Elas deixam os fios brancos em busca de estilo, não por descuido

Depois de 25 anos na ditadura do retoque, a oftalmologista Maria José Calixto, 54, optou pelas madeixas brancas: “Foi uma libertação” (foto: Violeta Andrada/Encontro)

Maya Santana, 50emais

Para quem está em dúvida se adere ou não aos cabelos brancos, ler este artigo de Geórgea Choucair para a revista Encontro, com certeza, vai ajudar a tomar uma decisão. E, possivelmente, quem ler até o final vai optar pelo abandono das tintas. São depoimentos de mulheres bonitas, charmosas, bem cuidadas sobre como decidiram deixar de pintar os cabelos, como resolveram enfrentar o preconceito contra os fios grisalhos. Todas elas estão satisfeitas com o resultado de sua decisão, curtindo muito o fato de não precisarem mais de produtos químicos e de ostentarem os cabelos ao natural.

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Em dezembro de 2016, a associada de vendas Vanessa Lima Pimenta, de 45 anos, tomou uma decisão radical: raspar a cabeça com máquina 4. Ela deixou de lado todas as preocupações com o visual das comemorações de fim de ano, foi ao barbeiro e pediu para ficar careca. E virou o ano assim, sem nenhum fio de cabelo na cabeça. “Estava sem grandes planos de festas e viagens. E acabou que os amigos e família gostaram, acharam diferente”, diz Vanessa. A transformação teve um objetivo: deixar as madeixas todas brancas. Ela tinha cabelo castanho e, para evitar a tonalidade bicolor, que acontece no período de transição devido à coloração da tinta, raspou a cabeça e assim todos os fios nasceram prateados, de forma mais homogênea. “Eu não queria ficar com o cabelo de duas cores”, diz. Em dois meses o cabelo já estava maior e grisalho, como Vanessa imaginava.

“Estou amando a tonalidade, me encontrei com o curto e branco”, afirma ela. Uma das grandes vantagens, diz, é a praticidade, pois o cabelo está sempre arrumado. “Não sou mais escrava da tinta. Muitas vezes tinha de pintar o cabelo quase de madrugada, porque surgiam eventos inesperados no dia seguinte”, lembra. A textura dos fios, segundo ela, melhorou. “Agora o cabelo não sente mais o produto químico.” Vanessa trabalha na área de moda e, para que as madeixas brancas não passem a impressão de descuido e preguiça com o visual, corta o cabelo de 20 em 20 dias, está sempre maquiada e com brincos grandes.

Vanessa Pimenta raspou a cabeça para evitar o período de transição bicolor entre o castanho e grisalho: “Eu me encontrei com o cabelo curto e branco” (foto: Violeta Andrada/Encontro)

Vanessa faz parte do grupo, cada vez maior, de mulheres que deixam de lado a tinta para assumir a cabeleira prateada. Os fios brancos sempre foram malvistos, já que eram associados a velhice e desleixo. Mas agora os grisalhos vieram para ficar e estão se tornando sinônimo de elegância, sofisticação e sensualidade não só para homens, como também para mulheres de 30, 40, 50 anos ou mais. Mais do que um estilo, assumir a cabeleira branca é questão de aceitação e libertação. As mulheres passaram a entender que é possível viver com os fios brancos e continuar joviais, saudáveis, interessantes e, acima de tudo, belas. E mais: o estilo platinado nos cabelos demonstra sinal de coragem e atitude.

A tendência ganhou ainda mais força depois que a escritora e jornalista francesa Sophie Fontanel, especializada em moda, deixou os fios ficarem naturalmente brancos e compartilhou a transição pela internet. O processo está relatado no livro Une Apparition, lançado recentemente e sem tradução para o português. A publicação traz sua experiência de dar adeus às tinturas e aceitar os fios naturais. O grisalho também já conquistou estrelas como Lady Gaga e Rihanna, que pintaram seus cabelos com esse tom. A arquiteta e paisagista Luiza Monteiro Fiuza, de 39 anos, começou a perceber os fios brancos quando tinha 23. Mas as madeixas prateadas passaram a ser escondidas com luzes.

A sua primeira experiência longe da tinta aconteceu 10 anos depois, quando engravidou da filha Ana e ficou cinco meses sem pintar o cabelo. “Depois disso, voltei a fazer luzes, mas fiquei com aquela ideia dos grisalhos na cabeça”, afirma. Como sempre usou tinta, nem conseguia perceber a cabeleira prateada. “No período da gravidez, vi que tinha uma mecha branca grande na parte da frente da cabeça.” Há pouco mais de um ano, Luiza decidiu colocar a ideia em prática e deixar os fios naturais, sem química. A mudança veio acompanhada de um bom corte de cabelo, que antes era longo e passou a ser usado curto. “Há poucas partes no corpo que conseguimos mudar de um dia para o outro. O cabelo é uma delas. Se nos arrependemos, é fácil voltar atrás”, afirma.

A professora Márcia Almada contrariou a mãe e se manteve firme na decisão de assumir os platinados: “Eu me livrei da escravidão do salão”

Antes mesmo de chegar as opiniões em relação ao novo look, Luiza já se posicionou: “Falei com o meu marido que ele não teria nem a chance de dar palpite”. Mas o resultado agradou. “Tenho vaidade, mas não sigo moda. Fiz o que me deixa feliz.” A transformação, segundo ela, melhorou o aspecto dos fios. “Só de não usar química já revigora”, diz. E para manter o cabelo saudável e macio, faz mensalmente hidratação e usa xampus especializados para grisalhos, que evitam a tonalidade amarelada.

A mulherada está assumindo os fios brancos por questão de estilo, e não por preguiça ou descuido com o visual, garante Flávia Menicucci, cabeleireira e sócia do salão Jacques Janine, em Belo Horizonte. “Muitas mulheres elegantes adotaram os grisalhos, a exemplo da atriz Meryl Streep, no filme O Diabo Veste Prada”, afirma. Mas o look precisa de cuidados. “O corte tem de estar em dia, pois o acabamento do cabelo branco realça.” Flávia indica ainda um xampu com pigmentação violeta, que neutraliza o amarelo. “E sempre que possível usar o secador, pois geralmente esse tipo de cabelo não seca bem naturalmente.” Clique aqui para ler mais.

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