Publicitário chama a classe artística para ajudar João Gilberto

O cantor teve que deixar o apartamento em que vivia, no Leblon, no Rio

Maya Santana, 50emais

Mais um capítulo da triste saga do cantor João Gilberto, pai da Bossa Nova, músico venerado no circuito internacional pela sua genialidade. O artista, de 86 anos, chegou a um estado de penúria financeira tal, a ponto de ter que se mudar do apartamento onde morou há décadas no Leblon, no Rio, por não ter mais meios de pagar o aluguel. Agora, o bem sucedido publicitário Nizan Guanaes, baiano como João Gilberto, está tentando reunir um grupo de amigos do recluso músico dispostos a ajudá-lo financeiramente, de forma que tenha um final de vida menos traumático do que o que está vivendo no momento.

Leia o artigo de Roberta Pennafort para o Estadão:

Fã de João Gilberto, o publicitário Nizan Guanaes está tentando mobilizar artistas para ajudar o cantor, que passa por dificuldades financeiras e de saúde. Nizan ainda não tem nada fechado, mas espera poder contribuir para o bem-estar do criador da batida da bossa nova.

“Estou vendo todas as possibilidades. O João é um patrimônio do Brasil e da humanidade, e muita gente quer ajudar. Mas é uma situação muito complexa e difícil, que envolve família, credores, processos judiciais… Estou falando com muitos artistas, especialmente com os baianos, e todos querem ajudar”, disse Nizan, baiano como João, sem dizer quem já se comprometeu.

O músico já está sendo auxiliado por Caetano Veloso e Chico Buarque, que mantêm longas relações de afeto e admiração com ele e lhe dão suporte sem fazerem alarde. Aflito com as notícias sobre a penúria do cantor, Nizan quer contribuir para “resolver as questões que estão impedindo o João Gilberto de ter o conforto que merece nessa fase de sua vida”.

Fundador do Grupo ABC, o empresário viveu em 1999 um episódio controverso: o show de João que abriu o Credicard Hall. O cantor, notório perfeccionista, reclamou do som e acabou vaiado, retrucando ao público: “Vaia de bêbado não vale”.

“Ele foi muito João Gilberto, e reclamou do som com razão. Outros músicos relevariam aquilo, era estreia da casa e nem tudo estava no nível de perfeição joãogilbertiano – um nível, convenhamos, que talvez só as maiores casas de música clássica do mundo alcancem. Naquela noite eu disse que era melhor consertar o som do que consertar o João. As queixas que ele fez lá do palco fizeram tanto barulho que o Credicard Hall entrou no mapa cultural imediatamente, e a casa é um sucesso até hoje”, lembra.

“A situação dele é muito triste, e o Brasil precisa encontrar formas de ajudá-lo. Ele é puro ‘soft power’ brasileiro, admirado no mundo todo, um retrato da excelência que o Brasil pode e deve buscar”, defende. “Se ele fosse uma outra pessoa estaria rico com sua arte, mas não creio que o dinheiro tenha sido um vetor importante na sua vida. Ele esteve sempre focado na sua grande arte.” Clique aqui para ler mais.

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