Tarot: É preciso mudar para evoluir

Evoluir é tudo o que a linguagem do tarot, com suas imagens, nos solicita.

Evoluir é tudo o que a linguagem do tarot, com suas imagens, nos solicita.

Alexandre Moreira, Tarólogo

Ler tarot é ler imagens. Não leio ou escrevo japonês, por exemplo, mas imagino que esse “alfabeto” de símbolos, caracteres que usam se assemelhe bastante com a leitura taromântica pois “ler” as imagens que se apresentam num jogo de tarot é interpretá-las em conjunto , formar uma nova figura mental, compreender o sentido da soma sem, entretanto, esquecer seus valores ou mensagem individual.

Como em tudo que nos interessa, fascina e com o passar do tempo e exercício da prática, acabamos por “ler” símbolos, imagens, figuras em toda a nossa volta. Na rua, a escola, no mercado, nas páginas das revistas, nas estampas dos tecidos, nos quadros e gravuras nas galerias, na maneira em que as pessoas se vestem, nos objetos que decoram os lares, etc. Como uma língua nova que decidimos aprender, as figuras das cartas de um baralho de tarot são palavras, expressões, adjetivos, afirmações, negativas, sentenças inteiras que vamos descobrindo o sentido apenas nos atentando a elas. É, portanto, preciso saber olhar.

Mas, convenhamos, ninguém vê as mesmas coisas da mesma maneira; ninguém enxerga pelo olhos dos outros. Ler as cartas do tarot é um aprendizado infinito, um exercício constante, um trabalho interminável. É algo que qualquer pessoa pode fazer desde que decida aflorar a intuição, descarte-se de preconceitos e outros pré-juízos e dedique-se a “sentir” as imagens como energias vivas, pulsantes, pedindo para serem decifradas.

Olhando, nesta manhã, a imagem que agora acompanha esta postagem, pensei de imediato no Arcano X, a Roda da Fortuna. Fortuna, como sorte, destino, sina, fado, algo sobre o qual, em princípio, não temos nenhum controle. Essa carta é aquela que, ao aparecer numa jogada, pode significar, basicamente, que as coisas vão mudar, seja lá o que forem “as coisas”. O que está bom pode piorar, o que vai mal irá melhorar, o que estava indo numa direção irá desviar para a oposta, e vice e versa. É um alerta de que algo que independe (na maioria das vezes) da nossa vontade, do nosso esforço ou interesse está para acontecer. Minha avó, em sua sabedoria bastante simplista, assim dizia: “não há bem que sempre dure, nem há mal que nunca acabe”. É por aí.

A 3 fiandeiras, as moiras, as tecelãs dos destinos dos seres provavelmente tenham sido uma das fontes de inspiração para essa carta, pois em suas mãos estavam todos os aspectos da Vida, desde o nascimento até a morte, episódios que elas regulavam. Ao menos para mim a imagem que ora ilustra este texto desperta em mim reflexões tais como: mudanças, alterações à vista, porém com uma grande parcela de colaboração minha. Reparem que é no capacete, do elmo que se guardam os fios que vão sendo tecido pela angelical figura feminina, que para mostrar a leveza, rapidez e volatilidade dos seus atos, calça uma sapatilha de dança. Ou seja, vou aceitando, de maneira racional, o material que constitui as possíveis e inevitáveis mudanças no porvir. Porém é a figura humana, no caso um homem, com aparência de importância, ereto, portentoso, quem controla o fio que é entregue pela tecelã, a confeccionadora do seu futuro. E é na cabeça dessa figura masculina que vemos, no lugar do seu elmo protetor, um ninho com ovos, símbolo de nascimento, de gestação de ideias e sonhos, de renascimento, de transformação, de fertilidade. É da figura humana que parte o desejo da mudança, por isso mesmo ela é representada em pé e não confortavelmente sentado na cadeira ao seu lado, exalando atividade (inclusive um pé à frente do outro), o agente provocador do que virá a acontecer. O que passou, passou e isso é bem representado pelo livro fechado, sobre a cadeira. A história vivida fica para trás, arquivada, naturalmente, para ser consultada quando for de interesse, mas é um capítulo já lido, já vivido.

Mudar é benéfico porque é desafiador. Tendemos a nos acostumar a tudo, inclusive ao sofrimento, à auto piedade, à preguiça, a uma zona de conforto que acaba por se tornar um potente anestésico. É preciso reagir, enfrentar, desafiar-se, reaprender-se corajoso, capaz. É preciso estar desperto, atento, preparado às mudanças que a Vida os solicita. É preciso, também, provocar essas mudanças quando algo começa a se estagnar, deixando de ter o mesmo antigo valor, deixando de ter a mesma importância que teve no passado. É preciso mudar para evoluir e evoluir é tudo o que a linguagem do tarot, com suas imagens, nos solicita.

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