Tarot da Semana: Sonhos, quem não os tem?

A Lua é a carta de número XVIII dos Arcanos Maiores do tarot

A Lua é a carta de número XVIII dos Arcanos Maiores do tarot

Alexandre Moreira, Tarólogo

Quem não nutre fantasias? Quem consegue reprimir a força da imaginação? Quem nunca se deixou levar por devaneios? Quem nunca passou noites insones criando imagens, vivendo cenas, se permitindo sonhar acordada? … Quem nunca?

A Lua é a carta de número XVIII dos Arcanos Maiores do tarot e localiza-se entre a da Estrela e a do Sol. E é exatamente esse espaço entre as esperanças e a confiança em dias melhores, que a Estrela simboliza, e, finalmente, a realização, a concretização dos desejos e projetos, prometida pela carta do Sol, que mora a Lua. A Lua, essa inspiradora de poetas, filósofos, músicos, pintores, enamorados…

Lua, que refletindo o brilho do Sol, ilumina a noite escura, cria sombras que escondem, permite silhuetas que revelam. Às vezes, ameaçadora, enigmática, soturna. Noutras, um farol a iluminar o caminho do viajante perdido, a clarear a noite dos que se aventuram pela escuridão. Envolta em histórias e lendas, arquétipo profundamente arraigado em todas as culturas, a Lua pode representar a mãe, a gestante, a protetora. Sua força é sentida no movimento das marés, no plantio das sementes e na colheita dos seus frutos.
Mas a noite, espaço de tempo que a Lua domina, usando das suas fases para mostrar-se aos poucos até o seu máximo esplendor para depois recolher-se e quase abandonar os céus, também é o símbolo da ilusão, de tudo o que não é real, verdadeiro, sólido. A noite é o terreno das mentiras, dos enganos, da confusão. Longe da claridade real do Sol, e sem o brilho próprio da Estrela, a Lua nada mais é do que um reflexo daquilo que desejamos, daquilo que tememos. É o sonho romântico e é o pesadelo macabro. É poesia e é perdição. É o encantamento e, ao mesmo tempo, o vício.

Numa leitura cartomântica, esse pequeno satélite da Terra representa nosso medos mais primitivos, nossos pesadelos, angústias, devaneios, confusão mental. Pode simbolizar os vícios, a dependência das drogas, o alcoolismo, a intoxicação que leva à alteração dos sentidos. Pode ser interpretada, dependendo da sua posição no jogo e das cartas que a acompanham, com gravidez, com um momento muito propício para o desenvolvimento de ideias e atividades criativas. Significa, algumas vezes, a mentira, aquilo que parece mas não é, o que se esconde por trás de uma aparência. Pode representar problemas de ordem emocional e psicológicos, os delírios, as psicoses, todos os estados alterados de consciência.

Talvez porque o luar, reflexo prateado da dourada luz solar, nos permite caminhar pelo escuro, estamos diante de uma carta que nos revela o que, inconscientemente, sabemos e temos registrado desde todo o sempre. Ela, por representar o subconsciente, permite que transitemos por mistérios indecifráveis e por outros mais para os quais carregamos a chave da revelação. Querer desvendar os segredos propostos pela Lua é mergulhar em águas profundas, cuja superfície calma pode esconder turbulências e abismos inimagináveis.

Por isso mesmo associamos o amor, o romance, o enamorar-se, com a imagem da Lua, com a noite banhada por sua luz difusa, com os perigos e prazeres que as sombras, os segredos e os mistérios possuem. Afinal, fantasia, sedução, delírio e encantamento não existem somente nos contos de fadas.

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