O drama do “bulling” contra pessoas mais velhas no trabalho

Experiência e conhecimento acumulado ao longo de anos naquela atividade, de repente são descartados pelo simples fato de não manejarem os recursos da informática com a rapidez e a facilidade da molecada de hoje

Cris Campos, 50emais

Não me refiro àqueles maus-tratos praticados em clínicas ou dentro dos lares por cuidadores ou familiares despreparados para lidar com idosos vulneráveis. Falo daquelas pessoas que, apesar de terem ultrapassado a casa dos 60, continuam em plena atividade. É o bullying que atinge, nos ambientes de trabalho, pessoas cuja experiência e conhecimento acumulado ao longo de anos naquela atividade, de repente são descartados pelo simples fato de não manejarem os recursos da informática com a rapidez e a facilidade da molecada de hoje.

Menos que uma agressão explícita, é uma impaciência velada. Uma pressão diária para que o idoso alcance a mesma produtividade dos que poderiam ser seus filhos ou netos. Uma total incapacidade, por parte das chefias, de lidar com a diversidade.

Num momento em que a palavra de ordem, no Brasil e no mundo, é inclusão, aceitação das limitações, em que vemos empresas conscientes contratando portadores de necessidades especiais das mais variadas, idosos são olhados com uma condescendência educada, porém psicologicamente violenta, disfarçada de paternalismo.

Na comédia “Um Senhor Estagiário”, Robert de Niro vive um idoso desses. A princípio desprezado por sua falta de intimidade com a informática, aos poucos, pelas sua idéias e vivências, acaba sendo reconhecido e valorizado por chefes e colegas.

Infelizmente na vida real, poucos casos chegam a esse final feliz. O que mais se vê são profissionais, em plena força do trabalho, cansados de serem sempre os primeiros suspeitos de tudo o que acontece de errado no trabalho, se abaterem e caírem em depressão diante de tanta insensibilidade por parte daqueles que deveriam estar mais preparados para lidar com recursos humanos.

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