Por que Santos é a melhor cidade para se viver depois dos 60

Friancisco Aguiar, 71, se equilibra numa prancha de surf durante uma aula

Maya Santana, 50emais

Santos fica a beira mar, situada a cerca de 83 km de São Paulo, e abriga uma população que chega perto de 500 mil pessoas. É uma cidade de porte médio, que há anos vem adotando políticas específicas para seus habitantes mais velhos – em torno de 20% de seus habitantes. Foi uma das primeiras cidades do país a construir condomínios para pessoas idosas – a partir dos 60 anos. E há vários outros programas sociais para as pessoas dessa faixa etária. O lazer dos moradores gira em torno da praia, onde é comum ver homens e mulheres de 70, 80 anos praticando surfe.

Leia o artigo de Luiz Alexandre Souza Ventura para o Estadão:

As caminhadas à beira-mar, nas primeiras horas da manhã, são sagradas para Maria do Rosário Evangelista, de 76 anos. “O céu ainda está clareando e já estou na praia”, comenta a aposentada, que nasceu em Coronel Xavier Chaves, na região de São João Del Rei – a 174 quilômetros de Belo Horizonte (MG) -, e mora em Santos, no litoral sul paulista, desde 1997.

Maria do Rosário Evangelista, 76, caminha toda manhã na praia

Maria conheceu o município paulista muito tempo antes de deixar para trás a terra natal. “Toda vida gostei daqui”, diz. Ela faz parte de uma população que encontrou na Baixada Santista muitas qualidades para uma vida saudável.

Andar na praia é certamente a atividade mais praticada, mas outros detalhes atraem cada vez mais a atenção de mulheres e homens, representantes da geração sênior – ou a terceira idade -, que busca bem-estar. Atualmente, entre os 434.359 habitantes de Santos, 80.353 têm mais de 60 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Muitos, a exemplo de Maria do Rosário, decidiram carregar “mala e cuia” para aproveitar o que a cidade oferece.

O Índice de Desenvolvimento Urbano para Longevidade (IDL) – iniciativa do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon e da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV/EAESP) – considerou Santos a melhor cidade no Brasil para se viver após os 60 anos. Florianópolis, Porto Alegre, Niterói, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Jundiaí, Americana, Vitória e Campinas também estão na lista. O estudo usou uma metodologia inédita, com o cruzamento de 63 indicadores divididos em sete variáveis (indicadores gerais, cuidados de saúde, bem-estar, finanças, habitação, educação e trabalho, cultura e engajamento), de 498 cidades brasileiras de grande e pequeno porte, avaliando até o clima.

Aposentadas, elas se encontram na praia para se exercitar e deixar o corpo em dia

O trabalho durou 14 meses, de julho de 2015 a setembro de 2016. “Um dos principais objetivos da pesquisa é mostrar ao gestor público que a cidade tem qualidades, mas também pode melhorar em muitos aspectos”, explica Antônio Leitão, gerente do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon.

Santos teve destaque na economia por apresentar um pequeno porcentual da população com baixa renda, também pela elevada nota em cultura e engajamento e por ser uma das cinco com melhor nota em bem-estar. “O fato de Santos liderar o ranking não significa que a cidade não tem problemas”, afirma Leitão. “A desigualdade na distribuição de renda é um fator que merece atenção. E, uma vez que o município é líder no índice de envelhecimento, é necessário ampliar a oferta de condomínios residenciais para idosos”, diz o gerente.

Aquecimento, antes de começar a surfar

Três rankings foram elaborados. Um para o envelhecimento da população em geral, outro para pessoas com idade entre 60 e 75 anos e o terceiro para aquelas acima de 75 anos. Para Ana Bianca Flores Ciarlini, coordenadora de Políticas da Pessoa Idosa da Prefeitura de Santos, não é surpresa que a cidade esteja no topo dessa lista, mas sim fruto de um trabalho voltado especificamente para essa população. “Nós temos diversos programas e ações instaladas em várias secretarias, centros de convivência com atividades ao longo de todo o dia e o Espaço do Idoso, onde oferecemos 30 modalidades. O atendimento foi ampliado neste mês e passamos a receber mil pessoas diariamente”, diz a coordenadora.

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A base, explica Ana Bianca, é o conceito do envelhecimento ativo. “Abrimos vagas para cursos de educação financeira, fotografia, arteterapia e outras disciplinas. A cidade mantém atividades esportivas na praia, principalmente na água, e também nos postos dos bombeiros ao longo da orla. E estamos elaborado uma pesquisa sobre o trabalho de mindfulness (técnica de meditação).” Clique aqui para ler mais.

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