Perto dos 89, Fernanda Montenegro conta sua história em livro

A extraordinária atriz completará mais um ano de vida em 16 de outubro

Maya Santana, 50emais

Eu sempre me pergunto como é que a quase nonagenária Fernanda Montenegro, que vejo na televisão praticamente desde de que nasci, consegue levar adiante a sua vida profissional – decorar textos, fazer gravações – com tanta galhardia. Uma das atrizes mais admiradas do Brasil, ela é um lindo exemplo de envelhecimento ativo, de luta para continuar independente e trabalhando até tarde na vida. Beirando os 89, que completa em 16 de outubro, a extraordinária Fernanda prepara-se para lançar, neste mês de julho, “Fernanda Montenegro – Itinerário Fotobiográfico”, contando sua trajetória nos palcos – um livro de fôlego, com 500 páginas e quase 700 imagens, colhidas ao longo de tanto tempo de trabalho.

Leia o artigo de Andreia Del Ré para o Estadão, sobre o livro, com lançamento previsto na Feira Literária de Paraty:

Nos últimos anos, Fernanda Montenegro tem feito um mergulho induzido em suas memórias. Além de uma autobiografia ainda em construção, a atriz, de 88 anos, passou oito anos dedicada a um livro que recupera sua trajetória de vida e carreira com um rico material fotográfico, incluindo fotos inéditas, além de documentos e artigos. Sob o apropriado título de Fernanda Montenegro – Itinerário Fotobiográfico, a publicação, com 669 fotos e 500 páginas, será lançada primeiro na Flip, no dia 27 de julho. Nesse revirar de baús, inevitavelmente, muitas lembranças especiais voltaram fortes. “Quando você vê uma foto, vem aquele elenco inteiro, aquela época, vem os teatros por onde a gente andou, as excursões que fizemos pelo Brasil, e, nessa altura da minha vida, quantos já se foram”, diz Fernanda, ao Estado, em tom meio saudoso.

É como se pequenos filmes de uma vida pública de 70 anos passassem pela sua cabeça. “Trabalhei dois anos com a (atriz e diretora Henriette) Morineau. Era de uma disciplina militar, uma mulher formada na escola da Comédie Française”, recorda-se. “O próprio (diretor) Gianni Ratto. Trabalhamos tantos anos, e o que esse homem me educou não apenas na disciplina hierárquica, mas na disciplina da adesão total ao processo do próprio jogo cênico.”

Ratto tem um espaço especial na vida e carreira da atriz – e, consequentemente, em seu livro. Morto em 2005, o diretor e também cenógrafo fundou a emblemática companhia Teatro dos Sete juntamente com Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Sergio Britto e Ítalo Rossi, todos egressos do TBC. Essa parceria rendeu importantes momentos para a atriz, como em A Moratória, de 1955.

Seu mais recente papel na TV:

Apesar dos grandes papéis na TV – ela acabou de viver Mercedes na novela O Outro Lado do Paraíso – e no cinema, foi no teatro que Fernanda se fez como atriz. E, no palco, conheceu o grande amor de sua vida, o ator Fernando Torres, com quem se casou e teve dois filhos, a atriz e escritora Fernanda Torres e o diretor Claudio Torres. No livro, há um capítulo dedicado a seu companheiro de vida. Lá estão a declaração de amor de Fernanda a ele, as fotos dos trabalhos juntos, de viagens, de cumplicidade, e os bilhetinhos que ele escrevia para a amada, até o fim de sua vida. Ele morreu em 2008. Fernanda lembra do encontro dos dois, em dezembro de 1950, no espetáculo Alegres Canções nas Montanhas. “Mas a gente se cruzava antes na Cinelândia, que era o centro cultural do Rio na época”, conta. Aliás, essa peça marcou a estreia profissional de Fernanda como atriz.

Nascida e criada no subúrbio carioca, Arlette, nome de batismo da atriz, começou no rádio, aos 15 anos. Trabalhou durante 10 anos na Rádio MEC, como radioatriz e locutora. Lá esteve à frente também do programa Passeio Literário, época em que surgiu seu nome artístico, com o qual ficou famosa. “Eu tinha de ter uma redação como Fernanda Montenegro, e, como locutora e radioatriz, eu era Arlette Pinheiro. Começou a nascer essa outra entidade ali”, graceja. Sua prima e sua irmã ainda se referem a ela como Arlette. Já Fernando sempre a chamou de Fernanda. “Ele me conheceu como Fernanda e levou a Arlette de sobra. Na verdade, levou muitas”, diverte-se. Clique aqui para ler mais.

2 comentários

  1. Olá Maya! Tentei mandar uma mensagem para você no ‘contato’, mas está ocorrendo um erro e não consigo enviar. Por favor, é possível informar seu e-mail? Gostaria de propor uma parceria.
    Beijos,
    Lara

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