Por que certas pessoas têm tanto medo de envelhecer? Você tem?

Quando pensamos no medo de envelhecer, pensamos ao mesmo tempo no medo das pequenas mortes que circundam o envelhecimento: a morte da vitalidade, do status, do poder, da identidade…

Maya Santana, 50emais

Eu acredito que todo mundo, homens e mulheres, em maior ou menor grau, tem medo do envelhecimento. O medo pode ser ainda mais intenso para quem foi bonito na juventude e se acostumou a valorizar a estética, a aparência, mais do que qualquer outra coisa. De qualquer maneira, o temor me parece natural. Próprio do mistério que é a própria vida. Envelhecer significa que estamos chegando mais perto da morte, esse tabu terrível sobre o qual não conseguimos nem conversar. O que não é natural é o medo excessivo do envelhecer, aquele que paralisa e deprime. Afinal, a única certeza que temos é que a existência é finita. Querendo ou não, vamos nos transformar ao longo da caminhada e, lá na frente, em hora e data que desconhecemos, vamos acabar.

Leia o interessante artigo do site Contioutra.com, de autoria do psicólogo Sérgio Félix:

Apesar de todas as buscas pelo elixir da eterna juventude, até o momento ninguém conseguiu frear a roda do tempo e estancar os efeitos que a idade acarreta à vida.

Quando chega o medo de envelhecer, o melhor mesmo é refletir a respeito dos outros sabores que torna a existência tão prazerosa quanto a vitalidade física de outrora.

1 – Por que algumas pessoas tem medo de envelhecer?
O medo de envelhecer, assim como todos os outros medos, tem como origem o medo do aniquilamento e da própria morte.

Quando pensamos no medo de envelhecer, pensamos ao mesmo tempo no medo das pequenas mortes que circundam o envelhecimento: a morte da vitalidade, do status, do poder, da identidade, dentre outras.

Os medos de um modo geral relacionam-se com o apego que cada um desenvolve no decorrer da sua vida. Normalmente uma personalidade narcísica apresenta mais dificuldades em encarar as mudanças naturais da vida.

Outro fator que contribui significativamente para o modo como encaramos o envelhecimento e, por conseguinte, a morte está naquilo que assumimos como crença pessoal e cultural. Hoje o culto à eterna juventude e as exigências sociais para que se atendam aos quesitos de beleza e poder ganharam uma evidente importância coletiva. Diferentemente de outros tempos e de outras culturas que tomavam a velhice como uma fase suprema da vida, repleta de sabedoria e de respeito aos ciclos da natureza.

2 – O medo de perder a companhia dos filhos está relacionado a isso?
Com a chegada da velhice surge também a necessidade de reedição dos antigos papéis que foram muito provavelmente exercidos durante décadas. Um deles é o papel de provedor e responsável pelo bem estar dos filhos. Mais que perder a companhia dos filhos, verificamos que há a ameaça de perder a sua função dentro da família. O que dizer a uma senhora que durante décadas cuidou com zelo e afinco dos seus filhos e se exerceu dentro desta importância? Como dizer a ela: “Agora os seus cuidados não são mais necessários”? Costumamos observar que muitas mães e pais tomam os cuidados dos netos, dentre outras coisas, como forma de manter a sua antiga posição.

É bem provável que a velhice possa aparecer com o que muitos consideram solidão. Isto acontece muito mais fortemente para aqueles que seguem olhando para trás, ou que negam o momento atual como de igual importância como qualquer outra fase da vida, tal qual a infância, adolescência e juventude.

3 – Além da estética, quais outros fatores estão ligados a esse medo? Por quê?
A estética é a parte que explicita mais flagrantemente a chegada da velhice, mas outros fatores se somam, por exemplo, a sensação da “perda do tempo”. Para o velho, esta percepção da escassez do tempo é vivida de modo contínuo, por isso a estrutura mental que suporta o “plano de futuro” se diferencia do jovem. Em sua apressada conta, não há mais o tempo como recurso, o porvir… O fazer deve fincar raízes no aqui e agora. E nisso há normalmente duas reações: a ansiedade pode encontrar espaços e agravar a situação gerando um desmantelamento das ações; ou então a pessoa pode ser levada a aprofundar suas experiências no tempo presente, trazendo mais eficiência e prazer em tudo o que faz.

Há ainda o medo das perdas que envolvem o envelhecimento como o poder de mando e decisão, da virilidade, das relações sociais, da autoimagem e do próprio corpo. Neste último deriva-se o medo da autonomia e até de ficar numa situação de clara dependência, como as que se observa em quadros clínicos com severas limitações físicas ou de dependência financeira. Clique aqui para ler mais.

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