Para envelhecer bem é preciso se preparar para essa fase da vida

Envelhecer bem é uma arte que necessita ser cultivada desde cedo

Maya Santana, 50emais

Podemos resumir assim este artigo que a Dra. Maisa Kairalla escreveu para a Abril: quanto mais cedo a gente começa a se preparar para a velhice melhor a gente vai estar quando chegar nessa fase da vida. Uma pena que a gente só compreenda isso quando já chegou a uma certa idade. Segundo Dra. Maisa, “os hábitos que cultivamos ao longo da vida são responsáveis por 70% do que vamos colher em nossa velhice (positiva ou negativamente). Os outros 30% são fatores genéticos.”

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Quando você lê ou ouve a palavra “envelhecimento”, o que lhe vem à mente? Mais do que isso: você costuma pensar sobre os anos lá adiante, sobre essa coisa chamada “velhice”?

Como médica geriatra, já na casa dos 40 anos de idade, me considero uma das “idosas do amanhã”. Ao longo do tempo em que atuo no campo do envelhecimento, tenho aprendido que, quanto mais refletirmos sobre o assunto, melhor chegaremos à nossa velhice.

Sempre que me questionam sobre o “segredo para envelhecer” — uma pergunta de 1 milhão de dólares —, costumo dizer que não há mistério, fórmula mágica ou fonte da juventude. Uma das chaves para envelhecer bem consiste em se preparar para essa etapa da vida.

E acredite: a expectativa é que a maioria de nós vá alcançar o que se convencionou chamar de “terceira idade”. A grande questão, porém, não é só chegar lá. É chegar bem.

Então a partir de quando deveríamos nos preocupar em como seremos lá na frente? Eu diria que desde que nascemos.

Os hábitos que cultivamos ao longo da vida são responsáveis por 70% do que vamos colher em nossa velhice (positiva ou negativamente). Os outros 30% são fatores genéticos. Por isso, o ideal é que, desde crianças, tenhamos um olhar voltado para o processo de envelhecimento. Organicamente, é a partir dos 28 anos de idade que o ser humano entra na rota do envelhecimento. Pele, cabelos, órgãos e tecidos passam a sentir o que é um caminho natural da vida.

Digo que um dos maiores inimigos da velhice é exatamente o medo de ficar velho. É ele que leva as pessoas a não pensarem sobre o assunto. Uma pesquisa recente, que ouviu 2 mil brasileiros na casa dos 55 anos de idade, aponta que boa parte das pessoas tem um certo receio em relação ao que as espera no futuro. Ainda é comum associar a velhice a circunstâncias negativas, como solidão, abandono, incapacidade e doença.

Devido a essas associações, as pessoas acabam se distanciando mais e mais de pensar em como vão envelhecer. Se você tem agido dessa maneira, quero lhe convidar a rever suas percepções.

É que essa visão se torna uma barreira para chegar bem à velhice e permanecer nela com saúde, qualidade de vida, dignidade e autonomia. Temos de transformar essa percepção, mas como fazer isso?

Acredito que nossa missão passa por educar a população para envelhecer bem – tanto do ponto de vista físico, como também emocional, social e financeiro – ao longo de toda a vida, em vez de esperar alcançar os 60 anos para começar a pensar e a agir sobre isso.

Há décadas as sociedades lutam por melhorias em prol do aumento da expectativa de vida. O arsenal de ferramentas e conhecimentos de que dispomos hoje para prevenir doenças é enorme. Mas não basta conhecer. Precisamos criar consciência para botar em prática essas recomendações. Alimentação equilibrada, prática de exercícios, controle do estresse, manutenção de uma mente ativa e das relações sociais, vacinação… há um conjunto de medidas que ajudam a garantir uma maturidade digna e saudável.

Precisamos planejar. Desde cedo. Educar e empoderar o jovem de hoje, que será o idoso de amanhã. Tenho dois filhos – uma menina de 2 anos e um menino de 5. É essa visão sobre envelhecimento que espero transferir como legado para eles.

Também temos muito trabalho a fazer com a população idosa de hoje. Romper estigmas para que o indivíduo mais velho seja valorizado e visto fora do espectro do “aposentado” ou do “inválido”. Lutar para que o termo “idoso” não mais seja encarado com um cunho pejorativo, mas, sim, como uma atribuição de um cidadão ativo, respeitado e produtivo, física e intelectualmente – ainda que venha a ter certas limitações.

E, mesmo que essa pessoa adoeça ou fique dependente dos outros, temos o dever de tratá-la com o respeito e o carinho que ela merece. Devemos valorizar aqueles que envelhecem até o último dia de vida e manter vivos aqueles que amamos em nossas lembranças.

Não podemos deixar que uma determinada condição de saúde tire o brilho de ser uma pessoa idosa. Os anos não devem roubar de nós quem somos, mas lapidar nossa essência, concretizar nossas conquistas.

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