Rosiska Darcy, defensora intransigente das mulheres e do Brasil

Rosiska, jornalista e escritora,integra a Academia Brasileira de Letras

Maya Santana, 50emais

Sofisticada, culta, intelectual de primeira grandeza, defensora intransigente das mulheres e da democracia no Brasil, Rosiska Darcy de Oliveira é uma dessas mulheres que os brasileiros precisam conhecer e vão conhecer melhor agora que foi finalizado um documentário sobre ela. “Elogio da Liberdade”, título do filme, que você pode ver na noite deste domingo, às 21h, no canal Max, narra a luta eterna dessa guerreira em favor das mulheres, no sentido que elas tenham todos os seus direitos respeitados, e em favor da vigência de um regime democrático no país. Rosiska se posicionou contra a ditadura no Brasil(1964/1985). Viveu exilada 10 anos na Europa. “Elogio da Liberdade” registra para a História o trabalho admirável dela em favor de um Brasil melhor.

Leia o artigo de Alessandro Giannini para o Globo:

Referência no movimento feminista e na luta pelos direitos das mulheres no Brasil, a jornalista, escritora e ensaísta brasileira Rosiska Darcy de Oliveira foi também uma ferrenha opositora da ditadura no país. Sua trajetória como mulher engajada e sua carreira literária estão no centro de “Elogio da liberdade”. O longa, que marca a estreia da atriz Bianca Comparato na direção, chega neste domingo, às 21h, ao canal de TV por assinatura Max, com reprises nos dias 25 de abril, às 23h, e 27 de abril, às 11h.

O encontro dessas duas gerações não se deu por acaso. Foi Leila, mãe de Bianca (33 anos) e amiga de Rosiska (75), quem aproximou as duas. Um ano e muitos encontros depois, a atriz e agora diretora diz que mudou muito assim que começou a se aprofundar na obra da personagem:

— Lia a coluna dela no GLOBO, mas não sabia de sua história de vida. Depois que a conheci melhor, sinto que despertei, principalmente, para a posição da mulher na sociedade. Coisas que antes eu achava normais, hoje não acho mais — diz Bianca.

“Elogio da liberdade” explica o motivo. O filme revela a história de vida de Rosiska desde a infância em uma tradicional família burguesa do Rio até os dias atuais, passando pela entrada na universidade, quando o Brasil mergulha no regime militar, e pelo exílio de dez anos na Europa.

— É mais do que minha história pessoal, é a história de uma geração, de uma luta. E isso está muito bem contado por meio da vida de uma moça muito jovem até a idade madura que eu tenho hoje. Esse tempo coincidiu muito com o grande desenvolvimento do movimento das mulheres. Quando vejo o filme, vejo sobretudo a história dessa mudança que houve no mundo. Na minha vida nem se fala… — diz Rosiska.

Em um terceiro momento, recorda Rosiska, as mulheres começaram a falar de sua causa. Um marco, cita ela, foi o Planeta Fêmea, durante a Rio 92, quando mulheres se manifestaram sobre o estado do mundo e se assumiram como atrizes no cenário mundial:

— Hoje, o que se tem são movimentos globais. O #MeToo é um deles. É uma coisa de dizer “chega de assédio”. E acontece no mundo todo, com uma força imensa. Um dos méritos do filme é justamente mostrar como isso foi crescendo, se enriquecendo e se aprofundando.

No filme, Rosiska relembra também sua juventude e luta contra a ditadura, quando conheceu o marido, o diplomata Miguel Darcy de Oliveira, e depois ficou exilada na Suíça. Em 1969, ele iniciou a carreira diplomática e os dois partiram para Genebra, de onde denunciariam a tortura no Brasil. Em fevereiro de 1970, Miguel foi chamado de volta ao Brasil e ficou 40 dias preso no Itamaraty. Nessa época, a escritora diz que foi interrogada por 12 horas na embaixada brasileira, o que também denunciou a organismos internacionais. Eles voltariam a se encontrar, depois, na Europa.

Ao falar sobre esse período, a autora de “Reengenharia do Tempo” reflete sobre o mundo de hoje:

— Ainda que eu esteja assustada, sou uma pessoa esperançosa. Eu sei que a força da liberdade, do desejo de liberdade, é grande. E resiste, e tem seus mecanismos de defesa.

Veja o trailer do documentário Elogio da Liberdade:

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