Há 40 anos morria Maria Callas, a maior das cantoras líricas

De origem grega, Maria Callas morreu sozinha, em Paris, quando tinha apenas 53 anos

Maya Santana, 50emais

Embora tenha chegado ao ápice da fama, reconhecida como a maior cantora lírica de todos os tempos, Maria Callas teve uma vida triste, pelos grandes problemas no relacionamento com a mãe, que exigia demais dela, e, mais tarde, pela perda do grande amor de sua vida, o armador grego Aristóteles Onássis, para Jackeline Kennedy, viúva do presidente americano John Kennedy. No final, para sua suprema humilhação, Maria Callas também foi perdendo a voz única, que a distinguia de todas as outras sopranos. Deprimida, encerrou-se em seu apartamento em Paris e de lá só saiu quando já não tinha mais vida, em 16 de setembro de 1977.

Leia esta pequena biografia de Maria Callas publicada por O Globo:

Maria Anna Sofia Cecília Kalogeropoulos, mais conhecida como Maria Callas, foi uma mulher forte e de grandes paixões. Aliás, sua mãe, Evangelia, costumava dizer que a filha havia nascido em um dia de grande tempestade, o que teria influenciado o seu temperamento. Além da música e de Aristóteles Onassis, a soprano era louca por moda. Sua voz de timbre único se calou para sempre há exatos 40 anos, no dia 16 de setembro de 1977, em Paris. O drama que ela carregou nos palcos a acompanhou pela vida. Nascida em Nova York, mas com ascendência grega, Callas tinha uma mãe que explorava seu talento, foi escrava da própria fama e sofreu quando o armador grego, o amor de sua vida, a trocou por Jacqueline Kennedy. O fato é que a vida particular da cantora carregava a mesma dramaticidade que ela interpretava nos palcos.

Beleza fora dos padrões

Com um nariz fora dos padrões, boca e olhos grandes, Callas, de 1,75m, provou ao mundo que a beleza clássica não é fundamental. Fundamental é ter personalidade e estilo. Depois de chegar aos 108 quilos, ela prometeu a si mesma que seria exemplo de elegância e glamour. E assim foi. Em 1953, Callas teria pendurado uma foto de Audrey Hepburn na parede para ter força de vontade e seguir uma dieta espartana e cercada de polêmica. Perdeu nada menos que 35 quilos e, depois disso, pediu então socorro à Elvira Leonardi Bouyeure, a sua então estilista, conhecida como Biki, para ajudá-la a passar por uma grande transformação. A partir daí, começou a usar vestidos bem cortados e que marcavam a cintura, chapéus de todos os tamanhos, lenços, luvas e tudo o que a enfeitasse.

Depois da fase em que era vestida por Biki, Callas tornou-se cliente de grifes como Dior e Saint Laurent, passando longe da Chanel (apesar disso, a Maison fez todo o figurino do filme “Callas Forever”, de Franco Zeffirelli , que teve Fanny Ardant no papel da cantora). Em 1959, conheceu o armador grego Aristóteles Onassis. Foi por causa dele que ela abandonou Giovanni Battista Menegghini, com quem foi casada por dez anos. E aí passa a dedicar grande parte do seu tempo à intensa vida social, que incluía festas, passeios de iates, viagens, afastando-se do canto, do estudo e dos teatros, sempre ao lado de Onassis, que não gostava de ópera e queria que ela parasse de cantar. Para ele, era uma música que “soava como um monte de chefs italianos gritando receitas de risoto”.

Descontraída no Rio

As estolas e jaquetas de pele também foram peças indispensáveis em seus looks, como um abrigo de chinchilla e um bolero branco de vison que teria sido um presente de Onassis. Há rumores de que Callas o usou de propósito no dia em que o armador grego se casou com Jackie Kennedy.

A cantora também sabia se vestir de um jeito despojado, principalmente quando estava na ilha grega que ganhou do armador. Em 1951, esteve nos palcos de São Paulo e do Rio. Em 1970, voltou à cidade com o cineasta Pier Paolo Pasolini, de calça jeans, blusa branca e os cabelos longos presos num rabo de cavalo. Também ficou conhecida por usar à exaustão blusas de mangas morcego. As joias da diva da ópera merecem um capítulo à parte. Ela era fã de ouro e pedras, especialmente das peças de Cartier e Van Cleef & Arpels.

A última apresentação de Callas foi em 1974, no Japão, mas sua voz já não tinha o mesmo vigor. Passou os últimos anos de sua vida trancada em seu apartamento parisiense, na Avenida Georges Mandel. Morreu, aos 53 anos, cercada de muito luxo, mas sozinha, por problemas no coração. Fim típico de uma tragédia grega. “Os deuses levaram a sua voz”, comentou na época Yves Saint Laurent.

Um comentário

  1. Sempre DIVA…….Maravilhosa!!!!!!!!!!!!!

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