Documentário expõe expectativas de novo amor após os 70 anos

“A Idade do Amor” (“The Age of Love”) foi exibido no Brasil entre os meses de outubro e dezembro, em São Paulo, seguido por uma discussão entre os espectadores e uma psicóloga

Maya Santana, 50emais

Com as pessoas vivendo mais tempo, esse tipo de documentário – Na Idade do Amor – será cada vez mais frequente: a busca do amor na derradeira etapa de vida, quando já se passou dos 70 anos. Nos últimos anos, aliás, já foram feitos dezenas de filmes focados na vida de casais na idade madura. Publiquei recentemente uma relação aqui no 50emais de seis filmes da Netflix feitos há relativamente pouco tempo sobre histórias de amor entre pessoas mais velhas(clique aqui para ver).

Leia o artigo do site institutomongeralaegon.org sobre o documentário e também sobre uma discussão em torno de A Idade do Amor:

“Quem vai me tocar pelo resto da vida? Com quem vou dividir as refeições?” Os questionamentos da mãe, que havia ficado viúva de repente após 50 anos de casamento, pegaram desprevenido o cineasta e roteirista americano Steven Loring. Na sequência, um tio de 78 anos – que nunca havia se casado e que “a família nem sabia se tinha tido um relacionamento” – se mudou para uma instituição de longa permanência, começou a namorar e “parecia um adolescente”.

“Tenho que pensar mais nisso”, disse Loring a si mesmo. “A maioria das histórias de envelhecimento nos Estados Unidos tem a ver com seguridade social. Mas o que as pessoas precisam emocionalmente?”, perguntou-se.

Em busca de respostas, esbarrou com um “speed dating”, uma espécie de reunião para quem quer encontrar um relacionamento romântico. Enquanto as mulheres ficam sentadas em uma mesa, os homens têm poucos minutos para falar com cada uma. Quando o sino toca, devem seguir para a próxima mesa. No fim, os participantes anotam em uma ficha quais chamaram mais a atenção e recebem nome e telefone de quem se interessou por eles.

Começou aí a saga de Loring para registrar, em documentário, quais são as expectativas, os medos e os sonhos daqueles homens e mulheres com mais de 70 anos de idade que estavam dispostos a encontrar um amor. Para isso, acompanhou parte deles desde antes do evento até os encontros dos casais que decidiram se rever depois do “speed dating”.

Lançado em 2014 nos Estados Unidos, “A Idade do Amor” (“The Age of Love”) foi exibido no Brasil entre os meses de outubro e dezembro, em São Paulo, seguido por uma discussão entre os espectadores e uma psicóloga. A última sessão foi voltada a profissionais de saúde, e contou com o debate entre Loring; Carmita Abdo, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria; Valmari Aranha, psicóloga do serviço de geriatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; e Lilian Liang, editora da Revista Aptare, responsável pela iniciativa.

Veja o trailer do documentário:

Para Valmari, que mediou alguns debates após as exibições do filme, foi uma oportunidade de as pessoas pensarem “sobre como o amor ocorre na velhice”. Segundo ela, encontrar um novo amor exige que a pessoa saia dos seus espaços, cuide da autoestima e seja mais tolerante. Há muita expectativa e idealização, em busca de uma perfeição no outro que não existe nem em nós mesmos.

Carmita explica que o tema sexualidade tem ganhado espaço – “antes as pessoas não falavam disso”. Agora, ela já é vista como algo ligado à saúde física e psíquica, destaca a médica.

Atenção: spoiler a seguir

E, no fim, quem fez mais sucesso entre os 30 participantes do “speed dating”? Não foi o que estava em forma, que recebeu um telefone e ficou desapontado; nem o que carregava um tanque de oxigênio, que recebeu três e comemorou. Loring conta que foi um senhor que havia ficado viúvo seis meses antes. Foi convencido por amigos a se inscrever no evento e recebeu sinal verde para telefonar para 9 das 15 mulheres com as quais havia conversado.

Na edição, afirma Loring, ele foi cortado e não aparece. Mas o cineasta revela o que despertou tanto a atenção das mulheres: a fragilidade. Não era um homem com um discurso pronto, uma necessidade de tentar impressionar e a pose de machão. “Ele estava muito vulnerável emocionalmente. Elas responderam a isso”, lembra.

As mulheres que mais receberam telefones de interessados também tinham algo em comum: a abertura para a vida. “Elas sonhavam, estavam abertas a tentar coisas novas”, diz, acrescentando que essas senhoras reuniam uma combinação de jovialidade de espírito e disposição para a aventura. Clique aqui para ler mais.

3 comentários

  1. Que bom poder discutir sobre este assunto ! Enquanto há vida há possibilidade!

  2. Tenho interesse em assistir… vai passar em Fortaleza -Ceará? Qdo?

  3. Nair Lino villas boas

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