Rosely Lopes: a astrônoma brasileira que trabalha para a Nasa

A carioca, 51, tem carreira internacional como astrônoma e vulcanóloga

Maya Santana, 50emais

Achei esta história muito boa: uma brasileira, 51 anos, que trabalha na agência espacial americana. Rosely Lopes é carioca e desde 1991 faz pesquisas para a Nasa, na Califórnia, Estados Unidos. Vale muito a pena ler esta matéria, de Evanildo da Silveira, da BBC Brasil, sobre ela. Uma história de determinação e disciplina. “Ainda era pequena quando fui descobrindo que eu era mulher, brasileira e super míope”, diz ela. “Então não dava para ser astronauta. Por isso, ainda menina resolvi me tornar cientista e trabalhar para a Nasa no programa espacial” – conta ela, que se inspirou em outras mulheres de sua família.

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Da ensolarada e quente praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, onde os termômetros podem alcançar 40ºC, a um dos pontos mais frios do sistema solar, a lua Titã, de Saturno, onde a temperatura gira em torno de 200ºC negativos. Essa são, por enquanto, as duas pontas – com muito trabalho no meio – da carreira da astrônoma, geóloga planetária e vulcanóloga brasileira Rosaly Lopes, que desde 1991 trabalha como pesquisadora do Jet Propulsion Laboratory (JPL), da Nasa, em Pasadena, na Califórnia.

A carioca nasceu no dia 8 de janeiro de 1957 e vem de uma família de classe média, com pai dono de empresas de engenharia e mãe formada em música, mas que trabalhou como corretora.

Rosaly realiza pesquisas sobre a Titã – a maior lua de Saturno e a segunda do sistema solar, atrás de Ganimedes, satélite natural de Júpiter – a partir dos dados recebidos da nave Cassini-Huygens. Lançada em 15 de outubro de 1997, ela entrou em órbita em 1º de julho de 2004 e terminou sua missão em 15 de setembro de 2017.

Até chegar nesse ponto da carreira, foi uma longa caminhada, na qual contou com o apoio decisivo da família. Rosaly conta que, embora nunca tenha tido parentes cientistas, ela teve entre os familiares mulheres pioneiras nos estudos.

“Minha avó materna, nascida em 1900, era professora, e a mãe dela foi a primeira mulher brasileira a completar o ensino secundário”, orgulha-se. “Uma irmã de minha avó foi uma das primeiras enfermeiras do Brasil, treinada nos Estados Unidos. Então, havia uma tradição de membros femininos da família estudarem, mesmo sendo difícil na época.”

Rosaly em trabalho de campo no Havaí; ela já escreveu livro sobre vulcões da Terra

Seu gosto pelo espaço e pela astronomia surgiu, no entanto, antes dos estudos. Ela tem lembranças dessa atração desde os quatro anos, quando, em 1961, o cosmonauta russo Yuri Gagarin se tornou o primeiro ser humano a entrar em em órbita da Terra, no dia 12 de abril.

“Eu me lembro dos meu pais falando que esse russo tinha ido ao espaço e achei aquilo uma maravilha”, conta. “Eu não sabia nem o que era um russo, ainda mais como ele tinha subido lá em cima.”

‘Mulher, brasileira e míope’
Decidiu então que seria astronauta. Logo percebeu, no entanto, que era quase impossível realizar este sonho.

“Ainda era pequena quando fui descobrindo que eu era mulher, brasileira e super míope”, diz. “Então não dava para ser astronauta. Por isso, ainda menina resolvi me tornar cientista e trabalhar para a Nasa no programa espacial”.

O Programa Apollo, um conjunto de missões espaciais coordenadas pela agência espacial americana entre 1961 e 1972 com o objetivo de colocar o homem na Lua, também teve influência decisiva na escolha de Rosaly pela carreira científica, ligada a pesquisas espaciais.

“Eu cresci lendo sobre esse programa e a corrida para a Lua”, explica. “Além disso, me inspirou uma especialista que vi num jornal, Frances Northcutt, que trabalhou no Johnson Space Center, calculando órbitas para as naves Apollo. Ver uma mulher trabalhando lá foi uma inspiração.” Clique aqui para ler mais.

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