E a rainha, aos 91, o que é que está pensando do noivado do neto?

Harry e Meghan formam o primeiro casal inter-racial da coroa britânica

Maya Santana, 50emais

Morei na Grã-Bretanha muitos anos. Quando olho para trás, me dou conta das mudanças radicais operadas na família real. Digo isso a propósito do anúncio, há poucos dias, do noivado de Harry, o príncipe sorriso, quinto na linha de sucessão ao trono . Quando é que se poderia pensar que uma atriz e modelo, estrangeira, divorciada, filha de mãe negra, três anos e um mês mais velha do que o noivo se ligaria a um príncipe, tornando-se membro da fechada família real britânica, chefiada pela nonagenária Elizabeth Segunda?

Os dois se conheceram o ano passado e vão se casar em 2018

Até ela, a rainha, 91, tão apegada à tradição e obediente seguidora das antiquadas regras da corte, divulgou nota dando sua bênção à união do risonho príncipe Harry, 33 – filho mais novo da princesa Diana com o príncipe Charles -, com a americana Meghan Markle, 36. Elizabeth Segunda ganhou fama de fria, distante, exatamente por seguir à risca o que manda o protocolo real.

Foi implacável com a irmã mais nova, Margaret, quando a princesa quis se casar com um plebeu. O príncipe Charles, seu primeiro filho, herdeiro da coroa, ainda era pequeno – tinha três anos na época da morte do avô, George Sexto, e a mãe foi proclamada rainha -, e ela teve de se ausentar do país durante meses. Quando retornou e se encontrou com o filho, no lugar de abraçá-lo e beijá-lo, estendeu-lhe a mão.

Quando Diana morreu, Harry tinha 12 anos

Outro episódio que mostra o caráter firme da rainha ocorreu durante a morte da princesa Diana, em Paris, no dia 31 de agosto de 1997. A família real passava suas férias de verão no Castelo de Balmoral, na Escócia. Diana morreu num domingo. Seu corpo foi levado para Londres no dia seguinte. Apesar da profunda comoção do país – vi mulheres, crianças, homens barbudos, senhores sisudos chorando nas ruas de Londres -, e da forte pressão da imprensa sobre a rainha, os dois garotos – William então com 15 anos, e Harry, com 12 – só desembarcaram em Londres na sexta-feira , quatro dias depois de o corpo da mãe ter chegado.

Com a mãe Doria Radlan, assistente social e professora de ioga

Diana e a rainha nunca se entenderam bem, justamente porque a princesa, com seu comportamento mais livre, forçou o afrouxamento de certas regras da realeza, o que permitiu, por exemplo, que o príncipe William se casasse com a plebéia Kate Middleton. Divorciada do príncipe Charles, na época do acidente de carro no túnel da Ponte de l’Alma, Diana namorava um playboy árabe, Dodi Al-Fayed, morto com ela na madrugada daquele domingo.

Monarca mais longeva da Grã-Bretanha – no cargo há quase 64 anos – Elizabeth Segunda viverá o suficiente para ver seu neto casado com a primeira mestiça a fazer parte da família real. Harry e Meghan formarão o primeiro casal inter-racial da coroa britânica.

Com o pai, Thomas Markle, há muito tempo separado da mãe dele

O que não é pouco em um país em que quase 90% dos 65 milhões de habitantes se declara branca. E, como lembra o sociólogo Kehinde Andrews, autor do livro Resistindo ao Racismo, a própria monarquia “é um dos maiores símbolos de branquitude.”

O que realmente deve estar passando pela cabeça da rainha?

2 comentários

  1. Quero só ver o q vai acontecer. Se os fotógrafos não davam sossego à Diana, imagine agora com esta garota.

  2. As a friend of mine put it, this marriage is set to put Elizabeth to the grave.

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