Pedro Bial conta como se sente ao chegar aos 60 anos de vida

O jornalista e apresentador fará aniversário quinta-feira, 29 de março

Maya Santana, 50emais

Pedro Bial completa 60 anos na próxima quinta-feira, 29 de março, poucos meses depois de ter se tornado pai novamente, pela quarta vez. No início de novembro, nasceu Laura, filha da também jornalista Maria Prata. O apresentador volta ao ar agora em abril com a segunda temporada do excelente “Conversa com Bial”. No intervalo entre uma entrevista e outra, ele contou, neste vídeo para o 50emais feito pelo diretor de conteúdo do programa, Ingo Ostrovsky, como se sente ao chegar à sexta década de vida:

Há quatro anos, em 2014, quando Pedro Bial completava 56 anos, fiz uma pequena entrevista com ele, para saber como estava encarando o envelhecimento. Veja o que ele disse:

– Você é daqueles que pensam muito no próprio envelhecimento?

Não que eu pense muito sobre a minha idade em particular, mas como nosso ofício nos leva a desenvolver o hábito da observação, e possível subsequente análise, muita coisa do que vejo, escuto, consumo, aprecio e desprezo no meu cotidiano me remete ao tempo. Aos novos tempos, que sempre nos levam aos nossos particulares tempos passados. A música que se escuta no rádio abre um “pop up” para outra música, a notícia no jornal, a moda, a palavra, o vocabulário da hora – as novidades em geral ativam a memória.
Vivemos tempos tão espantosos, presenciamos uma revolução tão profunda, a revolução da informática, tudo é tão irreconhecível, que é difícil não perceber que você se tornou uma figura “de época”. O que só torna tudo mais divertido.

Tentando ser claro: como tudo anda tão diferente, não há como não perceber que nós mesmos estamos diferentes. A velhice é uma baita diferença.

Daí penso, e principalmente tento fazer ginástica. Fui atleta quando jovem, e trago sequelas de meu arrojo adolescente e da medicina esportiva da época. Tornozelos, joelhos, quadris, coluna, ombros, artroses, um compêndio de afecções ortopédicas. O “hardware”doloroso é o maior impulso rumo à esteira e aos pesos. É um saco fazer, mas para ter mínimos bem estar e qualidade de vida, puxo os ferros toda manhã.

Com a filha, a talentosa artista plástica Ana Bial

Com a filha, a talentosa artista plástica Ana Bial

Tem alguém que você admira pela postura diante do envelhecimento? Você gostaria de envelhecer como quem?
É tão pessoal isso, né? Sim, admiro, por exemplo, o velho em que David Bowie se tornou. Mas sempre o admirei também por sua postura diante da juventude… E Bowie não vale, ele não é daqui! Minha mãe tem garra, vai fazer 90.

Constanza Pascolato deu uma entrevista linda, creio que semana passada, acho que ao Estadão, em que me identifiquei com um certo fatalismo diante do inevitável. Parece que, depois de uma certa idade, vai-se negociando com o tempo, e o tempo é um negociador inflexível. Então, vamos fazendo as coisas que gostamos de fazer, até não podermos mais fazê-las. E nossa rotina torna-se uma administração procastinatória constante, dosando tudo o tempo todo, aqui e ali, de um raio de sol a uma dose de tequila.

Daqui a três anos, você chegará aos 60. Será oficialmente, portanto, um idoso. Sendo um homem tão bonito como é, como você sente a chegada da idade?
Segundo os meus cálculos e a OMS, como vivo na metrópole do Rio de Janeiro, pertenço a um estrato que só chegará tecnicamente à velhice aos 65 anos. (eu deveria botar “rsrsrsrs” depois dessa frase, mas somos de época…)
Obrigado pelo elogio! Do alto de minha modéstia, acho que estou mais bonito agora.

Com os dois filhos mais novos, José Pedro e Theo

Com os dois filhos mais novos, José Pedro e Theo

Procuro me alimentar com consciência. Consciente que estou fazendo merda… O maior problema é que, com os anos, a gente aprecia muito mais e melhor o sabor de tudo, e qualquer nada engorda.

– Com o os horários difíceis em que trabalha, você consegue se alimentar corretamente?
Nem sempre, nem sempre… Você tá parecendo meu médico, eu hein…

– O que você faz para se manter em forma? É esbelto, controla o que come?
Tenho minha lamentável barriga, pelejo contra ela. Como disse, malho à vera, todos os dias. Negocio minhas refeições da seguinte forma: já que é hora de comer, tento comer bem. Não necessariamente muito, ao contrário. O prazer pode ser bom conselheiro.

– Seus amigos acham você um excelente cozinheiro. Na cozinha, o que mais dá prazer?
Concentrar-se no que minhas mãos estão fazendo, os cheiros, gostos, texturas e temperaturas. A taça de vinho e, cereja do bolo, a companhia para quem você está cozinhando.

Nos tempos de correspondente da TV Globo na Europa

Nos tempos de correspondente da TV Globo na Europa

– Você foi jogador de basquete, repórter, repórter especial, correspondente no exterior, apresentador de programa de literatura, do Fantástico, do Big Brother, do Na Moral, diretor de cinema, escritor … O que você gostaria de fazer que ainda não fez?
O que está para ser feito, em variações a partir dessas atividades, sempre algo gestado em texto.

– Você namorou muito (…e ainda namora…), foi casado várias vezes. O que você aprendeu com as mulheres?
Além de ter medo delas, acima de tudo a versatilidade, a simultaneidade. Mas homem não consegue, persegue.

– Recentemente, você disse numa entrevista que não se casaria de novo. Por quê?
Já deixei para alguns o legado de minha miséria, passei os genes adiante. Nunca fui um bom marido, mesmo quando me dediquei a isso. Tá bom assim. Talvez, um dia…

– Do que você sente saudades? E do que não sente saudades?
Da visão incrível que tinha, do vigor, da saúde de ferro. Tenho saudades de tudo, mas não sofro de saudade.

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