se cedo e se dedicou ao cuidado da família, mas, agora tem a oportunidade de desfrutar novas amizades. Tudo isso graças ao grupo de amigas do trabalho com as quais estreitou relações e conquistou um espaço na vida pessoal delas. São raros os dias em que elas não se encontram e as programações atendem a todos os gostos: cinema, teatro, café e shows. Felicidade também tem de sobra! “Eu tenho uma alegria de viver que ninguém imagina. Eu me sinto muito feliz. Eu não tomo nem um remédio e minha mente é muito jovem. Estou em uma fase ótima da minha vida e tenho consciência de que é a nossa cabeça que nos guia”, celebra Valéria.

A aposentadoria foi mais um motivo para tanto tempo livre, com poucas obrigações. Assim, foi necessário preencher o vazio da rotina fora do trabalho com coisas que lhe trouxessem satisfação. Valéria apostou no inglês e no francês. Ela faz parte da taxa de 14,6% de pessoas com 60 anos ou mais no país que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), são pertencentes ao chamado grupo da terceira idade. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em Brasília, eles representam 11,2% da população, um número equivalente a 339 mil pessoas.

A psicóloga Socorro Torres acredita que, muitas vezes, não estamos tão preparados para a aposentadoria. Enquanto está no trabalho, há uma enorme energia direcionada para aquilo. Quando não existe mais essa obrigação, ainda há muita disposição, mas, dessa vez, sem um foco para guiar-nos. A partir daí, segundo a especialista, muitas portas são abertas para a depressão, para a ansiedade ou para outras doenças oportunistas. “As pessoas têm a ideia de que a terceira idade os condena ao sofá e à tevê, mas não precisa ser assim. Temos de entender que é uma nova fase e que, primeiramente, é preciso estar aberto para aquilo que ela tem a oferecer”, recomenda.

Socorro ressalta que é de importância vital manter laços com novas pessoas e ser ativo. “No trabalho, é comum vincularmos amizades com a vida profissional. Quando termina, notamos que não nos programamos para a vida fora dali”, diz. De acordo com a profissional, ter a oportunidade de conviver em grupo com pessoas da mesma idade possibilita a troca de experiências que antes eram desconhecidas. “É momento de dar continuidade a coisas que são deixadas de lado por causa de trabalho ou filhos, por exemplo”, aconselha.

Joana dos Santos, 62 anos, está tendo aulas de inglês e de teclado

Muita coisa mudou desde que era nova. Joana dos Santos, 62, vivia para trabalhar e criar os filhos. A vontade de aprender e conhecer as coisas que o mundo tinha a oferecer sempre foi enorme, mas lhe faltava tempo. Aos 50 anos, a chegada de uma pequena depressão a fez notar que era necessário mudar. Com o incentivo dos filhos, a ex-empregada doméstica terminou os estudos e ingressou em uma caminhada repleta de novos aprendizados. “Descobri que a vida não pode parar. Depois de certa idade, não conseguimos mais trabalhar direito, mas vi a chance de me dedicar ao meu crescimento pessoal e ainda me entreter.”

Quem vê o jeito tímido não imagina a vontade que aquela senhora baixinha tem de viver: ela já fez curso de informática e agora divide seu tempo entre as aulas de inglês e de teclado. A costura também ganhou espaço na agenda. Além de produzir algumas peças para o próprio armário, Joana faz trabalhos para fora. “Parece que, depois que passamos dos 60, ficamos ainda mais animados para fazer as coisas. Tenho tempo livre e ânimo de sobra.” Com a vontade de sempre dar um passinho a mais, seu objetivo, agora, é estudar e ganhar o mundo com um curso de moda. Há três anos fazendo o Enem, não pretende parar até chegar lá. Clique aqui para ler mais.

19 comentários

  1. É tudo muito lindo qdo não se tem uma mísera aposentadoria pra sobreviver e não se conta com mais ninguém. Desculpe, mas não servem de exemplo para a maioria brasileira. Parem de ficar glamourização a velhice!

  2. Edna Maria Silva spindula

    Oi! socorro to precisando dessas aventuras, to na solidão a 9anos tenho 56 anos.

  3. Isso, concordo com vc!
    Abraços
    Regina

  4. Eu fiquei viúva com 56 quando achava que minha vida estava tudo certinho. Demorei uns anos voltei estudar curso a distância fiz sociologia agora pós em EJA onde vejo que na minha idade tenho mais chance de trabalhar. Não é fácil não é impossível.

  5. Boa tarde
    Além de comentários sobre pessoas da terceira idade que conseguem viver bem e tem várias atividades seria importante vocês informarem quais atividades e grupos estão disponíveis para a terceira idade, aposentados, com renda média.
    Não adianta contar as aventuras de quem pode viajar pelo mundo, frequentar restaurantes caros, pois essa não é a realidade da grande maioria desse grupo.
    Aguardo sugestoes

  6. Lourdes Dangui Pinheiro

    Facil falar, quando se tem uma ” gorda ” pensao, quero ver dizer isso, quando se tem que sustentar com R$ 998,00 por mes ? Eh mole, ou quer mais .

  7. Podíamos formar um grupo, pq o que acaba acontecendo que ficamos muito só, e com um grupo de amigas ficaríamos muito mais forte! Não acham?

  8. Maria José Cadete Morais

    Com 52 anos comecei praticar esportes de aventura/Radical, trilhas, rapel, meia maratonista, flyboard, rafting, jogo frescobol e outras atividades que me deixam bem, já conquistei o Monte Roraima, o pico das agulhas negras 5° e Morro do Couto 8° cume, fiz o rapel de 147 m na pedra da Gávea, ir em busca do desconhecido é desafiandor. Que possamos envelhecer com mais qualidade de vida.
    A única frustação da idade é manter um plano de saúde com valores absurdos

  9. Sempre é tempo…E tem espaço para todo tipo de renda…quem fica do sofá pra sala vai morrer e os outros q viaja tbm…Mas a diferença é o q vc vai fazer com.o tempo… Tem clubes das associacoes dos Bairros …grupos de dança…grupos de igreja…Enfim ainda não cheguei.la.Mas sou maior admiradora de quem.quer ser feliz..Bjis

  10. Edilze Garbossa Perosa

    Bom dia.
    Tenho 57 anos, aposentei- me em 2017. Fui professora de História por mais de 25 anos.
    MEm 2017 e 2018 fiz a Uniti- Faculdade da terceira idade para me ocupar.
    Mas sinto vontade de voltar ao mercado de trabalho, não na área do Magistério. Quero algo novo, um desafio.
    Mas está muito difícil.

  11. Tenho 59 anos … casei aos 58 … era solteira … meu marido 62 … era viúvo… somos privilegiados financeiramente sim … não ricos… mas temos uma vida estável…estamos recomeçando… casamos na Igreja … com as filhas dele levando ele para o altar e a netinha junto co. Minha sobrinha levando as alianças para o altar … ficamos muito felizes porque.com.nosso casamento muitos amigos nossos se.animaram pra recomeçar…
    Quanto a ter ou não dinheiro … a sogra número 1 de meu marido …assim ele a chama … tem 89 anos … é viúva… ganha 1 salário mínimo… mora com uma filha que também não é rica …e faz diversas atividades… participa de um grupo de idosos da comunidade… faz ioga …em.uma ação social … faz passeios custeados pela ação social … enfim … tudo depende sim de como se encara a vida …o rico vai para a Europa … a classe média para o Nordeste … e o pobre … qdo dá da passeios por perto ou curte com a família… rindo… brincando… mesmo que seja em casa … e pensem … gratidão é o que mais importa …

    • Tenho 60 anos, viúva, aposentada e em plena atividade. Estou longe de uma situação financeira confortável, mas faço o que é possível dentro das minhas possibilidades. Fazer um trabalho voluntário é maravilhoso, te ajuda mais do que recebe. Além disso, monte grupos(dança, música, artesanato, apoio), organizem reunião com os amigos, opções tem, com ou sem dinheiro.

  12. Vera Lucia de Carvalho turino

    Quero muito participar de algum grupo. Pois estou me reinventando para essa etapa da vida.Tenho 70 anos e estou só.
    Preciso de ajuda .

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