Traição é o que mais leva a pedidos de divórcio na meia idade

Dra. Priscila  é conhecida no Brasil como a "Rainha do Divórcio"

Dra. Priscila é conhecida no Brasil como a “Rainha do Divórcio”

Dra. Priscila M. P. Corrêa da Fonseca

O mais recente estudo realizado pelo IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, revelou uma eclosão dos divórcios no Brasil da ordem de 161,4%,nos últimos 10 anos.

Tão expressivo aumento do número absoluto das dissoluções matrimoniais pode ser explicado por alguns fatores. O primeiro deles – e o mais objetivo – é o crescimento populacional, o qual culminou no aumento tanto do número de casamentos quanto de desuniões.

As pessoas se tornaram, por um lado, mais intolerantes, – o que dificulta a convivência -, e, por outro lado, mais liberais, não prezando por um único e exclusivo relacionamento ao longo da vida.

Outro motivo que ditou essa nova realidade foi amudança de conceitos e paradigmas há muito então arraigados em nossa sociedade: o término de um casamento não mais é visto com a pesada aura preconceituosa de tempos atrás.

No que se refere a este último aspecto, a despeito de não mais ser alvo de preconceito ou desaprovações sociais, o divórcio de casais tidos como maduros ainda causa surpresa, sendo, inclusive, alvo de questionamentos por aqueles que privam do convívio do antigo casal.

São comuns, por exemplo, indagações sobre o motivo de um divórcio após tantos anos juntos, e, ainda, aparentemente felizes. Ora, se após anos a família já está constituída, gozando de uma vida financeira estável, qual seria a razão que, de uma hora para outra, culminaria em uma ‘tardia’ insuportabilidade do convívio?

A verdade é que a formalização do término de casamentos mais duradouros, por meio do pedido de divórcio, muitas das vezes é precedida de um histórico de desarmonia e distanciamento entre os cônjuges.

Falência de uma relação

Falência de uma relação

Com base na experiência adquirida ao longo de mais de 40 anos militando em questões afetas ao Direito de Família, posso afirmar que a descoberta daexistência de uma relação extraconjugal é a causa desencadeadora do pedido de divórcio, em especial nestes relacionamentoslongos.

Não que a traição seja, em si, a causa do término do casamento. Na realidade, trata-se ela de uma consequência da falência de uma relação há muito verificada e apenas ainda não sedimentada.

Em outras palavras, embora o casamento permaneça vigente, a relação conjugal não é mais revestida pelo respeito, admiração e assistência.Por diversos motivos, – rotina, desarmonia, desinteresse -, há apenas a coabitação física, não se verificando mais uma vida comum entre os cônjuges.

É justamente nestes casos, diante da prévia inexistência de um casamento sadio, que um dos cônjuges se envolve com outra pessoa.

De toda forma, mesmo já mantendo outro relacionamento, o cônjuge,muitas vezes por comodidade, não toma a iniciativa de por um termo ao enlace matrimonial ainda subjacente. Não quer o cônjuge – na maioria das vezes os homens, mais acomodados – abrir mão daestrutura da casa da qual desfruta, da convivência diária com os filhos, muito menos pretende dividir o patrimônio angariado durante a relação.

Apenas quando esta relação extraconjugal, de alguma forma, é trazida à tona é que o pedido de divórcio se faz inevitável.

Verifica-se, portanto, que a consolidação do término do casamento, em especial nas relações mais antigas, não se deve a algum fator pontual, mas a uma conjunção de diversas circunstâncias, sendo na maioria das vezes a descoberta de um relacionamento adulterino a mola propulsora para a adoção das medidas visando o decreto do divórcio.

Independente de todos os entraves afetos a dissolução de uma sociedade conjugal, diante do constante aumento da expectativa de vida, acredito que a busca pela felicidade deva elevar, nos próximos anos, o número de desuniões de pessoas de mais maduras, em especial daquelas acima dos 50 anos.

E tanto é verdade que ainda segundo a pesquisa elaborada pelo IBGE, entre os anos 2000 e 2010, a média de divórcios entre casais dessa faixa etária cresceu 28%, ou seja, 6 pontos percentuais acima do que o registrado entre os pessoas mais jovens (de 20 a 50 anos).

*Bacharela em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Paulista de Direito da Pontifícia Universidade Católica da Capital do Estado de São Paulo e Doutora pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Priscila M. P. Corrêa da Fonseca atua na área jurídica desde 1969. É conhecida no Brasil como a “Rainha do Divórcio”.

3 comentários

  1. Bem assim!!!
    Experiência própria, e a propósito, bem recente.
    Analisando os 34 anos de convivência aparentemente saudável, vejo agora que nunca o foi, desde o início. Para mim parecia estar realizada, feliz, pois não questionava qualquer atitude de desrespeito do outro (conjuje) achava que o que importava mesmo era a família como um todo……..bem, aconteceu o narrado na reportagem…..e foi então que percebi assustada que fui terrivelmente desrespeitada todo o tempo de convivência, e que já havia enfrentado tudo, só faltava a traição…..
    fim. Não, não procuro felicidade em outro parceiro. Aos 56 anos estou amando minha nova condição, minha liberdade, eu comigo “mesma” como é”otimo”!

  2. É triste,mas é a realidade nós mulheres. Comigo também aconteceu com a história da Dra. Priscila M. P. Corrêa ,acima narrada. Fui criada e educada para priorizar meu esposo, família , trabalho, e eu, em último lugar. Mas eu era feliz, amava demais meu esposo e primeiro namorado, e realizada em ser mãe. Aos 44 anos o meu mundo caiu sobre minha cabeça. Hoje com dois anos de separa, ainda trabalhando este sentimento, estou seguindo minha vida, me transformando em uma nova mulher, que estava guardada dentro de mim. Estou me amando mais, minha liberdade, sendo ” EU”. Sem falar que voltei a estudar, faço a faculdade de Psicologia, meu primeiro sonho profissional. O Segredo é continuar seguindo sempre, não parar!

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