Dicas para manter sua vida profissional após a aposentadoria

Brasil já tem mais de 30 milhões de habitantes com idade acima dos 60 anos

Maya Santana, 50emais

As pessoas estão se mantendo no mercado de trabalho por mais tempo depois de terem se aposentado. Elas se aposentam e continuam trabalhando. E essa é uma tendência que deve se firmar, já que as pessoas estão vivendo cada vez mais.Dados que acabam de ser divulgados pelo IBGE mostram que o Brasil já tem mais de 30 milhões de habitantes com mais de 60 anos. Para se ter uma ideia da enormidade desse número, significa mais de dois terços da população da Argentina. Por isso, reportagens como esta, de Lucianne Carneiro, para O Globo, serão cada vez mais frequentes: dicas para maiores de 60 que queiram se manter no mercado de trabalho.

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Seja por necessidade de complementar a renda ou desejo de continuar ativo, os aposentados têm deixado para traz a vida sem trabalho e se mantido no mercado. No Brasil, um a cada quatro aposentados trabalha: são 5,5 milhões em um total de quase 24 milhões de aposentados, ou 23%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2015, últimos dados disponíveis. Apesar do envelhecimento da população — a parcela das pessoas com 60 anos ou mais subiu de 12,8% em 2012 para 14,4% em 2016—, o mercado ainda é preconceituoso com os profissionais mais velhos, admitem analistas de recursos humanos. Para sobreviver, apontam, é preciso demonstrar constante atualização, energia, abertura para novas ideias e uma extensa rede de relacionamentos.

— Um dos grandes desafios do profissionais acima dos 50 anos é mostrar que consegue se relacionar com pessoas mais novas, tem abertura para novas ideias e está sempre atualizado. Minha experiência mostra que muitos desses profissionais têm muito mais energia que alguns mais novos. É importante refletir onde está seu maior valor agregado, que está principalmente na maturidade, na experiência, na maior capacidade de lidar com a pressão — afirma o diretor-executivo da consultoria de recrutamento Michael Page, Ricardo Basaglia.

A educação continuada também é um fator importante, além da manutenção de uma rede de relacionamentos, avalia o diretor de recrutamento da Robert Half, Lucas Nogueira. Ele esclarece que não há necessidade de uma nova faculdade, mas a realização de cursos já aponta um esforço de treinamento constante:

Mais capacidade

Para além do preconceito ainda existente no mercado de trabalho, o médico e professor convidado da Fundação Dom Cabral Frederico Porto afirma que os mais velhos têm o que ele chama de “complexidade cognitiva”, ou seja, mais capacidade para processar questões, o que pode ser um ativo importante como profissional:

— As pessoas com 50, 60 anos têm mais complexidade cognitiva. É alguém que, mesmo em assuntos que não domina, pode observar, raciocinar e encontrar pontos falhos. É um profissional apto a desenvolver processos que alguém mais jovem. O importante é conseguir manter a saúde e administrar a energia pessoal com essa maior complexidade cognitiva.

Novas atividades

Nos últimos tempos, Porto tem percebido pacientes já aposentados começarem a se preocupar com dinheiro, seja por problemas com pagamentos de aposentadorias pelos estados ou até fundos de pensão que começam a descontar valores de seus pensionistas para compensar alguma perda. Ele lembra, no entanto, que nem todo hobby pode virar profissão:

— Cada um precisa descobrir o que gosta de fazer, suas paixões, mas também seus talentos, ou seja, o que sabe fazer bem. Nesse processo, precisa avaliar qual é a necessidade do mundo à sua volta, como pode oferecer seus talentos. Um engenheiro, por exemplo, pode atuar como conselheiro financeiro.

Especialistas em recursos humanos sugerem uma autoavaliação para quem está em busca de identificar novas habilidades e uma nova atividade profissional. Uma das primeiras sugestões é conversar com antigos colegas de trabalho para avaliar pontos positivos e negativos. Ao identificar habilidades, é preciso partir por informações sobre o perfil do trabalhador daquela área, refletir se é preciso desenvolver novos conhecimentos e estabelecer um plano de ação, com cursos e projetos.

— Um ser humano que vai viver cem anos terá ao menos três carreiras ao longo da vida. Este é o caminho do futuro. É um processo de descoberta, leva tempo e não tem roteiro pronto — diz Ricardo Basaglia, da Michael Page.

Novos contratos

A ideia é um contrato de 25 horas de trabalho para quem já é aposentado, com horários mais flexíveis e prazo determinado, com direito a férias, mas sem décimo terceiro salário e nem pagamento de contribuição ao INSS.

— A diferença é a flexibilidade que dá ao trabalhador e às empresas. É uma proposta inclusiva, que dá incentivos para as companhias contratarem e o trabalhador sai da informalidade. Ele gera mais renda e fica mais saudável. Outros países já tem regimes semelhantes, como os Estados Unidos — explica Henrique Noya, diretor-executivo do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon.

Para evitar o risco da substituição de trabalhadores mais novos por esses aposentados, o projeto limita esses contratos a 5% da força de trabalho de uma empresa.

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Um comentário

  1. Maria Auxiliadora carvalho vieira de paula

    meu sonho abrir uma empresa terceirizada mão de obra Melhor idade, pois tenho 54 anos, disposição pra trabalhar, e não encontro emprego. Sonho em realizar esse projeto em minha cidade.

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