Empresa divulga vagas de emprego para quem já passou dos 50

Inspirado na avó, Mórris Litvak criou a MaturiJobs. Foto: Gabriela Bilo/Estadão

Maya Santana, 50emais

Pode-se dizer o que for do empresário Mórris Litvak, mas não dá para não reconhecer que ele teve uma grande sacada ao criar, em 2015, a MaturiJobs, empresa cujo objetivo é não só recolocar maiores de 50 no mercado de trabalho, mas também incentivá-los a criar o seu próprio negócio. como o país está envelhecendo a passos largos, a empresa que criou, inspirado na própria avó octogenária, também só cresce. Nesta reportagem publicada pelo Estadão, você vai saber como a MaturiJobs funciona e como a empresa vai se solidificando cada vez mais.

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O trabalho voluntário em uma casa de repouso e o exemplo da avó, Dona Keila, que atuou como secretária e tradutora até os 82 anos, foram as principais inspirações do engenheiro de software Mórris Litvak para criar a MaturiJobs em 2015. A empresa tem como objetivo recolocar pessoas acima dos 50 anos no mercado de trabalho ou ajudá-las na missão de abrir o próprio negócio.

“Quando a minha avó parou de trabalhar, a saúde dela degringolou. Pensei então que poderia criar um negócio nessa área, para ajudar as pessoas acima dos 50 anos a voltar ao mercado de trabalho. Enxerguei esta oportunidade também pela possibilidade de criar impacto social”, conta Litvak.

A visão do empreendedor sobre a dificuldade enfrentada pelos profissionais maduros para se recolocarem no mercado de trabalho é real. A pesquisa ‘Envelhecimento nas Organizações e a Gestão da Idade’, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostra que as companhias avaliam que esses profissionais têm dificuldade de adaptação às novas tecnologias, falta de agilidade, menor criatividade e dificuldade de reconhecer lideranças entre os profissionais mais jovens.

Cenário. Para o professor do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da FGV (FGVCenn), Marcus Salusse, “esta é uma tendência sociodemográfica mundial. Por isso, conseguimos prever demanda.” Segundo ele, as áreas mais promissoras para novos negócios são saúde e bem-estar, gestão financeira e mobilidade e movimento.

Com o objetivo de mapear os hábitos de consumo e entender quais são as principais necessidade dos maduros, a Hype60+ conduziu um estudo em parceria com a plataforma de pesquisa Mind Miners no início do ano. Dos 863 participantes, 57% acredita que faltam produtos e serviços voltados para a sua idade. Entre as principais demandas citadas estão segmentos de cursos em geral, vestuário, serviços voltados à mobilidade e ao turismo e a soluções para acessibilidade.

“Hoje essa população é muito mais ativa e engajada. A barreira tecnológica não existe mais para a maioria. Era muito comum dizer que o idoso tinha tempo e dinheiro, mas não tinha saúde. Isso mudou. Há um potencial de compra e consumo enorme”, pontua Salusse.

Na prática. Formado em tecnologia da informação, Fabio Ota fundou em 2014 a escola de programação de jogos ISGame. Inicialmente voltada para crianças e adolescentes, Ota percebeu que o método criado poderia ser efetivo na prevenção do Alzheimer e outras doenças cognitivas. “Mas precisava ter respaldo técnico-científico. Então formei uma equipe de psicóloga, fisioterapeuta, profissionais de terapia ocupacional e neuropsicólogos para entender se funcionava na prática”, conta. A equipe o ajudou a formatar o piloto do curso de programação de games para adultos acima de 60 anos.

Em 2016, após uma série de avaliações, a ISGame foi aprovada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) no programa de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE). Segundo a instituição, houve “melhora acentuada de memória e qualidade de vida” dos participantes. Após aporte da Fapesp, passaram pela ISGame mais de 120 alunos. O curso tem duração de cinco meses, com uma hora e meia de aula semanal.

A pesquisa – que ouviu 140 empresas – constatou que a maioria não adotava qualquer prática para integrar seus profissionais de diferentes gerações, o que irá se tornar um problema corporativo no médio prazo. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), aproximadamente 57% da população brasileira em idade ativa será composta por pessoas com mais de 45 anos em 2040.

Barreiras. A resistência das empresas em contratar pessoas acima dos 50 anos foi a primeira dificuldade encontrada por Litvak. “Logo percebi que, do lado corporativo, havia muita resistência, não só pela crise econômica, mas também porque o preconceito etário é forte.”

Após iniciar o negócio de forma “manual”, como ele mesmo define, em 2016 a MaturiJobs lançou sua plataforma online e, no mesmo ano, começou a cobrar pelos serviços oferecidos apenas para as empresas.

“É possível que as companhias publiquem vagas de forma gratuita e simples, mas se quiserem que o anúncio seja mais efetivo e alcance mais pessoas, ele é pago.”

Atualmente são 70 mil profissionais de todo o Brasil cadastrados e 680 empresas já utilizaram a plataforma desde o início do negócio. Os usuários podem se cadastrar e utilizar os serviços sem custo.

Visão. Com o passar do tempo, Litvak percebeu que, apesar de ter automatizado os processos, o número de vagas anunciadas ainda era baixo. “As empresas que contratam são poucas e o número de profissionais se cadastrando crescia em um ritmo rápido e de forma orgânica. Entendi que não dava para focar o negócio apenas em vagas de emprego. Começamos a levar conteúdo sobre empreendedorismo e economia compartilhada com o objetivo de mostrar para este público que existe outras alternativas e novas formas de trabalho e renda”, conta.

Hoje, além da plataforma de anúncios de vagas, a empresa oferece palestras, workshops e organiza encontros de networking entre os usuários para fomentar a discussão e informações sobre empreendedorismo, alternativa para os maduros continuarem ativos no mercado de trabalho.

“Ainda é um grande desafio encontrar o modelo de negócio ideal, porque essa questão da inserção de profissionais mais maduros no mercado de trabalho ainda não é prioridade no Brasil. Mas consigo viver da startup, que é uma empresa que visa lucro, mas tem esse propósito social”, afirma.

13 comentários

  1. Achei o máximo. .

  2. Acredito que o sucesso é a palavra para esta grande iniciativa, ressaltando o grande nincho de mercado aproveitando o potencial e experiências agregados a está faixa etária.
    Gostaria de saber mais detalhes para me engajar.
    Parabéns!!!

  3. Gostaria de ter uma oportunidade para assistente administrativo , 64 anos

  4. Irma Rezende de Campos

    Tenho 65 anos e sou proprietária de 2 escolas de cursos profissionalizantes em Minas Gerais.
    Somos capazes de administrar pelas nossas vivências e vejo que as pessoas acima de 50 são qualificadas, só faltam oportunidades.
    A importância de trabalhar é o melhor remedio para a velhice, não me vejo sem fazer nada, minha cabeça não para de criar.
    Penso em abrir novos negócios, e com certeza se tiver oportunidade farei, pois cada dia é um desafio.

    Abraços e vamos a luta pois idade e cabeça, e nos somos jovens e experientes, não desistam nunca.

    Irma Rezende de Campos
    http://www.astrobytetc.com.br

    Esse é o site da minha escola caso queiram conhecer.

    FACE: Astrobyte Centro de Treinamento.

    • Parabéns,
      Tenho 59.
      E acabei de me aposentar, mas pretendo continuar a trabalhar. Quando vejo que a maioria das pessoas encaram o trabalho como um bico, fico triste, pois se cada um fizesse o melhor no seu trabalho o país poderia estar muito melhor.

  5. Sueli Vasquez Matos

    Boa tarde!

    Gostaria de participar e me integrar melhor. Tem alguma plataforma em Campo Grande/MS?

  6. Tenho 69 anos e quero trabalhar na área administrativa/financeira. Tenho muita experiência e uma vontade enorme de voltar a trabalhar novamente. Meu mais recente emprego, foi em 2017, no Centro de Estudos da Sexualidade Humana por 25 anos.

  7. Ana de Nazareth Raposo

    Tenho 64 anos e estou me aposentando do meu trabalho no Estado de Alagoas com vasta experiência na área de Rh gestão de pessoas e área administrativa . Gostaria de trabalhar. Têm algo aqui em Maceió que se encaixe no meu perfil ?

  8. Olá, existe algo na área em Florianópolis?

  9. Terezinha Fátima de Souza Barroso

    Show e onde nos cadastramos para vagas de emprego? Sou professora, faço eventos,aliás amo trabalhar com eventos,uma área que curto.muito,maus trabalho como assistente administrativo, auxiliar de escritório, enfim é isso
    Obrigada
    Abraço
    Obs: parabénsssss pela iniciativa de contratar acima dos 50, realmente é difícil

  10. Sou de Canoas/RS, tenho 56 anos e sempre trabalhei na área administrativa / financeira, mas agora estou encontrando dificuldades em conseguir nova recolocação, acho que um pouco devido a idade. Aqui no Sul tem este programa?

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