Mirian Goldenberg: A Verdadeira Revolução dos Velhos

O principal ganho associado ao envelhecimento é a liberdade

Maya Santana, 50emais

Não chego a dizer, como a antropóloga Mirian Goldenberg, que “velho é lindo.” Mas, a medida que o tempo passa e vou me aproximando da velhice, tendo a acreditar que esta é uma das melhores fases da vida. Da minha vida, pelo menos. Aos 66 anos, me sinto verdadeiramente livre, mais forte intelectualmente, e já não me incomoda nem um pouco o que pensam de mim. É lógico que, como em toda etapa da existência, há o outro lado: o surgimento de pequenos problemas de saúde, o cansaço que é maior agora do que antes, o estoque de paciência mais baixo e a perda gradual do apelo sexual. Mesmo assim, não trocaria a minha vida nesta altura da caminhada por nenhuma outra etapa do caminho. Tem a ver com o que diz Mirian Goldenberg nesta crônica.

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Pode ser difícil de acreditar, mas muitas pesquisas mostram que quanto mais velhos somos, mais felizes podemos ser. As pesquisas questionam o pânico que os brasileiros têm de envelhecer, já que, para muitos, a velhice é a melhor fase da vida.

Há mais de dez anos venho pesquisando as representações, os medos e os significados do envelhecimento no Brasil. Atualmente, estou pesquisando homens e mulheres de mais de 90 anos.
O que aprendi de mais importante com os meus pesquisados?

Em primeiro lugar, a importância de dizer não. O principal ganho associado ao envelhecimento é a conquista da liberdade. Eles se libertaram da necessidade de agradar a todo mundo, da preocupação com a opinião dos outros, do medo de ser diferente. Como muitos disseram, é fundamental para a felicidade adotar a filosofia do “foda-se!”. É uma verdadeira revolução.

Em seguida, a mudança de foco. Eles destacam a necessidade de colocar o foco na própria vontade. Mostraram que, quando mais jovens, sempre se colocaram em segundo plano e buscaram satisfazer os desejos dos filhos, cônjuges, pais e amigos. Mais velhos, e com a certeza de que o tempo é um bem precioso e não pode ser desperdiçado, perceberam que é preciso priorizar o tempo para cuidar da própria saúde e construir projetos de vida com significado e prazer.

Também descobri que a comparação produz infelicidade. Aprendi que não devo me comparar com (e também não invejar) mulheres mais jovens, mais bonitas, mais seguras, mais poderosas etc. Só a maturidade pode me dar a segurança necessária para “ser eu mesma” e não querer ser diferente do que sou. Descobri que devo investir muito mais nos meus pontos positivos, nas minhas qualidades, e aceitar com carinho (e com humor) os meus defeitos, faltas e imperfeições.

Aprendi a importância de rir mais de mim mesma e dos outros. Não levar tudo tão a sério e cultivar o bom humor. Muitos sofrimentos inúteis podem ser evitados com boas risadas. Descobri que posso resgatar a criança que ainda existe dentro de mim, brincar muito mais e ser muito mais feliz.

Com tudo o que aprendi nestes anos de pesquisas e reflexões sobre o envelhecimento, passei a repetir um mesmo mantra: “Velho é lindo! Viva a bela velhice!”

Um comentário

  1. A velhice é exatamente isso, concordo.

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