Rita Lee chega aos 70 vivendo “um momento bicho grilo total”

“Estou num momento bicho grilo total, enfurnada na toca que é meu universo cheio de bichos e de plantas”

Maya Santana, 50emais

Se havia alguma dúvida que Rita Lee voltaria aos palcos, a própria cantora se encarrega de dissipá-la ao responder pergunta do site band.com.br: “Seria humanamente impossível voltar a chacoalhar o esqueleto agora, aos 70 anos, como costumava e gostava de fazer”, diz ela, explicando: “Se for pra cantar sentadinha feito múmia prefiro ficar em casa tricotando”. Rita Lee, nossa rainha do rock, está completando 70 anos de vida neste último domingo do ano – 31 de dezembro. A cantora, que lançou sua autobiografia no final do ano passado, vive com o marido, o músico Roberto Carvelho, em um sítio, nos arredores de São Paulo, realmente cultivando uma vida campestre, curtindo suas plantas e animais. Ela deu uma pequena entrevista.

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Quando tinha 30 anos, Rita Lee lançou Modinha. “Ai, quem me dera um dia ficar de papo pro ar tirando um som numa viola”, diz o refrão da delicada música, estranha no ninho do roqueiro álbum Babilônia, o último gravado com a banda Tutti Frutti. Parece uma pista do que Rita Lee queria para si dali para a frente, depois de experiências intensas como a saída dos Mutantes e uma temporada na prisão por ter sido acusada de portar maconha. A recente chegada de Roberto de Carvalho em sua vida sugeria menos barulho e mais calma.

Ao lado de Roberto, Rita promoveu uma nova transformação no pop brasileiro, privilegiando as sutilezas amorosas. Mania de Você, Baila Comigo e Caso Sério foram por esse caminho. Mas excessos, vícios e superexposição não lhe deram a paz que encontrou em 2012, quando anunciou sua aposentadoria dos palcos. De lá para cá, ela tem feito raras aparições públicas e vem se dedicando à literatura. Escreveu uma autobiografia em que se expôs com sinceridade, além de Storynhas (2013), ilustrado por Laerte, e Dropz (2017).

Rita faz 70 anos hoje, do jeito que quis um dia. De papo pro ar em sua chácara nos arredores de São Paulo, tirando um som quando quer, cuida da horta e de bichos num eterno domingo. Ela respondeu a perguntas da reportagem por e-mail sobre a chegada da nova idade. Diz estar “dando corda” para a escritora e ter músicas inéditas. Shows, nunca mais. “Estou num momento bicho grilo total, enfurnada na toca que é meu universo cheio de bichos e de plantas”.

Pergunta – A passagem do tempo foi bem retratada na sua obra. Visões do que poderia ser o futuro (‘2001’), lembranças do passado (‘Eu Sou do Tempo’)e o cotidiano apressado (‘Corre-Corre’), só para citar algumas músicas, mostram que você esteve pensando nessas questões. Chegar aos 70 anos é um estímulo para valorizar o que fez de bom ou pensar no que pode fazer daqui para a frente?

Rita Lee –As duas coisas… Eu me orgulho de ter sido quem fui, das músicas que fiz, dos shows que apresentei.Agora estou com tempo de sobra para novas experiências empolgantes, como brincar de ser dona de casa, pintar quadros, cuidar da horta, lamber meus filhos e bichos, escrevinhar histórias, acompanhar os netos e aprender com eles sobre as modernidades do mundo.

Pergunta – Quando você estava quase chegando aos 50 anos, lançou um rock chamado ‘Menopower’, com letra que falava em “cinquentona adolescente”.Essa adolescente ainda está aí? Ou a maturidade a deixou escondida?

Rita Lee – A criança, a adolescente e a madura estão lá no meu arquivo existencial, basta puxar e revivê-las quando quero. Experimentei todas intensamente. Minha nova fase de velha está sendo mais serena e sarcástica, mas não menos interessante.

No sítio, perto de São Paulo, onde vive com o marido, Roberto Carvalho, suas plantas e bichos

Pergunta –Uma Autobiografia foi um sucesso editorial em um país que lê pouco, e logo depois veio ‘Dropz’. A escritora vai substituir a cantora e compositora ou as duas têm convivido numa boa?

Rita Lee –A cantora se aposentou dos palcos mas não da música, continuo compondo como sempre fiz, só falta lidar com minha preguiça para encarar um estúdio. A escritora ainda é novidade para mim, o ‘santo’ anda baixando naturalmente e eu apenas lhe dou corda. Clique aqui para ler mais.

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