Tarot da Semana: A dignidade do fazer

É do resultado do nosso labor que adquirimos bens materiais e imateriais

É do resultado do nosso labor que adquirimos bens materiais e imateriais

Alex Tarólogo

Diz-se que o trabalho dignifica o ser humano e essa pode ser uma grande verdade, desde que o dito trabalho seja dignificante, não exploratório e nem escravize quem o faz. O trabalho é uma das medidas que temos para avaliar nossos talentos, recursos pessoais, nossa ambição, coragem, foco e determinação.

É através do nosso esforço pessoal, do nosso comprometimento em busca de resultados positivos e concretos, que materializamos nossa criatividade, nossas habilidades e capacidades, e resultados visíveis, palpáveis, úteis, que nos possibilitam a satisfação dos nossos desejos e necessidades. É do resultado do nosso labor que adquirimos bens, materiais e imateriais, que nos mantemos saudáveis, que nos integramos nos processos da sociedade em que estamos inseridos. O trabalho, inclusive, é responsável pela qualidade do nosso lazer.

Mas o trabalho é um processo e a carta do tarot que representa uma das suas etapas é o 8 de Ouros, uma carta que nos fala sobre o a repetição das nossas ações e esforços, do aperfeiçoamento do nosso método de trabalho, do perpetuo continuum que é a manutenção das engrenagens (físicas ou mentais) que criam possibilidades, soluções e resultados.

Podemos ver na prática o que essa carta procura simbolizar se nos atentarmos a todo o processo de, por exemplo, uma escola de samba desfilar. É uma reunião de pessoas com diversos talentos e especialidades, anônimas (muitas) e conhecidas (algumas), unidas em torno de um objetivo maior e comum, que se repete anualmente, visando a manutenção de algo imaterial (a tradição do Carnaval) e material (os salários, prêmios e demais benefícios obtidos durante todo o processo) e que a cada ano busca superar-se, nos diversos quesitos em que pode ser avaliada.

Vemos o mesmo acontecer com o atleta que, não se importando com os sacrifícios, se empenha em ser campeão; o estudante que abdica de diversas outras atividades para dedicar-se ao aprendizado; o cientista que vai, através de muita tentativa e erro, em busca de uma solução efetiva;no longo caminho a percorrer pelo artista para refinar e amadurecer a sua forma de expressão.
E é na realização e continuidade do trabalho que os seres humanos vão se desenvolvendo, percebendo-se como criadores, capazes de “dar vida” à ideias, de concretizarem sonhos e possibilidades e, nesse processo, reconhecerem seu próprio valor e terem uma real dimensão do quanto contribuem para com a sociedade como um todo. Podemos então, por analogia, considerar que o processo do trabalho é um processo de aquisição da própria noção de dignidade.

Ainda que a expressão “ganharás o pão com o suor do teu rosto” contida no Antigo Testamento, possa parecer depreciativa ou mesmo um castigo, ela simboliza o abandono a um estado de inércia, de passividade, de alienação e o assumir as próprias escolhas e suas consequências, a decidir e conduzir o próprio destino, a construir-se, através da alquimia do esforço físico e intelectual, num ser digno da sua humanidade.

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2 comentários

  1. Querido, grata pelos otimos posts.
    Me passa seu contato, por gentileza.
    Grata
    Patricia

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